Quando meus olhos começaram a arder com o vento forte, percebi que havia esquecido o capacete. À minha esquerda, a floresta se erguia, flutuando com o brilho fraco do dia nascendo despontando entre as árvores.
É aqui.
Freei e desci da rocket, arrastando-a com cuidado até os arbustos escuros, quando o estrondo de motor inconfundível invadiu os meus ouvidos. Phil passou com a BMW, muito acima do limite de velocidade, como um relampago negro cortando a neblina.
Aconteceu alguma coisa?
Logo o som voltou muito mais suave, e ele apareceu de ré, estacionando no acostamento.
— A Maya disse-- — Ele tirou o capacete escuro e esfregou o cabelo. — Pra não falar com a Hanna ainda. Os feds podem estar com ela...
— Eu sei, eu estava lá quando ela disse isso. Para onde você está indo? Pensei que ia ficar com ela até abrir o Aurora.
— Você não tá indo atrás da Hanna?
—Não sou burro. — Terminei de esconder a Rocket e coloquei as mãos nos bolsos, o frio sempre piorava a LER.
— Ah. Bom... — Ele limpou a garganta enquanto encaixava o queixo do capacete no guidão. — Erro meu então. Porquê você veio pra cá?
Soltei um suspiro.
Já disse que queria pensar. Detesto ter que repetir certas coisas ou me explicar. A Maya não tinha vindo com ele, então provavelmente ela entendia, porquê ele não?
— Tem uma trilha até o topo. Quero ver um lugar. — Apontei para o monte coberto de pinheiros e faias.
— Pra fazer o quê?
Fiquei sem paciência e comecei a subir a trilha que já conhecia há quase dez anos.
— Volte para a casa da Maya. — Peguei meu celular e digitei uma mensagem rápida para ela, só pra confirmar que estava tudo bem. — O julgamento da Hanna vai começar amanhã. Vocês precisam repassar a história sobre o diário--
— Ahh, a Maya dispensa ensaio, você sabe. E a minha parte é fácil. — Ele começou a me seguir. — Você quer um tempo pra pensar em como falar com a Hanna sem ser preso, ou pra ficar com vergonha sozinho de ter se arriscado para salvar uma mina aleatória de um sequestro?? De qualquer jeito, parece zoado te deixar sendo emo sozinho.
Estalei a língua.
— Queria muito ter o carisma da Maya e fazer graça, ser paciente e agradável mesmo irritada, mas existe um motivo pelo qual escolho ficar sozinho quando algo me incomoda. Não vou ser uma boa companhia.
— Você acha que a Maya é paciente irritada? Então a gente tem uma ideia muito diferente sobre paciência.
— É... acho o Rogers também pensaria assim. — Sorri, mas o rosto de Phil ficou ainda mais sério, olhando para o chão. Desviei o olhar. O assunto ainda era pesado pra ele. — Avisei que não sou boa companhia.
— Não ligo pra como ela matou o Rogers.Foi merecido. Mas o que aconteceu depois-- Toda vez que lembro... me sinto enjoado igual.
Não soube o que responder. Só parei por um tempo, esperando ele acompanhar o passo.
— Outro dia sonhei que um abutre tinha morrido, e acharam um pedaço do Rogers dentro dele, de algum jeito. E dava pra-- ver que era ele. Entende? Não quero que a Jessy saiba de nada daquilo. Se um dia contarmos que ele morreu, precisamos dizer que enterramos o corpo em um lugar legal... Algum lugar que ela possa ver e visitar às vezes. — Phil olhou ao redor, fechando a jaqueta contra o frio.
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Noite com Ele - Duskwood
Hayran KurguEla só queria uma noite. Depois de tudo, a MC finalmente encontra Jake cara-a-cara - e o plano era simples: uma noite tranquila no Aurora. Mas as coisas não ficam simples por muito tempo. Entre conversas atravessadas, silêncios pesados e uma química...
