— Uau, que buraco. — Eu disse.
— É aqui? — Jessy parou do meu lado, olhando o letreiro, sujo e tremeluzente. — BL spot?
— Blindspot. — Mc apontou para as letras apagadas logo acima da porta estreita e baixa. — "Ponto Cego". O Richy não tentou falar com você, Jessy?
— Não, ele não está nem respondendo também. O dia todo, na verdade. Tudo o que eu sei é o que você me contou.
— Então... Ontem vocês combinaram tudo, ele disse que ia passar na sua casa, te buscar, e então nos encontraria no café da Clara. E hoje ele mudou de ideia, e mandou a gente pra cá. Esse lugar. — Maya olhou pra mim. — Quais as chances da gente ver alguém fazendo pole dance aí dentro?
— Quando eu disse que conhecia o lugar, eu quis dizer por nome, não que eu já tive aí dentro. — Conferi meu celular.
Quando Richy mudou o local, mandei uma mensagem para Bob.
"Acha que dá conta do movimento hoje à noite só com a Millie?
Lembra daquele bar estranho que uns clientes comentaram esses dias?
Vou estar lá. Mas se apertar, me liga -- dou um jeito de voltar."
Nenhuma resposta ainda.
— A gente não precisa entrar, se vocês não quiserem. — Enfiei o celular de volta no bolso.
— Você que sabe Jessy. — Maya esfregou a bochecha.
— Se eu soubesse que ia acabar se encontrando num bar, eu teria escolhido o Aurora. Eu queria um lugar normal, tranquilo. Não... Isso.
Ela bateu os braços do lado do corpo, mostrando o estacionamento coberto de papel amassado, bitucas de cigarro e um cheiro misterioso e amargo.
— Talvez ele queria um lugar mais... Sei lá. Isolado? — Maya fez uma careta.
— Vamos entrar. — Jessy falou, andando até a porta com os ombros caídos.
Passamos por um corredor à esquerda, e descemos uma escada em caracol, sentindo o ar ficando cada vez mais quente, com um calor úmido e abafado preenchido de fumaça doce e amarga.
O som foi aumentando e aumentando, até enxergamos a pista: O bar parecia montado com o que sobrou de outros bares — iluminação de boate falida, paredes escuras cobertas de grafite, pôster rasgado e um ou outro adesivo de banda que nem existe mais.
E gente, muita gente. Encostadas nas paredes, ocupando todas as mesas, falando alto, mas parecendo sem volume, com a música alta e grave fazendo a cabeça pulsar.
Cada canto parecia uma cena de alguma coisa que devia estar acontecendo em particular, mas estava ali... exposta. E se o estacionamento tinha um cheiro que não consegui identificar, ali tinha cheiros que eu não queria identificar: Cigarro, vape... O resto eu não queria nem pensar. Um borrão no ar fazia a luz vermelha do fundo do bar parecer ainda mais suada.
Maya puxou o meu braço e me inclinei de leve.
— Que será que tem ali? — Ela apontou para os fundos, enquanto falava no meu ouvido.
— Quer ir ver? Vai te traumatizar pra sempre. — Respondi, e ela riu.
Maya segurava a mão de Jessy, que marchava irritada na nossa frente digitando no celular. Reparei como ela se inclinou para falar no ouvido da minha irmã, mas era impossível escutar o quê. De repente, Jessy se virou e gritou.
— Quando o Richy chegar, vou tacar uma lata de cerveja na cara dele! Não a cerveja, a LATA.
Respirei fundo e encostei o queixo no ombro de Maya.
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Noite com Ele - Duskwood
Fiksi PenggemarEla só queria uma noite. Depois de tudo, a MC finalmente encontra Jake cara-a-cara - e o plano era simples: uma noite tranquila no Aurora. Mas as coisas não ficam simples por muito tempo. Entre conversas atravessadas, silêncios pesados e uma química...
