ego quebrado

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Carol POV

Esperei o sinal do intervalo. Enquanto todos seguiam para o refeitório, Bruno me encontrou.
Bruno: - Bora para o Dinner?
Carol: - Bruno! Não... Eu... preciso fazer uma coisa importante. Você me ajuda?
Bruno: - só me contar. - ele me seguiu em direção ao refeitório.
Eu conhecia Dayane. Ela costumava lavar as mãos e chegava separado dos rapazes. Esse único minuto era o que eu precisava.
Segui determinada, e sentei em uma mesa estratégica com Bruno.
Vi o olhar de Dreicon sorrir para mim, sentado com Arthur e Duh. Revirei os olhos e esperei.
Reconheci seus passos passando pelo meu lado. Respirei fundo e levantei, a puxando pelo braço:
Carol: - Day, espera.
Day me olhou, baixando o rosto em seguida.
Day: - Já falei que não quero conversar, Carol.
Carol: -Não é para conversar. - falei dando uma ultima respirada para tomar coragem. Era agora ou nunca. Puxei Day para mim, pela gola, e antes que ela pudesse reagir, a beijei. Beijei ali mesmo, na frente de tudo e de todos, o coração disparado, o pavor do que estaria por vir.
E então senti Day corresponder. Correspondeu ao meu beijo com uma paixão que  nunca  passou, um beijo repleto de saudade. Day me puxou mais para si, passando a mão pela minha cintura e minha nuca, me agarrando como se nunca mais fôssemos soltar aquele beijo, e eu soube. Eu soube ali o quanto eu a amava e o quanto ela me amava. Não precisava dizer, só sentir.

Dreicon POV

Eu não podia acreditar no que estava vendo! O sangue ferveu, e senti meus ouvidos zunirem. O mundo ficou em câmera lenta enquanto tudo desabava: Caroline atracada no maior beijo com Dayane no meio do refeitório. Na frente de todo mundo! Eduardo me cutucou, caçoando, enquanto eu via as pessoas começarem a cochichar entre si e muitos me olharem:
Duh: - Ó LÁ VIADO, TU É CORNO DE SAPATÃO PELA MINA QUE TU ERA APAIXONADO E PELA TUA NAMORADA. HAHAHAHA Ô DEDO PODRE!
minha visão embaçou. Corno. CORNO! O burburinho aumentava, assim como meu ódio. Eu sentia minha respiração se tornar uma bufada, e quando vi, havia apagado.

Dayane POV

Meu corpo havia entrado em êxtase. Por tanto eu esperei sentir novamente o gosto daquele beijo, por tanto esperei ter Carol em meus braços outra vez.
Partimos o beijo e senti minha boca sorrir igual uma idiota, enquanto os olhos de Carol brilharam feito constelações para mim em um sorriso lindo e genuíno.
Day: - você é louca. - Falei baixinho, admirada. Carol se assumira assim, na frente de todos, por mim.
Espera... na frente de... Todos?!
Um barulho veio do meio do murmúrio. Olhamos assustadas para o lado. Dreicon estava de pé, a mesa jogada ao chão, Eduardo caído com a mão no estômago. Dreicon bufava, os olhos vermelhos de ódio, as veias saltadas, os músculos rigidos.
Dreicon: - CHEGA! EU VOU MATAR VOCÊS!
Arthur: - DREICON, NÃO! - Arthur se jogou nas costas de Dreicon, tentando segura-lo, mas ele o jogou para trás com uma facilidade desumana. Alexandre então nos olhou como um animal selvagem, e subitamente se transformou no touro mais gigantesco e diabólico que eu já havia visto em minha vida. Ele era cinza com a cabeça negra, completamente musculoso e um par de chifres negros como seus olhos. Ele bufou outra vez e disparou entre as mesas, as pessoas gritando e correndo, alguns se transformavam para fugir e se esconder.
Bruno: -MERDA! CORRE!
Eu tive uma única reação. Joguei Carol em direção ao Bruno, o único instante que fui capaz de fazer algo. Percebi, como em câmera lenta, o chifre do touro ficar entre nós, e dei graças que aquelas duas lanças não me empalaram e sim encaixaram em minha cintura. O impacto foi pesado, e o ar sumiu de meus pulmões, tendo apenas o relance de ser jogada para cima.
Caí ao chão, sentindo meu pulso machucado falhar, e mal tive tempo de me virar: o touro estava em cima de mim, tentava a todo custo me cabecear, chifrar ou pisotear. Me tornei cobra para tentar picá-lo, eu sei o quão perigoso a peçonha poderia ser, mas era ele ou eu.
Dreicon foi mais rápido. Tentei me enrolar em sua cabeça e picar seu focinho, mas a força do touro era descomunal e me lançou na parede.
Me levantei com dificuldade, eu não conseguia me transformar em nenhum mamifero potente como o lobo, visto que  não tinha apoio nas patas e os ferimentos me arrancavam as forças. Tentei virar a harpia, iria cegá-lo se conseguisse, mas não pude alçar vôo, minha asa estava sem condições.
Dreicon então parou. Parou e virou completamente na outra direção: na direção de Carol. Da minha Carol.
Ele bufou e avançou contra ela.
Carol era ágil, ela não tentou lutar com aquele animal de mais de 1.500kg. Não. Ao contrário, ela se transformava no que podia para fugir. Bruno tentava distrair Dreicon, mas ele tinha sangue nos olhos por nós e não perdia o foco de Carol.
Voltei a forma humana, em desespero. Eu precisava fazer algo.
Foi quando o touro conseguiu prender Carol entre os chifres, contra o chão. Era questão de milésimos para ele pisoteá-la, mas foi uma eternidade para mim.
Uma eternidade porque, ao gritar para que ele não o fizesse, eu parei o tempo.
Eu sabia que havia feito isso. Que tinha pouco tempo ate tudo voltar ao normal. E eu nem sabia como havia feito aquilo.
Mas eu tinha de agir.
Me joguei contra o chão concentrando todas minhas forças.
Eu não me importava com nada naquele momento. Eu precisava Carol viva, nem que isso acabasse com a minha reputação.
E, com magia, eu explodi tudo com a força do ar, a partir do ponto de contato de minha mão com o solo.
O tempo voltou a funcionar a medida que a magia se agitava em raios e luz, o chão a tremer, a força quebrando as mesas, destruindo o piso, as paredes, o forro.
Fechei os olhos enquanto a poeira se erguia.
E tudo silenciou.
Levantei devagarinho. A poeira baixou, e ainda estava tudo silencioso, apenas um ou outro som de escombros atrasados.
Ergui os olhos. Carol e Bruno estavam intactos, abraçados de forma assustada. A frente deles, Dreicon inconsciente sob um pedaço do telhado. Estremeci.
Olhei em torno. Curiosos murmuravam, me apontavam, corriam.
Ouvi ao longe sirenes.
Levantei e tudo o que podia fazer foi correr.
Corri, tendo relance do diretor espantado ao telefone, seu olhar amedrontado me acompanhando.
Eu corri. Como se não houvesse amanhã.
Eu tinha que garantir a sobrevivencia da minha família.

***
Carol POV.

Eu ainda tremia de nervoso. Estava sentada no caminhão dos bombeiros, e o dia havia acizentado de forma que, mesmo sendo la por 3 da tarde, parecia que já havia anoitecido. Eles levavam Dreicon, desacordado, para a ambulância. Bruno conversava com um policial. Eu estava ali, inerte, dentro de um cobertor e com um copo de café quente, meus olhos vidrados na bebida, negra como todos os animais que Day se transformava.
Day. Onde ela estava? Eu estava preocupada, quando, enfim, ouvi um miado.
Olhei para o lado e não pude conter o sorriso ao ver o gato negro me convidar com o olhar.
Levantei do caminhão e disfarcadamente a segui ate um beco. Dayane se destransformou na minha frente e me olhou fundo nos olhos.
Carol: - Graças você está bem. Eu fiquei tão preocupada! Day você...
Day: - Carol. Me escuta. Eu usei magia dentro de um colégio de elite de metamorfos. O negócio... o negócio é mais sério do que você pensa. Eu preciso falar com você.
Carol: - eu... eu sei.
Day: - É pior do que isso. Carol... a Polícia está toda lá em casa. Por sorte eu corri a tempo de tirarmos meus irmãos de lá.
Carol: - Day, o que você...?
Day: - Nós precisamos fugir. Eu e minha família.
Carol: - Me leva com você. Por favor! - Desesperei.
Day me abraçou com força. Sussurrou ao meu ouvido.
Day: - eu não posso agora, é arriscado. Mas quando as coisas melhorarem, eu vou voltar te buscar. Eu prometo. - me olhou nos olhos. Ela então passou uma corrente em meu pescoço, o pingente era uma pequena pedra preta em forma de lua, toda emaranhada em fios metálicos como ramos de videira. Era lindo. Olhei o colar e a olhei outra vez. - onde quer que esteja, isto vai te proteger e eu vou te encontrar. Eu prometo que eu volto te buscar. Você é o amor da minha vida, Carol. Eu amo você. Você confia em mim? Por favor... eu so estou pedindo para me esperar voltar. Eu venho te buscar.
Tive vontade de chorar. Ela segurou meu rosto com as duas mãos e me olhou nos olhos.
Day: - Eu amo você, entende isso? Eu preciso ir mas eu vou voltar. Por favor, não chora. Eu te amo, Carol. Preciso que aguente firme...
Eu queria implorar para que ela me levasse. Mas eu sabia tudo o que ela havia aguentado por mim. Eu sabia porque ela havia contado a Bruno, e ele so me contou agora, depois de todo o incidente. Respirei fundo.
Carol: - Eu amo você, Day...
Day: - não é um adeus. É um até logo.
Carol: - você promete?
Day: - Prometo.
Day me puxou a outro beijo apaixonado, e, devagarinho, se afastou. Eu assenti com a cabeça, ainda com um nó na garganta.
Vi Day se tornar um corvo e sumir em vôo.
Eu amo você, pensei comigo.
Eu confiava em Day. Ela precisava daquele voto de confiança.
E eu esperava que ela voltasse logo.
Ela prometeu que viria me buscar, não é?

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FIM DA PARTE 1 DE METAMORPHOSIS

AAAAAAA
EU TO MT LOCA DE TERMINAR ESSE CAP
MEU JESUS CRISTINHO

O QUE ACHARAM? O QUE ACHAM QUE VAI ACONTECER AGORA?

AMO VOCÊS
ESPERO VOCES NA SEGUNDA PARTE DE METAMORPHOSIS!

Beijos da vó!

metamorphosis - dayrolOnde histórias criam vida. Descubra agora