36 - Ruínas

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Jake estava bem na minha frente. O passo firme e seguro chegando cada vez mais perto do meu espaço pessoal, mergulhando na luz débil da lâmpada suspensa. Os olhos, claros e afundados nas olheiras azuladas, me encaravam como se não existisse mais nada no mundo, mas, não como eu estava acostumada: a vulnerabilidade escondida na frieza- e sim algo mais parecido com a raiva que transparecia quando ele fechava os dedos ao redor do meu pescoço e despejava em mim a única violência que era aceitável... a única violência que ele sabia que eu gostava.

É assim que ele me via naqueles momentos, e eu nunca realmente entendi? Quase como... Não. Definitivamente como uma inimiga.

— Phil! Tá tudo bem? — gritei para o fundo da adega.

— Tirando que quase tive um ataque cardíaco, tudo bem. — Phil saiu da despensa, se encostando na parede do corredor. — Como que você entrou aqui, esquisito?

— Pela porta. — Jake respondeu como um robô, ainda sem tirar os olhos de mim. — Não adianta um porta reforçada se a tranca for ruim.

— E o cadeado? — Phil insistiu, torcendo a maçaneta de ferro e puxando com força, confirmando que ela parecia trancada como sempre.

Jake não disse nada. Apenas enfiou a mão no bolso e tirouum cadeado dourado e envelhecido, pouco menor que o meu pulso fechado. — Aqui.

Phil juntou as sobrancelhas, olhando Jake de cima a baixo enquanto ele estendia o cadeado na mão. Ele então pegou a peça de ferro, tentando abri-la com as mãos, puxando a haste.

— Como foi que--?

— Manda o seu pet dar um tempo pra gente. — Jake disse, relaxando os ombros e soltando um suspiro pesado.

Ahh... ele não entende sarcasmo, mas sabe usar quando tá irritado.

— É você que tá na propriedade dele. O Phil faz o que ele quiser.

Jake apertou os olhos de leve, levantando a cabeça e dando outro passo na minha direção.

— E ele estava prestes a abrir um buraco na parede da "propriedade" dele, por livre e espontânea vontade ou porque você pediu? Pra quê isso, aliás, o que vocês estão procurando?

— Você tá bravo? — Inclinei o rosto, odiando aquele sentimento de estar sendo interrogada, como se fosse eu que devesse explicações pra ele.

Jake travou, tensionando a mandíbula.

— Não. — Ele respondeu, coçando a nunca.

— Então porque você tá sendo tão grosso? — Perguntei.

— É, porque? — Phil se intrometeu, ainda tentando descobrir como Jake abriu o cadeado, cutucando o buraco da chave com um arame. — Eu teria aberto a porta pra você.

— Eu pensei que era melhor ser mais discreto, a polícia acabou de sair da sua casa, não tive tempo de-- de pensar direito! — Jake resmungou.

— Hm... Não foi porque você ouviu o que eu disse no seu microfone escondido? Aí aquela mensagem chegou, o Phil deu um piti, deixou escapar que a gente tava vindo pra adega juntos e você veio correndo...— Passei pelos dois e fui até a despensa procurar o martelo e a talhadeira, vendo que Phil já tinha esquecido completamente o que a gente tava planejando fazer. Delá, continuei o raciocínio: — Invadiu de fininho e ficou escutando a gente conversar até que ele te encontrou na despensa. Tava querendo escutar o quê aqui?

Achei o martelo, mas não a talhadeira. Atravessei o corredor, enquanto Jake continou plantado no mesmo lugar sem responder.

Apertei os olhos.

Noite com Ele - DuskwoodHistórias para pegar e não largar. Descubra agora