"Os olhos dela são a chave para tudo que ainda existe de bom no meu coração."
Notas de Paradox nº 158, na imagem nº 80: mulher identificada como Maya Cappelli, olhando pela janela de um ônibus.
Trecho extraído do relatório técnico elaborado por David M. O., perito forense digital, sobre o hard drive pertencente ao foragido identificado como Jacob Halden, a.k.a. Jake, a.k.a. Paradox.
Nome incompleto. Herdado só da mãe.
Sem registros do pai. Sem parentes próximos listados.
Nada além do essencial pra constar no sistema. Uma certidão funcional, impessoal. Um desses casos em que o sobrenome é só ruído administrativo.
Mas o garoto fez o próprio nome depois.
"Paradox."
Faz sentido. É o que sobra quando você nasce pela metade. O que não faz sentido é isso inspirar um fanboy.
— Cadê o David? — Perguntei para a escrivã na recepção da delegacia.
Ela nem tirou os olhos do computador. — Horário de almoço.
— Mas são nove da manhã!
Ela deu de ombros.
Fiz bem em não deixá-lo saber.
Não importa se eu perdesse o cargo depois desse caso. Eu devia isso a ela.
Um delegado sabe quando é necessário correr riscos — assim como sabe reconhecer o momento de abandonar uma estratégia em favor de outra, mais promissora. A proximidade do rapaz com o trabalho do hacker havia sido útil, mas agora contaminava toda a investigação.
E como não me sobrara mais ninguém, meu risco agora vinha de outro tipo de fã.
Um devoto de outra estirpe: Não de um hacker procurado, mas de uma lenda local.
Tão dedicado que a tornou real, na própria pele.
***
Eu estava tão insegura quanto podia estar.
O Richy estava com o HD. E a Jessy ainda falava com ele.
Meu último encontro com ele não tinha dos mais amigáveis, e com ela... eu já não sabia.
Detestava a ideia de alguém contando sobre o dia que eu quase morri na praia. Me fazia sentir uma vergonha irracional. E era pior ainda lembrar o que contei pra Jessy.
"Ela me viu. Eu sei que viu. E não se importou."
Porque logo depois, eu me contradisse. Disse pra todo mundo que ela tinha entrado em pânico- por isso não reagiu, não pediu ajuda.
Na hora, achei que não era sério o bastante para estragar a viagem... E, de verdade, eu também não entendi por que ela teria agido daquele jeito.
Eu tinha ajudado ela. Eu tinha resolvido o sequestro, com o Jake, com a Jessy...
Porque ela me odiaria?
Na época, tudo soava paranoico demais pra eu ter coragem de repetir pra alguém. Só Jessy sabia que aquela lembrança ainda me assombrava- nos sons que lembravam ondas quebrando, no cheiro de maresia e na forma como o ar às vezes parecia falhar.
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Noite com Ele - Duskwood
FanfictionEla só queria uma noite. Depois de tudo, a MC finalmente encontra Jake cara-a-cara - e o plano era simples: uma noite tranquila no Aurora. Mas as coisas não ficam simples por muito tempo. Entre conversas atravessadas, silêncios pesados e uma química...
