58 - Glicerina

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Deveria ter sido mais fácil entre nós três-- 

Nosso velho amigo Medo,

Você... e eu.   

 Bush - Gliceryne


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— Se você ficar na minha casa, vão te achar. Se você ficar no Aurora... definitivamente vão te achar. Mas acho que tenho um lugar seguro. — Phil disse, digitando algo no celular antes de levantar os olhos pra mim. — Vai querer?

— Depende. Vai me custar o quê?

— Nada, ué. — Ele hesitou. — Quer dizer... na verdade, tenho uma condição.

Sabia.

Esperei, encarando, até ele continuar:

— NADA de me molestar de novo.

Esfreguei os olhos e voltei a andar, mas Phil não entendeu a deixa e continuou a falar.

— A propósito: o seu plano só deixou a Maya com ciúmes. Mas não vou reclamar da tentativa.

Juntei as sobrancelhas. Que plano? Que tentativa? Mas ao invés de perguntar, decidi ignorar e não responder.

— Pra onde a gente tá indo? — Ele perguntou.

— Eu estou tentando ficar sóbrio para dirigir. Vou dar algumas voltas até sentir que-- Esquece... Não te interessa.

— Não quer nem saber que lugar é esse que tô oferecendo pra você? Porquê a gente não vai na minha moto?

— Você consegue dirigir? — Me virei pra ele.

— Eu só tomei o shot de brinde. Não lembra?

Na minha memória só guardei a falação da Maya e as risadas, além do mal-estar na boca do estômago, resultado de acreditar que essa seria a minha última noite livre... Depois, o beijo. Aquela dor agridoce.

— Quer ir de mochilinha? — Phil forçou um sorriso desconfortável. Fiquei sem entender se era uma piada ou uma pergunta séria.

— Meu metabolismo é rápido. — Eu disse. — Cinco shots... Se eu conseguir andar por uma hora e tomar água, depois disso eu consigo dirigir sem ser um perigo pra ninguém.

— Hmm. Na noite que a Maya te trouxe pro Aurora, você bebeu pra caramba e não teve problema. Pensei que aguentasse melhor.

— Cerveja é tão diferente desse outro negócio... — Eu resmunguei.

— Ah, você nunca tinha tomado tequila então... Ok, eu devia ter pensado nisso. — Ele me olhou de cima a baixo. — Esquece isso de ficar andando. Não vai passar assim, não.

Suspirei, deixando os ombros caírem.

— Vômito...?

— Você não é o inteligentão? O álcool já tá no seu sangue, não no estômago. — Phil deu risada. — Mochilinha ou trem, você escolhe.

— Uma hora de caminhada e eu vou dirigir normalmente.

— Será que a Hanna não pensou a mesma coisa antes de matar a Jennifer? — Ele resmungou baixinho.

A noite estava gelada, silenciosa. Os nossos passos agitavam a neblina grossa e Phil ficou quieto por um tempo, olhando para o chão... Não.. Olhando para alguma coisa dentro da mente dele. Talvez fosse a mesma coisa que eu estava pensando.

Noite com Ele - DuskwoodHistórias para pegar e não largar. Descubra agora