40 - Primeiros Erros

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— Ninguém gosta de gente que fica implorando atenção! Coloca isso na sua cabeça!

Minha mãe estava irritada. Irritada a um nível que eu não via há certo tempo. No geral, quando eu me metia em problemas, a punição era fria e distante: algo era tirado de mim, ou ganhava alguma surra seca, criativa e silenciosa. Ela nunca gritava, era cansativo demais gritar. Mas agora a voz dela cortava o ar, alta e firme, sem se importar com as pessoas ao nosso redor enquanto me arrastava pelo pulso.

Eu já era velho o suficiente pra ter vergonha daquilo. Não lembro exatamente a idade, mas estava começando a ficar alto, quase a alcançando em altura, mas aquilo não importava. Pra ela eu ainda era um bebê.

— Porquê você foi atrás dele? Não está feliz aqui comigo? Você acha que eu menti, que ele não sabe sobre você? Ele sabe! — Ela olhou para os lados da avenida enquanto caminhávamos até um táxi.

Eu errei. Não pesquisei as leis direito. Achei que bastava o passaporte que fiz e a autorização que falsifiquei. Fui detido de novo, a obrigando a me buscar na instituição pela milésima vez. Achei que era sobre isso que ela tinha ficado tão irritada, mas pensando agora, acho que ela se sentiu traída. Não respondi porque não sabia o que dizer. Nem eu conseguia explicar porque queria tanto conhecê-lo. No carro, ela continuou a reclamar:

— Ele tem duas filhas e esposa. Ele já tinha a esposa quando eu tive você. É isso que você quer saber? O porquê dele não ter criado você?

— Eu tenho irmãs?! — Tinha mantido o meu olhar distante aquele tempo todo, observando a rua, as fachadas das lojas, me distanciando da conversa. Mas seria legal ter irmãs, então olhei para ela.

Não. Ele tem filhas. Da esposa. Não é a mesma coisa.

— Maiores que eu?

— Não.

— E filho?

— Que eu saiba não. Só você.

Desviei o olhar de novo. Sabia que se continuasse olhando pra ela, ela voltaria a brigar, talvez resgatasse aquela raiva gelada, mas explosiva.

Pensei em perguntar se ele nunca quis me conhecer, mas deixei a dúvida entalada na garganta. O motorista nos observava de canto de olho— desaprovação para ela, pena para mim. Ambos os sentimentos me davam nojo.

— Se pelo menos você ficasse um tempo sem aprontar. Olha como eu estou atrasada, não vou receber por esse tempo longe do trabalho. Toda vez isso! Acha que ele ia gostar se soubesse que você é assim? — ela pensou alto, olhando para o relógio.

— Tanto faz. — Eu disse, olhando para a janela. Secretamente, uma queimação subia pelo meu estômago.

— Tanto faz? Então devolve a minha foto.

Uma foto dela com Nathan. Ela havia me dado no meu aniversário. Mas era sempre assim. Aprendi que quando ela me dava algo, nunca deixava de ser realmente dela. Mas dessa vez eu já tinha digitalizado. O que eu tinha na web ela não conseguia tirar de mim, mesmo se quisesse. Puxei a foto no bolso, dando uma última olhada nas expressões dos dois, felizes e alegres em um bar. Nunca a tinha visto feliz daquele jeito pessoalmente, era como se aquela versão dela só existisse naquela foto. Estendi para ela, olhando seu reflexo no vidro sem que ela percebesse.

— Se você quiser saber um dia se alguém gosta de você, você não pode ficar correndo atrás, entendeu? É assim com todo mundo. Ele gostava mais da esposa, então tudo bem. A gente continua vivendo a vida, normal.

— Você já disse isso, que saco. — Respondi soltando um suspiro.

— Então porque não entra na sua cabeça? Deixa o seu pai em paz! Olha pra gente! Do jeito que estamos agora, só íamos passar vergonha. Ele vai achar que queremos alguma coisa dele. É isso que você quer?

Noite com Ele - DuskwoodHistórias para pegar e não largar. Descubra agora