Dias atuais.
São Paulo, capital.
ARABELLA.
A casa estava silenciosa.
Era um daqueles silêncios raros que parecem pesar sobre os móveis, como se cada objeto ali estivesse em pausa, esperando algo acontecer. A luz da cozinha ficava filtrada por uma luminária âmbar, deixando tudo com um tom dourado e íntimo. Zizi tinha dormido cedo, exausta da semana cheia — e talvez ainda encantada com a viagem para Angra, que, apesar de curta, nos deixou marcas boas. Daquelas que ficam na pele feito sal do mar, mesmo depois de dias.
Yuri me olhou do outro lado da sala com um meio sorriso. Ele usava uma camiseta preta e uma calça de moletom escura. Simples, mas nele... era quase perigoso. Havia algo no jeito como se encostava na bancada da cozinha, como se estivesse totalmente à vontade ali, naquele espaço que já era meio nosso, meio improvisado. Tinha vinho sobre a mesa. E duas taças esperando.
— Fiz massa — ele disse, apontando com o queixo. — Nada demais, mas... achei que a gente merecia um jantar decente sem criança pedindo mais ketchup a cada cinco segundos.
Ri baixinho, me aproximando.
— Você cozinhando? Isso é novo.
— Você confiaria em mim com uma faca?
— Não. Mas confio com o meu coração, então acho que é equivalente.
Ele sorriu, e eu vi o brilho nos olhos dele. Era diferente agora. Como se estivéssemos entrando numa nova fase. Ainda havia dúvidas, claro. Mas também havia espaço. Espaço pra tentar. Pra descobrir. Pra não fugir.
Sentamos um de frente pro outro. A massa estava simples, mas bem feita. Com queijo ralado por cima e um fio de azeite com ervas. Ele tinha posto até uma trilha sonora leve no fundo — jazz instrumental, coisa fina. Ri de novo.
— Isso tá muito "encontro de filme" — comentei. — Cadê o roteiro?
— A gente tá escrevendo, lembra?
Brindei com ele. Um tilintar suave entre as taças.
— Às versões de nós que não desistiram.
— E às versões que ainda vamos descobrir — ele completou.
Comemos devagar. Conversamos sobre tudo e nada. Ele me contou de um treino difícil no CT. Eu contei sobre um projeto novo que Isabella queria me apresentar. Rimos. Nos provocamos. Falamos da Zizi e de como ela estava ficando cada dia mais parecida com nós dois — teimosa como ele, dramática como eu. Mas foi só depois da sobremesa improvisada (sorvete com chocolate quente e morangos que ele cortou de forma absurdamente desajeitada) que o silêncio voltou.
Dessa vez, não era um silêncio de espera.
Era o tipo de silêncio que grita.
Yuri recolheu os pratos e os levou até a pia. Eu fiquei na cadeira por mais alguns segundos, observando. Ele lavava devagar, como se estivesse tentando não se apressar, como se cada movimento fosse um convite. Quando voltou, não disse nada. Só estendeu a mão.
Peguei.
Ficamos ali, parados, de frente um pro outro, mãos entrelaçadas. Meu coração batia forte, mas não de medo — de antecipação. Ele me puxou com delicadeza até o quarto. E quando a porta se fechou atrás de nós, o mundo pareceu diminuir até virar só aquele espaço, só aquele momento.
Yuri me beijou como quem tinha esperando muito tempo. E eu deixei que cada parte de mim se entregasse também. Não havia mais hesitação. Nem perguntas. Nem freios.
Só desejo.
E verdade.
Minhas mãos deslizaram pela camiseta dele enquanto nossos corpos se buscavam com pressa e delicadeza. A urgência misturada ao carinho. O calor das mãos, o ritmo dos beijos, a forma como ele me encostou na parede do quarto com cuidado, como se soubesse exatamente onde eu terminava e onde começava a mulher que só ele via.
— Você tem noção... — ele sussurrou contra minha pele — do quanto eu te desejei nesses anos todos?
Arfei, com a boca entreaberta, os olhos fechados.
— Acho que agora eu tenho.
Ele me deitou na cama com reverência. Como se fosse sagrado. E talvez fosse. O que construímos com tanta dor agora se manifestava ali, em gestos, em toques, em promessas que os corpos fazem quando as palavras não são suficientes.
A roupa foi sumindo entre beijos. As mãos exploravam territórios antigos com uma fome nova. Nos reconhecíamos e nos redescobríamos. Como se cada pedaço de pele tivesse guardado saudade. Como se estivéssemos encontrando o caminho de volta para casa — um no corpo do outro.
Fizemos amor como quem finalmente pode. Como quem não precisa mais correr.
Foi intenso.
Foi doce.
Foi suado, confuso, arrebatador.
Foi como se o tempo tivesse parado. Como se tudo que vivemos até ali nos levasse exatamente àquele instante.
Depois, deitada sobre o peito dele, sentia os batimentos desacelerando. O suor frio na pele. Os lençóis amarrotados. O cheiro dele na minha pele e o meu na dele. Um emaranhado de nós dois.
Ele beijou meu cabelo e murmurou:
— Isso... a gente... não é só uma lembrança.
— Não — concordei, os olhos fechados. — É um recomeço.
Ficamos em silêncio mais uma vez. Mas dessa vez, era um silêncio que falava.
Me perguntei se ele também conseguia sentir.
Que algo tinha mudado.
Que algo tinha sido plantado ali, entre nossos corpos, entre nossas histórias.
Um novo começo, sim.
Mas talvez também... uma nova vida.
Eu não sabia ainda. Mas meu corpo, de algum jeito, já sabia.
E sorriu.
Mesmo cansada.
Mesmo com medo.
Mesmo depois de tudo.
Sorriu, porque finalmente eu estava onde deveria estar.
Nos braços de quem, mesmo sem prometer, sempre ficou.
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CHOICE$ - Yuri Alberto
FanfictionSe você tivesse que escolher entre mais de 3 milhões de reais ou um filho com um desconhecido, o que escolheria? 𝗔𝗥𝗔𝗕𝗘𝗟𝗟𝗔 𝗛𝗢𝗪𝗔𝗥𝗗, uma jovem modelo encantada por moda. Arabella sempre teve tudo o que queria, até que uma gravidez indesej...
