Setembro de 2023.
São Paulo, capital.
YURI ALBERTO.
A batida da bola contra o peito ecoou no campo do CT como um lembrete: foco.
Era isso que eu precisava. De novo.
Mais uma vez.
Chutei com força. A rede balançou, mas nem me importei. Os outros jogadores comemoraram o gol no treino como sempre. Thalles até veio me dar um tapa nas costas, rindo.
— Tá voltando pro jogo, hein?
Forçei um sorriso. Ele não sabia. Ninguém sabia.
Eu só estava tentando fugir.
Desde aquela noite em casa, quando abri a porta e encontrei Arabella ali — com Zizi no colo e a testa franzida ao me ver com outra mulher — tudo revirou de novo dentro de mim.
Eu nem estava errado.
Era só uma noite qualquer, com uma mulher qualquer.
Mas o olhar dela me queimou.
Não era raiva. Era... decepção? Ciúmes? Sei lá.
A Arabella sempre foi um enigma. Desde o primeiro dia.
Ela apareceu na minha vida como um cometa. Rápida, brilhante e impossível de ignorar.
Naquela noite em que nos conhecemos, bêbados, dançando sem pensar, ela riu como se não tivesse medo de nada. Eu me perdi naquele sorriso. E depois me perdi de novo — mas, dessa vez, nela.
No dia seguinte, achei que nunca mais a veria.
Mas ela apareceu. Grávida.
E de repente, a vida mudou sem pedir licença.
Acordei tarde no dia seguinte ao treino. O apartamento estava silencioso. A ausência da Zizi deixava tudo mais vazio. Desde que ela tinha ido passar o dia com Arabella, alguma coisa dentro de mim se remexia.
Parte de mim achava que era errado permitir isso. Ela sumiu. Ela não ficou.
Mas outra parte... aquela que ainda se lembrava de Arabella com o barrigão, deitada no meu peito enquanto assistíamos qualquer besteira na TV... essa parte torcia. Torcia muito.
Lembro de uma madrugada. Ela não conseguia dormir. Zizi chutava demais. Arabella resmungava, dizia que não nasceu pra ser mãe, que sentia falta da própria liberdade. Mas ainda assim...
Ela deitava no meu peito e ficava ali. Silenciosa. Segura.
Como se aquilo fosse o mais perto de casa que ela já teve.
E por mais que nunca tivéssemos um "nós" de verdade, às vezes, no silêncio, parecia que tínhamos tudo.
Era esse tipo de lembrança que atrapalhava.
Naquela noite, aceitei sair com os caras de novo. Cássio e os outros armaram de ir em um bar mais tranquilo depois do treino. Fui. Por distração. Por insistência. Por medo de ficar em casa sozinho com meus pensamentos.
A moça que sentou ao meu lado era bonita. Tatuagens no braço, sorriso fácil. Me chamava de "gatinho" e ria alto das piadas. Tentei rir junto. Tentei dar atenção. Tentei seguir o jogo.
Mas no meio da conversa, ela passou os dedos pela minha barba e disse:
— Você tem olhos tristes. Isso é charme seu?
Eu travei.
Na hora, veio a imagem da Arabella. Aqueles olhos dela. Não eram tristes, eram inquietos. Como se ela estivesse sempre prestes a fugir de si mesma.
— Tem alguém, né? — a mulher continuou.
— Tinha. — respondi. — Mas nunca foi minha.
Ela riu, achando que era charme. Mas eu tava falando sério.
No outro dia, fui buscar Zizi na casa da minha mãe, e a primeira coisa que ela disse foi:
— Mamãe me deu suco de caixinha. E deixou eu ver desenho com as almofadas no chão!
Eu sorri, pegando ela no colo.
— Que bom, princesa. Você se divertiu?
— Uhum. — ela encostou a cabeça no meu ombro. — Ela é legal, papai.
Depois olhou pra mim com olhos inocentes. — Mas ela tava com medo.
Franzi o cenho.
— Medo?
— A mamãe tentou esconder. Mas eu sei quando alguém tá com medo. Igual quando eu fico antes da vacina.
Meu peito apertou. Minha filha estava mais madura do que todos nós.
À noite, fiquei sentado na beirada da cama com o celular na mão. Abri a galeria. Fotos da Zizi. Algumas da Arabella grávida.
Ela odiava fotos, mas tinha umas poucas que ela deixava eu tirar. Especialmente uma, que ela usava meu moletom e comia pipoca como se tivesse raiva da vida. Aquela era minha favorita.
Não sei por quê. Talvez porque ela estivesse ali, inteira, sem pose. Só ela.
Fechei os olhos.
Não sei se era amor.
Talvez fosse.
Ou talvez fosse só saudade daquilo que nunca tivemos por inteiro.
Mas uma coisa eu sabia: era impossível seguir em frente com alguém quando tudo, em mim, ainda voltava pra ela.
Mesmo que ela não quisesse.
Mesmo que eu fingisse que não queria.
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CHOICE$ - Yuri Alberto
FanficSe você tivesse que escolher entre mais de 3 milhões de reais ou um filho com um desconhecido, o que escolheria? 𝗔𝗥𝗔𝗕𝗘𝗟𝗟𝗔 𝗛𝗢𝗪𝗔𝗥𝗗, uma jovem modelo encantada por moda. Arabella sempre teve tudo o que queria, até que uma gravidez indesej...
