Sinto meu estômago revirar, enquanto caminho de um lado para outro em frente ao sofá.
O que estou querendo com essa ideia maluca? Matt? Trevas? Não, não pode ser, ele é minha luz, não posso duvidar disso, ele não duvida de mim. Tudo bem Ana, você precisa pensar, pense Ana, pense! Ambos viram algo, mas o quê? Matt disse ter visto trevas, mas e se ele mentiu? Conheço o Sr. Luke há pouco tempo, mas se ele fosse um cara mal, eu já teria descoberto, afinal estou bem ligada às trevas ultimamente. E Matt? Nos conhecemos há dias, nem um mês ainda, de onde ele veio? Será que está mentindo sobre algo? Ana, você definitivamente está ficando louca!
- Oi! - Ele surge na sala, não o ouvi chegar e tenho medo de que não seja real.
- O... Oi! - Tento disfarçar meu incômodo.
- Você está bem? - Ele se aproxima e não sei mais em quê acreditar, sinto paz ao seu lado.
- Matt... - Faço sinal para ele se sentar no sofá e me sento ao seu lado - Eu quero que me desculpe.
- Pelo quê? - Ele parece intrigado.
- Por duvidar de você - Ele não está entendendo nada e digo a primeira coisa que me vem à cabeça - Eu... Eu...
- Eu...? - Diz continuando minha frase e aguardando uma resposta.
Penso em tudo. Nele, Sr. Luke, meus pais, meu coma, meus amigos distantes, nessa cidade confusa e vazia. Na luz. Nas trevas. Olho para ele, seus profundos olhos azuis buscando me decifrar. Penso na paz que sinto ao seu lado, na noite incrível que tivemos e no que sinto por ele - e que me assusta sentir.
- Eu te amo Matt! - Droga! Digo sem pensar e me sinto envergonhada. Abaixo a cabeça, quero me esconder agora. Como posso amar alguém que conheço há dias?
Vejo os pés de Matt se aproximarem dos meus, ele segura meu queixo, ergue minha cabeça e me obriga a encarar seus olhos. A profundidade de seus olhos.
- Eu também te amo Ana - Ele diz me surpreendendo - Desde o dia em que quase te fiz engolir aquele cigarro - Sorrimos.
- Não se arrepende de ter... - Quero chorar e sinto uma lágrima cair - Se envolvido com uma garota tão problemática como eu?
- Ana, não diga isso, eu não me arrependo de nada - Ele ainda segura meu queixo - Agora eu sei a verdade e quero estar ao seu lado o quanto for possível. Ter aquele sonho me fez perceber como deve ser difícil para você.
Suas palavras são como uma flecha em meu coração e o abraço com força. Matt, a minha luz, a parte boa da minha vida, ele é minha salvação e preciso confiar nele, ele jamais provou não ser digno de minha confiança, eu o amo e quero estar ao seu lado sempre.
Ele me beija, me toca e sei o que ambos querem a seguir. Vou conduzindo-o sutilmente até ele sentar no sofá e me sento sobre ele. Tiro minha regata e sinto seu toque em minha pele por cima da lingerie. Eu o amo, ele me ama e faremos amor novamente.
*****
Estamos jogados um por cima do outro no sofá e sinto meu corpo meio dolorido por estarmos deitados tão tortos assim.
Quero admirar sua beleza, toco seus cabelos, mas ele acorda e sorri. Um sorriso que faz com que eu me esqueça de tudo.
- Sabe quando eu disse que você era meu amuleto da sorte? - Ele faz que sim com a cabeça, seus olhos atentos em mim - Eu estava certa, ao seu lado eu não tenho sonhos ruins, eu sinto apenas paz.
- Fico feliz em saber disso - Ele diz com um sorriso bobo no rosto - Você foi a melhor coisa que me aconteceu desde a morte dos meus pais Ana - Ele me dá um beijo casto e nos levantamos com cuidado.
- Sabe - Começamos a nos vestir - Estar com você pela primeira vez foi como água no deserto e agora conheci um novo caos... - Ele termina de colocar sua camisa e me olha prestativo - Me causando um turbilhão de sensações que até então eu desconhecia - Estou perplexa com meus pensamentos e digo mais para mim do que para Matt - Logo eu que sempre tive total controle sobre meus sentimentos - Visto minha regata e me fixo em seu olhar - Me sinto indefesa ao seu lado, emocionalmente, digo. Pois desconheço o tamanho do que sinto e isso me dá medo.
- Eu também estou com medo Ana, de muitas coisas. Por favor, não tenha medo de se entregar, eu realmente te amo e quero estar com você.
Não há mais o que dizer, ele me beija com vontade e estamos mais unidos do que eu poderia imaginar.
*****
É meio dia, não tomei café e sinto a barriga roncar, onde Matt está? Ouço barulho na cozinha e vou até lá, ele deve estar fazendo o almoço a essa hora. Me aproximo da porta, tem alguém no fogão, mas não é Matt, é minha mãe. Devo estar dormindo e se estou dormindo com Matt, não será um sonho ruim obviamente, estou no controle.
- Mãe? - Pergunto.
Ela se vira com seu sorriso angelical, tão bela quanto eu me lembrava, somos tão parecidas.
- Sente-se querida, já vou servir o almoço, seu pai teve que sair, só volta mais tarde.
Me sento à mesa, é um sensação ótima. Ela me serve um prato muito atraente, arroz, salada, frango assado, parece delicioso. Ela se senta de frente para mim, prefiro ficar em silêncio, não quero estragar um sonho tão perfeito. Coloco uma porção generosa de frango assado na boca e observo minha mãe comendo e cantarolando, a música me parece familiar, mas sem a letra não consigo reconhecer.
Meu frango está estranho e sinto algo cortar minha língua, tento retirar, é uma linha de barbante! Puxo-a e junto com ela saem lâminas de barbear e sangue, meu sangue. Tento chamar minha mãe, ela continua olhando seu prato, comendo e cantarolando, agora eu sei a música, aquela canção de ninar doentia. Tento tossir e começo a vomitar sangue, olho para minha mãe mais uma vez e ela sorri como se tudo estivesse normal, ela segura meu pulso com força enquanto me engasgo com meu próprio sangue e já não sei o que dói mais.
- Acha que pode se salvar Ana? - Sua voz é igual a da velha, a voz de mil pessoas - Tinha muito sangue lá, não há salvação.
Ela se contorce como se sentisse dor, seu rosto fica coberto por seu cabelo agora desgrenhado e quando ela me olha de novo, não é mais ela, nunca foi, é a velha amaldiçoada. Ela pega uma faca e a crava em meu braço, grito de dor e acordo.
Estou no sofá e Matt aparece para me socorrer.
- Ana, você está bem? Eu estava fazendo o almoço.
- Estou - Digo me arrumando no assento - Foi só mais um pesadelo.
- Tem certeza? - Respondo com a cabeça em positivo - Tudo bem, vou trazer seu prato.
Limpo meu rosto molhado de lágrimas e suor, foi um sonho horrível e meu braço ainda dói, analiso meus cortes, estão quase secos e não há nada de novo.
- Aqui está - Matt me entrega um prato coberto por uma cloche, parece um chefe gourmet e sorrio com o luxo.
Ele se senta ao meu lado e liga a TV, retiro a tampa do prato e dou de cara com um coração pulsando e ao olhar para Matt, não é mais ele, é sua versão das trevas, com dentes pontiagudos, ele vem para cima de mim e grito indefesa.
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DARKNESS - Livro I
Mistério / SuspenseNão reclame da sua vida, perto desta, ela parecerá o céu.. Será possível fugir da escuridão? "Todos temos trevas em nós". Copyright Lylah Hartzler Carrillo, 2017 © All rights reserved
