63 | ONDE O AMOR FLORESCE.

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Dias atuais.
São Paulo, capital.
ARABELLA.

O céu daquela manhã tinha a cor exata da paz. Um azul calmo, sem nuvens, como se até o tempo quisesse honrar aquele dia. A brisa leve soprava sobre o jardim da nossa nova casa — um lugar que antes era só cimento e parede, mas que agora respirava vida. Plantas nascendo, móveis com histórias por vir, paredes pintadas com esperança. E, no meio de tudo, flores.

Flores por todos os lados.

Tons de branco, lavanda e verde envolviam o espaço como um abraço. O altar era simples, feito com galhos entrelaçados e tecidos fluidos, montado no canto mais iluminado do jardim. Fileiras de cadeiras de madeira se enfileiravam sobre o gramado, cheias de rostos que significavam tanto: amigos, poucos, mas verdadeiros. Família. Gente que ficou. Que escolheu ficar.

Ysis corria de um lado pro outro, com seu vestido branco rodado, exatamente igual ao meu — costurado à mão por Isabella, que chorou em segredo em cada ponto.

— Mãe, olha! O vestido igual ao seu!— ela girava no gramado com os olhos brilhando de felicidade.

— Você tá igual uma princesa — respondi, com a voz embargada. — Minha daminha favorita.

— Eu sou a irmã do Luca. Então eu que vou levar as alianças, tá?

— Tá, meu amor. É tudo com você.

Minha mãe se aproximou por trás e ajeitou com cuidado o véu que caía leve sobre meus ombros. Me olhou no espelho da sala com olhos úmidos.

— Você está linda, Arabella.

— Eu tô... mãe.

Ela sorriu. E me abraçou como há muito não fazia. Um abraço de aceitação. De orgulho. Um abraço de paz.

A música começou suave, dedilhada por um violão. Todos se levantaram. As folhas dançavam discretamente ao vento. E lá estava ela: Ysis, com seu buquê pequenininho nas mãos e um brilho no olhar que dava vontade de congelar o tempo. Caminhava devagar, séria como só uma criança tentando fazer tudo certo consegue ser. E atrás dela... eu.

Cada passo parecia uma promessa.

Meu vestido era leve, esvoaçante, com mangas rendadas que abraçavam meus ombros. Mas o destaque era a barriga — meu filho ali dentro, presente em cada segundo. Cada movimento dele me lembrava que nós três estávamos entrando naquela nova etapa juntos.

Quando vi Yuri me esperando no altar, senti o coração falhar uma batida. Ele estava parado, com os olhos marejados, vestindo um terno claro que combinava com o cenário e com a alma dele. As mãos tremiam. O sorriso era puro. E quando me viu, deixou uma lágrima cair.

— Meu Deus... — ele sussurrou quando cheguei perto. — Você tá... incrível.

— Tô mesmo? — brinquei, tentando conter a emoção.

— Tá linda. Radiante. A mãe dos meus filhos. A mulher da minha vida.

Nosso juiz de paz sorriu com doçura. A cerimônia foi breve, mas cada palavra parecia escrita para nós. Falamos dos caminhos tortos que nos levaram um ao outro. Das voltas que demos. Da coragem que tivemos de tentar de novo. Do amor que, apesar de tudo, escolhemos cultivar.

Quando trocamos os votos, Yuri segurou as minhas mãos com tanto carinho que eu quase chorei só pelo toque.

— Arabella — ele disse. — Eu prometo continuar te escolhendo. Nos dias bons e nos ruins. Nas fases de festa e nas fases de silêncio. Prometo ser abrigo. Prometo rir com você, dividir brigadeiro com você, dançar no meio da sala com você, cuidar de você. E nunca, nunca mais te deixar sentir sozinha.

A essa altura, ninguém segurava mais as lágrimas.

— Yuri — falei, com a voz trêmula. — Eu prometo amar cada parte sua. Até as teimosias, os sumiços em dia de jogo, os pés frios na cama. Prometo ser tua casa. Teu riso. Teu norte, quando o mundo parecer demais. E acima de tudo, prometo ser mãe dos nossos filhos com toda a verdade que há em mim.

Ysis entregou as alianças com a maior seriedade do mundo. E quando ele colocou a minha no dedo, beijou minha mão como se dissesse "obrigado por ter ficado".

— Eu vos declaro marido e mulher — disse o juiz, com o sol brilhando sobre nós.

O beijo foi longo, doce, e carregado de tudo que havíamos vivido até ali.

A tarde seguiu com risadas, bolo cortado no quintal, danças desajeitadas entre os móveis da varanda. Isabella fez um discurso emocionado — mais choro do que palavras — e até a mãe do Yuri deu um abraço apertado em mim, me chamando de filha, agora eu realmente era.

O céu escureceu devagar. As luzes de varal acesas entre as árvores criavam um clima quase mágico. Sentada em uma rede com a cabeça no peito de Yuri, eu observava Ysis e seus primos brincando com bolhas de sabão no gramado.

— É isso, né? — murmurei.

— É. A vida do nosso jeito. A nossa família. O nosso jardim.

— Tudo começou num caos, e olha onde a gente chegou...

— E ainda vamos mais longe, Bella. Esse é só o começo.

Naquela noite, deitada na nossa cama, o vestido pendurado na cadeira, o anel brilhando no dedo e Yuri com a mão repousando, como sempre, sobre a barriga do nosso filho, eu fechei os olhos.

E sonhei com flores.

Porque agora, enfim, o amor florescia.

CHOICE$ - Yuri AlbertoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora