79 - Na Mosca

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Bull 's Eye! — Marv celebrou na escuta. Apesar de tentar se conter, a empolgação do sniper escapou no tom.

Ela caiu e eu fiz uma careta, escutando angustiado o chiado dos drones de controle baixando para checar a cena melhor. Levei os binóculos aos olhos, escondido entre os a vegetação ao redor.

Talvez tenha sido tarde demais... Anda Maya, se mexe!

Acompanhei de longe enquanto o reconhecimento apagava o fogo e procurava por cúmplices armados.

— Alvo abatido, perfuração craniana fatal. Morte confirmada. Vítima do sexo feminino também caiu.

— Morta? — Toquei a escuta.

Bill tocou o pescoço de Maya com o anelar e o indicador enluvados.

— Afirmativo. Sinais de tortura. Não sabíamos que ia ter mais gente na cena... Bom, sua equipe pode entrar, David. Vamos logo com isso, antes que chegue algum curioso.

Merda.

Atravessei o gramado correndo, olhando para o céu, esperando ver helicópteros e aviões caindo a qualquer momento.

E agora?

Passei uma perna por cima de Maya e abri a mochila que William tinha nas costas enquanto os outros peritos corriam a cena tirando fotos de cada detalhe. Peguei o HD o e escondi na barra da calça; um truque barato que aprendi com ela, quando entreguei a pasta do caso da Jennifer.

— David, esse é o cara? O Hacker? — O capitão das forças especiais apareceu de repente, mas felizmente não viu o que eu fiz. Espero.

— O Paradox... Jake. Parece que sim. Vamos checar o DNA e... todo o resto.— Logo eu tiraria uma amostra de DNA de William e trocaria pela de Jake nos arquivos, e não teria mais volta. Mas com ela morta-- pensei, confuso. Obviamente, ela ter morrido muda tudo. — Precisavam ter atirado no alvo enquanto ele estava com ela no colo?

— Ela não morreu por isso. Meu cara acertou o melhor tiro possível sem perder tempo. A denúncia exigiu emergência. Essas coisas acontecem quando não temos tempo de planejar nada.

Me agachei ao lado dela. Maya estava de lado no chão, olhos abertos, mandíbula caída, relaxada... A última coisa que ela viu foi a cabeça estourada de William.

O Paradox vai me matar... O único corpo aqui devia ser o do William.

Um tiro nele = Maya resgatada. Isso era o que eu esperava. Porquê ela está nesse estado?

— Achamos outra aqui! — A fotógrafa forense acenou e tirou uma foto de outro corpo estirado no chão, e o flash branco iluminou a noite por um instante.

Esse William era algum psicopata?

Talvez o jeito seja prender o Jake. Se com ela sequestrada ele ameaçou meio mundo... quando descobrir que ela morreu--

— Ué... essa não é a moça que sumiu? — O capitão inclinou o rosto.

— Ela mesma. A Cappelli. — Gesticulei para a fotógrafa, que veio encarando o rosto de Maya.

— Ué... Ela é...

— É, ela mesma. — Tirei os óculos e limpei o suor que escorria da testa. Queria sair dali o mais rápido possível.

— Poxa. Eu gostava dela. — A fotógrafa fez um bico antes de apontar a câmera.

Coloquei os óculos de volta, relembrando a primeira vez que vi Maya no Aurora.

A ansiedade no olhar enquanto esperava por Paradox, as bochechas vermelhas de raiva, e a forma como ela sorriu quando fiz uma piada que nem me lembrava mais.

Que droga, Maya. Me desculpa... eu tentei-- Nós tentamos. Juro que tentamos tudo possível.

As lentes estalaram e o flash empalideceu o rosto dela.

... E as pupilas diminuíram com o brilho repentino.

Não pode ser.

— ELA TÁ VIVA! — gritei. — A ambulância! Rápido! Rápido!!

Noite com Ele - DuskwoodHistórias para pegar e não largar. Descubra agora