Dia seguinte.
São Paulo, capital.
ARABELLA.
A luz branca do hospital me irritava os olhos, mas eu não queria fechá-los. Era como se, toda vez que piscasse, o mundo ao meu redor pudesse desaparecer. E eu não estava pronta pra que ele sumisse.
Ainda estava zonza, dolorida, com o corpo pesado e a alma um pouco fora do lugar. Mas estava viva. O bebê também.
Respirei fundo. O cheiro da roupa de cama esterilizada, do álcool, da pomada que tinham passado no meu ombro... tudo aquilo deveria me fazer sentir medo. Mas, curiosamente, eu só sentia alívio.
Ouvi a porta abrir devagar. Sabia que era ele.
— Bella?
Yuri entrou como se o chão fosse frágil, como se cada passo pudesse me acordar de um sono profundo. Mas eu já estava desperta. Desperta e quebrada em alguns pontos, mas inteira onde importava.
— Oi, amor.
Ele correu até a cama, se abaixando ao meu lado com os olhos vermelhos. Não tinha comido. Não tinha desinchado nem um pouco.
— Eu achei que ia te perder.
Toquei o rosto dele com a ponta dos dedos.
— Tô aqui.
— Eu fiquei louco, Bella. Vi a notícia no celular, não consegui falar com você, o hospital demorou pra confirmar... Achei que... — ele engoliu em seco. — Não faz isso comigo de novo. Não me deixa assim.
Uma lágrima escapou dos olhos dele e caiu sobre o lençol.
— Desculpa. Foi tudo tão rápido...
— O carro... ele bateu do lado da sua porta. Você podia...
— Eu sei.
Fechamos os olhos juntos por alguns segundos, como se precisássemos sincronizar nossas respirações pra continuar.
— O bebê?
— Tá bem. Eles fizeram um ultrassom. Disse que tava tudo no lugar. Só... monitorando.
Ele assentiu, passando a mão pelo meu cabelo com uma delicadeza absurda. Como se eu fosse feita de vidro. Como se agora, mais do que nunca, eu fosse preciosa.
A enfermeira entrou para verificar meus sinais, ajustar o soro, aplicar a medicação. Yuri ficou o tempo todo do meu lado, segurando minha mão. Em silêncio.
Depois que ela saiu, ele perguntou:
— Posso te ajudar com o banho? A enfermeira disse que já tá liberado se você se sentir bem.
Assenti, mesmo com vergonha. Eu estava suada, com cheiro de hospital, o cabelo grudado na testa. Nunca me senti tão frágil — e, ainda assim, nunca fui cuidada com tanta ternura.
Yuri me ajudou a levantar, colocou a cadeira de banho no box, ligou a água na temperatura certa e me ajudou a despir o avental. Me cobri instintivamente, mas ele apenas sorriu.
— Não precisa se esconder. Você é a mulher mais linda do mundo, até assim.
Sentei na cadeira, envergonhada e grata. Ele ajoelhou ao meu lado, molhou a esponja e começou a passar pelo meu pescoço, ombros, braços com uma calma que me emocionou.
— Eu tô bem machucada?
— Tem alguns roxos... o corte no braço foi o pior, mas você foi forte. Mais forte do que eu imaginaria que alguém poderia ser.
Fechei os olhos, deixando a água cair sobre o meu corpo e as palavras dele sobre a minha alma. Não era só um banho. Era um reencontro. Uma reconfirmação. Um ritual de cuidado e amor.
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CHOICE$ - Yuri Alberto
FanfictionSe você tivesse que escolher entre mais de 3 milhões de reais ou um filho com um desconhecido, o que escolheria? 𝗔𝗥𝗔𝗕𝗘𝗟𝗟𝗔 𝗛𝗢𝗪𝗔𝗥𝗗, uma jovem modelo encantada por moda. Arabella sempre teve tudo o que queria, até que uma gravidez indesej...
