35 - Ecos

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— Coloca a moça no chão. Devagar.

Phil se curvou de leve para a frente, segurando firme enquanto me deslizava no ombro até que meus pés tocaram o chão.

— Tem mais alguém na casa? — Alan perguntou, ainda pressionando a ponta da glock contra a testa de Phil. O que parecia só resultado de uma confusão -talvez ele tivesse pensado que estávamos brigando? -Agora parecia um excesso quase criminoso.

— Não, só nós dois. — Eu disse, controlando a raiva que crescia enquanto Alan me puxou pelo braço para longe de Phil.

— Estavam brigando?

Sabia.

— Não, só... brincando

— Certo. — Alan acenou com a cabeça e uma sequência de policiais foi entrando com sacolas de tecido nas mãos. Logo ele próprio abaixou a glock, encaixando-a no coldre tão rápido quanto puxou um papel cuidadosamente dobrado do bolso. — Isso é um mandado judicial. Vou te explicar como funciona: nós vamos entrar e remover alguns itens. Você poderá tê-los de volta depois que tivermos certeza que... que não tem nada de útil pra nós.

Peguei o papel, desdobrando e passando os olhos pelo documento enquanto Alan explicava de forma calma, pausada. Mas nos olhos sérios e cansados, uma raiva contida borbulhava.

— Todos os eletrônicos? Porquê isso agora? — Estendi o papel de volta para Alan.

— Essa cópia é sua. Vamos começar por vocês então. Celulares, por favor.

— Espera, o mandado é para as minhas coisas, pra quê você quer o celular do Phil?

— O mandado é pra tudo que estiver na casa. — Alan olhou para o chão, apontando a divisão entre o azulejo da sala e o piso de madeira da varanda. — Ele está dentro da casa.

Por isso esse show todo. Ele não queria que o Phil saísse.

Phil olhou pra mim como se perguntasse o que fazer, levando tempo demais para tirar o celular do bolso.

— O Alan vai devolver quando não precisar mais. Fica tranquilo. — Eu disse, dando um passo em direção a Phil, tentando convencer tanto ele quanto o Alan de que tudo estava em ordem.

Jake cuidou do celular de Phil. A não ser que ele decida colocar alguma ameaça em prática, vai ficar tudo bem. Ele não deixaria nada para incriminar o Phil... Ele não faria isso.

— Meio chato ficar incomunicável. Mas vou cooperar. — Phil disse, largando o celular com o delegado.

— Que ótimo. Como tempo é dinheiro e vocês estão tão dispostos a cooperar, que tal fazermos tudo isso muito mais rápido? Vou falar um pouco com a Sta. Capelli enquanto o Schultz vai falar com você. — ele disse, com o sorriso mais falso que já vi debaixo daquele bigode. — Sabe, só pra poupar tempo.

Claro, poupar tempo.

Alan caminhou alguns passos largos e apressados. Eu acompanhei, mas não sem antes sussurrar a palavra "advogada" para Phil.

Não tivemos tempo de combinar história nenhuma. Tudo o que Alan sabia era que éramos namorados, e como tal, poderíamos dizer que estávamos assistindo Better call Saul, lavando louça ou qualquer outra coisa que não fosse procurar câmeras escondidas do hacker procurado pelo governo. O problema era: nossas histórias, de novo, tinham que bater uma com a outra.

E não tivemos tempo de combinar nada.

Acompanhei Alan para um lado da varanda, enquanto Phil falava com outro oficial próximo a estrada.

Noite com Ele - DuskwoodHistórias para pegar e não largar. Descubra agora