Soltei o ar pela boca sem notar, avançando pela casa. O som do farfalhar dos lençóis me puxava para ela.
Cheguei à porta aberta dela novamente, parando e pressionando os lábios. Considerei verificar o spyware para ver se ela tinha pegado o celular, se estava virada para a porta—me certificando de que eu não corria o risco de ser visto. Mas a luz me denunciaria, então afastei a ideia e pisquei forte, reunindo a coragem que a voz de Maya me dava quando deixava escapar um gemido do fundo da garganta relaxada, entre a respiração ofegante aqui e ali.
Dei um último passo para frente, esperando que a escuridão da noite me protegesse enquanto a luz do luar a iluminava na cama ao pé da janela.
Maya estava de bruços, arqueada, o quadril subindo e descendo. Ela abraçava um travesseiro, montava em um segundo, enquanto amassava o rosto contra um terceiro, abafando os gemidos preguiçosos. Recuei, me encostando na parede oposta.
Não faz isso comigo... Conversei com ela mentalmente. Eu já estava indo embora... Como vou agora, duro assim?
Levantei o moletom. Desabotoei a calça. O zíper desceu devagar.
Percebi meus olhos arderem— fiquei tempo demais sem piscar, focado no pouco que conseguia ver do rosto de Maya contorcido e corado mergulhado no travesseiro.
Mas na minha imaginação, ela me fitava, como fitou para a escuridão minutos antes.
Minha mão deslizou pelo incômodo sob o tecido, quase inconsciente. Fechei os dedos ao redor do pau, prendendo a respiração por um instante para sincronizar com a de Maya, esperando que ela própria camuflasse a minha presença.
Esfreguei o polegar pela pele quente e pulsante já molhada na ponta. Vai embora. Estamos indo longe demais.
Minha visão estava perfeitamente adaptada ao escuro, mas as pálpebras estavam relaxadas demais pela dopamina e minha pele se arrepiava mesmo naquele calor; era a euforia me dominando. Lutei para manter o silêncio enquanto assistia o corpo de Maya ondulando pela cama, seus olhos tremulando— meio abertos em um momento, se apertando com força no próximo, perdidos em alguma cena imaginária.
Subindo e descendo o toque, seguindo o ritmo dela,, desejei saber no que ela estava pensando. Descobrir o que, exatamente, tinha aquele poder sobre ela.
Eu já sabia o tipo de livros sujos que ela lia, uma ou outra aba de procedência duvidosa no histórico; A preferência que ela tinha por ser controlada e-- Ela se contorceu, se virando para cima, uma mão entre as pernas enquanto sugava os dedos da outra.
Aquilo.
Tudo tomou uma proporção muito mais real, tangente. Queria ir até ela, dar o que ela queria. Eu sabia que podia, se ela quisesse, se ela deixasse.
Não. A voz da minha mente respondeu. Isso é ridículo.
Deixei a cabeça cair pra frente, sem tirar os olhos dela, mesmo com o lacrimejar que os tomava enquanto uma camada fina de suor escorria entre eles.
Acelerei a batida.
Meu corpo fervia. O abdômen tenso, as coxas rígidas. O som dela. Meu nome, talvez—Não.
Mas queria que fosse.
Queria tanto que fosse...
O arfar dos seios ficou mais rápido, e eu acompanhei hipnotizado, com o movimento da mão mais rápido também, quase desesperado.
Mordi o lábio, apertando o pau com força, querendo prolongar o momento, mas foi inútil. O movimento dela-- rápido, convulsivo-- me pegou junto. Meu corpo arqueou, reagindo antes que eu pudesse impedir.
A porra jorrou de repente, uma liberação que parecia arrancar todo o ar dos meus pulmões. O calor se espalhou ainda mais.
Tudo estava embaçado, como em um sonho.
Ainda forcei minha respiração a acompanhar a dela; preso, sufocado, longe de conseguir captar todo o ar que eu precisava.
Senti as pernas moles, falhando. Fechei os olhos. Não conseguiria mantê-los abertos nem se quisesse. Deslizei contra a parede até me sentar no chão. Quando levantei o olhar, fitei o meu punho ainda firme ao redor da carne. Sentia o sangue fluindo barulhento pelos meus ouvidos.
Se eu pudesse respirar livremente, ia querer de novo.
Fiquei perdido, entorpecido. Mas minha mão ainda estava lá, ainda suja. O calor úmido escorrendo lentamente pelos dedos, manchando a pele e provavelmente as minhas roupas.
Puxei o ar inconstante, a garganta trêmula, encarando o teto, temendo olhar para ela e perder ainda mais o controle, mesmo sabendo que o dia começaria a clarear em breve.
Esvaziei os pulmões.
A tensão foi abandonando o meu corpo e senti o pulso relaxar, os dedos deslizando pelo abdômen onde a porra tinha atingido. Sem pensar muito, passei o polegar pela umidade, espalhando o líquido pela pele quente.
Encostei a cabeça na parede, deixando o silêncio da casa me engolir. Me permiti olhar para ela de novo. Maya ainda abraçava um travesseiro, enrolada em si mesma como um pássaro que acabara de sair do ovo, dormindo profundamente, intocável na penumbra azulada.
Você não vai tomar nem um copo de água?
Sorri, secando o suor da testa com as costas das mãos. Voltei a sentir a textura pegajosa entre os dedos, com preguiça de me levantar e ir até o banheiro, querendo prolongar a conexão com o que eu havia acabado de fazer, com o que ela havia acabado de fazer. Mas aos poucos, a culpa voltou a rastejar ao meu redor, até se instalar no meu peito, me corroendo.
Engoli em seco, me levantei. Me despedi mentalmente e saí do território de Maya, sentindo que falhei— e que continuaria falhando, sem coragem de conquistá-la pra mim.
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Oie,
Só queria dizer que a pesquisa pra esse capítulo foi bastante engraçada
(ᵕ—ᴗ—)'
Mas no final valeu a pena... Eu acho? Me digam pfv KkkKkKk
Enfim, espero que tenham gostado ❤︎
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Noite com Ele - Duskwood
FanfictionEla só queria uma noite. Depois de tudo, a MC finalmente encontra Jake cara-a-cara - e o plano era simples: uma noite tranquila no Aurora. Mas as coisas não ficam simples por muito tempo. Entre conversas atravessadas, silêncios pesados e uma química...
