Brincando com Fósforos

228 15 76
                                        

Ok, talvez eu tenha cometido um erro quando beijei ele. 

Nem sei porque fiz aquilo. Nunca fui tão impulsivo, tão estúpido.

Talvez porque pensei que, se ela não tivesse feito nada até agora - dando sinais claros de uma vontade que ela mesma não aceitava admitir, mas transparecia, pelo menos pra mim, que a conhecia não como ninguém-- Talvez eu só estivesse lendo as coisas do jeito errado...

Mas sempre, sempre as minhas racionalizações escondiam um padrão que eu queria esconder, ou evitar sentir. 

Porquê eu fiz aquilo, se agora, vendo Phil e Maya, eu continuo assustado, continuo inseguro? 

Porquê eu tive que sabotar isso de novo? 

— Ecaaaa! CHEGA, CHEGA. — Jessica gritou. — Não precisava de tudo isso também!! Vou ter que queimar os meus olhos depois disso. 

— É, arAnja um qaarto para vocês dois! Na real... Ach que vou—- a garçonete... Camille? Olhou para Jessica. — BanheirO Pfavôrr.

— Tabém pcisoo... — David resmungou, se levantando às pressas da mesa enquanto Jessica passou por nós pelo booth, pegou a mão de Camille e arrastou pela pista contornando e empurrando as pessoas pelo caminho. 

Mas tudo isso aconteceu como um piscar de olhos, porque tudo que eu conseguia registrar no momento, era como Maya afastou o cabelo do rosto, vermelha, envergonhada — não com aquele vergonha de quem se arrepende, mas como alguém que deixou algo secreto transparecer sem notar. 

Só aí notei que todas as pessoas para quem precisávamos fingir, tinham saído da mesa, mesmo que temporariamente. Entre mim e Maya, só restava Phil, que sorria, leve, tranquilo... 

Queria dizer que o meu primeiro impulso foi de acabar com ele. Fazer ele sumir, de qualquer forma. Ali, instantaneamente. Aquele desejo de destruir aquele sorriso completamente, fervendo no meu estômago, se misturando com a irritação que vinha da música alta, dos cheiros incomodos e da minha visão comprometida pelas luzes piscando. 

Tudo me deixava enjoado. 

Mas meu primeiro impulso de verdade, foi o de fugir. De puni-la com a minha ausência, porque eu sabia que ela podia até ter beijado ele, ela podia até... Gostar dele, amar ele, que fosse... 

Mas comigo, era diferente. Era exatamente como ele disse: "eu vi como ela fica quando você some". 

Ela não precisa de mim, mas algo nela, algo que eu não entendo—- precisa. 

E quem eu enganaria se dissesse que não preciso dela? Eu preciso. Eu quero. 

Desesperadamente. 

Ela olhou pra mim, de relance, tentando ler o que eu estava pensando. O pet só então pareceu lembrar da minha presença, tensionando a mandíbula, mas se recusando a olhar pra mim. 

Me arrastei pelo acolchoado do booth, sem tirar os olhos de Maya. 

— Valeu a pena, essa vingança?

— Ainda tô devendo uma. Aquele beijo na Millie, não é? 

— Sério? Você ainda pensa nisso? 

— Não. Mas já que você beijou o Phil também, talvez seja um hábito seu... Sei lá.

Phil olhava para Maya e depois para mim, estando no centro figurado e literal da discussão, mas sem arriscar dizer nada. 

— Você não está irritada de verdade. Não pelo beijo. O que foi? É porque eu apareci sem avisar?

— Você não pode sair forçando beijo nas pessoas. — Ela disse, esfregando a testa. 

— Ele podia ter negado se quisesse, Não é como se a gente tivesse muita diferença de tamanho. 

Noite com Ele - DuskwoodHistórias para pegar e não largar. Descubra agora