Dias atuais.
São Paulo, capital.
YURI.
A adrenalina ainda fervia em cada célula do meu corpo. As luzes do estádio, ainda acesas, refletiam na arquibancada lotada, tingindo de dourado o que já era festa. Eu estava ali, parado no meio do campo, com a medalha ainda por colocar, o suor escorrendo pela testa e o coração latejando como um tambor. Mas o motivo da minha alegria... não era só o Paulistão.
Era ela.
Era Arabella.
— Quero dividir cada manhã, cada jantar, cada bagunça com você. Quero ver nossa filha crescer com os dois juntos. Quero ser teu porto e teu abrigo. E quero te dar paz, Bella. A paz que você sempre mereceu. — eu disse, quase sem respirar, antes que o apresentador da cerimônia começasse a anunciar os nomes para a premiação.
Ela me olhou com aqueles olhos úmidos, as mãos trêmulas sobre a barriga e um sorriso de quem carregava um segredo.
E então, com a voz mais doce que já ouvi, ela respondeu:
— Então você vai precisar de mais um quarto.
— Um quarto? Por quê?
— Um quarto.
Fiquei mudo. O mundo girou. O grito da torcida virou um zumbido distante. Eu só enxergava Arabella, e as mãos dela que, agora, repousavam sobre o ventre.
— Bella... você tá dizendo que...?
Ela assentiu, os olhos marejados de emoção.
— A gente vai ter outro bebê, Yuri.
Senti minhas pernas fraquejarem. Mas não caí. Ao contrário: eu a abracei com tanta força que ela riu baixinho contra meu peito.
— Meu Deus... Um bebê...
— Nosso bebê. Nosso começo.
Ela me beijou rápido, antes de os fotógrafos e câmeras se aproximarem, e quando o locutor anunciou meu nome — Yuri Alberto! — e a torcida explodiu em aplausos, eu subi naquele palco com o coração tão cheio que parecia que o troféu era só um detalhe.
Mas era um belo detalhe.
A medalha de ouro foi colocada sobre meu pescoço com um brilho metálico que refletia o que eu sentia por dentro. E quando levantei o troféu com o capitão da equipe ao meu lado, uma chuva de papel picado dourado caiu do alto. O grito da torcida ecoou forte no Allianz. E, mesmo naquele caos de festa, confete e gritaria, eu só pensava na mulher que estava na beira do gramado, com os olhos marejados e a mão sobre o ventre que, agora, carregava mais do que amor: carregava nossa segunda chance.
No vestiário, o clima era de euforia pura. A música alta, os gritos dos jogadores, as garrafas de isotônico sendo estouradas como champanhe. Eu mal conseguia tirar a chuteira, porque Depay jogava água em todo mundo com uma garrafa que ele improvisou como pistola.
— Esse é o homem do jogo! Dois gols! E agora... PAI DE NOVO! — gritou Hugo Souza, me abraçando por trás.
— Espera... o quê? — gritou Garro, arregalando os olhos. — Tá de brincadeira, Yuri?
Eu ri alto, as mãos nos joelhos, ainda ofegante.
— Tô falando sério! A Bella tá grávida!
O vestiário explodiu.
— Mais um mini-Yuri vindo aí! — gritou André Ramalho, pegando uma chuteira e simulando que era um microfone. — Declarações, por favor, pai do ano!
— Olha, eu nem sei o que dizer — falei, tentando não rir. — Mas se for menino, já nasceu artilheiro. E se for menina... vai ter o mesmo brilho da irmã.
— Mais um pra base! O São Paulo e o Palmeiras agradecem, vão ter muito trabalho! — gritou Depay, pulando em volta do banco onde eu estava sentado.
Alguém começou a bater palmas ritmadas. Outro começou a cantar uma versão improvisada de "Parabéns pra você" em ritmo de torcida organizada. E eu... bem, eu só conseguia sorrir.
Tirei o celular do armário e vi as mensagens começando a pipocar. Minha mãe, minha irmã, meu empresário, até meu pai. Todos vibrando. Mas a que mais me fez respirar fundo foi a de Arabella.
"Vou te esperar em casa. Com pizza. E amor."
Fechei os olhos por um instante. Me permiti respirar devagar. Porque aquele momento... ele era maior do que o título.
Era um renascimento.
As entrevistas começaram uma hora depois, no corredor externo do vestiário. As câmeras da Globo, da ESPN, do SporTV, todas apontadas para os campeões do Paulistão. Mas quando me chamaram, eu fui direto.
— Yuri, parabéns pelo título, pelos dois gols e pela atuação decisiva! O que você tem a dizer pra torcida tricolor?
Eu respirei fundo. Olhei pra câmera e sorri.
— Hoje é um dos dias mais felizes da minha vida. Não só pelo título... mas porque eu soube, há poucos minutos, que vou ser pai de novo.
A jornalista arregalou os olhos. Os bastidores pararam. O sussurro virou aplauso entre os repórteres.
— Isso mesmo, você ouviu! — disse, rindo. — A Arabella... a mulher da minha vida... está grávida. E eu não podia estar mais feliz. A gente passou por muita coisa. A gente errou. A gente quase se perdeu. Mas hoje... a gente venceu. Em campo. E na vida.
Os gritos de "Yuri! Yuri!" começaram a ecoar dos corredores, e um grupo de torcedores, de algum jeito, conseguiu ouvir dali de fora.
— Uma última coisa — acrescentei, já com a voz embargada. — Se tem alguém assistindo isso agora e se sentindo perdido... saiba que a vida sempre dá uma segunda chance. Eu quase deixei o amor da minha vida escapar. Mas ela voltou. E agora... agora somos nós. Eu, Bella, Zizi... e esse novo bebê. Obrigado, Deus. Obrigado, futebol!
Aplausos. Flashes. Gritos.
Mas por dentro, o que ecoava era o som suave da esperança.
Já era noite quando entrei no carro e fechei a porta, com o troféu no banco de trás e o coração explodindo no peito. Arabella me esperava em casa. Zizi já devia estar dormindo, mas saber que ela acordaria no dia seguinte com a notícia de que seria irmã mais velha... me deixava ainda mais ansioso.
Dirigi com uma das mãos no volante e a outra sobre o estômago, como se tentando manter tudo dentro. Mas era impossível. Eu estava em chamas por dentro. Em êxtase. Em paz.
Porque, no fim, não era só futebol.
Era sobre vencer dentro e fora de campo.
Era sobre aprender a amar de novo.
Era sobre crescer, cair, levantar... e permanecer.
E naquela noite, com a medalha no peito e um bebê a caminho, eu soube:
estávamos vivendo os nossos dias de glória.
E ainda tinha muito pela frente.
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CHOICE$ - Yuri Alberto
FanfictionSe você tivesse que escolher entre mais de 3 milhões de reais ou um filho com um desconhecido, o que escolheria? 𝗔𝗥𝗔𝗕𝗘𝗟𝗟𝗔 𝗛𝗢𝗪𝗔𝗥𝗗, uma jovem modelo encantada por moda. Arabella sempre teve tudo o que queria, até que uma gravidez indesej...
