Carol POV
Sempre ouvi que metamorfos poderiam ter surtos institivos sob pressão. O estresse faz com que seu corpo queira sobreviver como um animal selvagem. Assim como Day havia me ensinado a me transformar instintivamente, nunca imaginei que seria capaz de meu corpo reagir a uma situação de estresse desligando a parte consciente de minha mente. Acreditei que cada história de metamorfos que se tornavam selvagens ou malucos eram historias para que mantessemos a classe, mas agora eu poderia sentir: eu era um desses malucos.
Minha mente divagava quando olhei em torno. Eu estava dentro do caminhão que mimetizava aqueles transportes de soldados do exército: um tipo de pau de arara moderno coberto com lona e sarja. Ao meu torno, várias pessoas sentadas, caladas, ansiosas. Perto da porta, dois rapazes novos conversavam baixo.
Era estranho saber que eu estava indo a um campo de batalha, deixando meu pequeno para trás. Bruno iria cuidar bem dele, mas meu peito estava apertado.
Eu ia lutar para voltar para ele.
O caminhão parou e eu desci atras de alguns resistentes. O grupo se unia a outros e marchava em direção a um amplo campo abandonado, longe de rodovia.
Me transformei em um puma e segui o grupo. Os nervos aumentavam, e logo era possível avistar as trincheiras construídas a poucos.
O grupo começou a correr e se alocar. Não hesitei em também apertar o passo, me lançando em uma das trincheiras.
Meu coração saltava. Soldados corriam. Estrondos por todo lado.
Os mágicos abriram alas. As ordens eram avançar.
Respirei fundo e me lancei contra o campo de batalha.
Era um caos. Soldados e hibridos colidiam, corriam, urravam, se golpeavam. Lutavam pela própria vida. Cheguei a colidir e atacar alguns soldados, quando senti um olhar pesar sobre mim.
Era um tigre. Não um simples tigre. Eu conhecia aquele animal.
Dreicon.
Ele avançou na minha direção com mais alguns metamorfos logo atrás. Eu não tinha como entrar em combate sozinha, então fiz o que deveria fazer: corri.
Corri o mais rápido que pude, sentindo eles a meu encalço como um bando de hienas. E corri. Corri até os pulmões parecerem que estourariam com aquela poeira.
Quando eu vi a minha frente o chão sumir.
Era um precipício de vários metros de altura, com alguma mata densa lá embaixo. Derrapei no chão a ponto das patas arderem, e parei a poucos centímetros da queda, vendo algumas pedras rolarem de minhas patas lá abaixo. Tentei virar o corpo para escapar mas... eu estava cercada.
Dentes brilhantes me cercavam por todos os lados, mas ninguém me atacou. Apenas me cercaram enquanto Dreicon se aproximava e andava em torno de mim. Passou sob meu queixo, rindo prazeiroso, e então o tigre se virou novamente na minha direção.
Dreicon: - Carolzinha.
Carol: - Dreicon. - rosnei. Angulei meu corpo a 45 graus do dele, pronta a atacar ou correr. Eu sabia que era inútil, mas era o que estava a meu alcance. Meus pêlos se eriçavam, sentindo a ameaça.
Dreicon: - Não imaginei que te veria por aqui. Arriscando sua vida por aquela... híbrida.
Abri a boca para falar, mas me calei. Preferia deixar que Dreicon pensasse que eu estava fazendo aquilo por Day, e desconhecesse a existencia do Bernardo.
Dreicon: - por favor. Carol. Não somos mais adolescentes. - ele me olhou intenso. - você sabe o que é o melhor para você. Eu posso lhe dar segurança, um lar, uma família, a melhor vida que quiser. Eu posso te dar tudo o que precisar. Não entendo como prefere ficar ao lado desses... rebeldes! Esbanjando sua vida por aberrações da natureza. Aberrações genéticas.
Carol: - Aberração é a sua cara!
Ouvi um ou dois soldados segurarem o riso. Dreicon rosnou na direcao deles, que se encolheram em suas formas felinas, e depois me olhou outra vez.
Dreicon: - Dayane deve ter lhe enfeitiçado. Esse seu encanto pelo mundo deles! Jamais será saudável. Em que mundo está vivendo? Não está em sua sanidade mental. Carol! Torne a realidade. Ao meu lado é o seu lugar. Sempre foi. Você pertence ao nosso mundo. Você pertence a mim.
Ele veio em minha direção.
Não sei o que havia dado em mim.
Carol: -Eu jamais vou te pertencer! - gritei e me apoiei nas patas traseiras. Levantei as dianteiras e desci o peso sobre ele.
O tigre virou a cabeça, e minhas patas atingiram o chão. A frente delas, gotas de sangue pingavam. Levantei o olhar. Dreicon voltou-se para mim, ainda sem entender o que havia acontecido. Um talho lhe cortava sobre a cicatriz antiga, mas agora lhe cruzava o focinho.
Era isso. Eu havia acertado o golpe no ponto do olho cego, e assim ele não conseguira desviar.
A feição do tigre mudou de confusão para ódio.
Dreicon: - Maldita! - Ele se preparou para avançar contra mim.
Era meu fim. Não havia para onde correr.
Fechei os olhos com força e baixei a cabeça.
Então ouvi um grito.
???: - CAROL!
senti um impacto sobre meu corpo, um peso, e a perda do equilíbrio. Meu corpo havia sido lançado pelo precipício, e senti rolar pelas pedras, caindo em alta velocidade, os impactos descontrolados enquanto eu tentava inutilmente lutar contra a física e seja o que for que estava agarrado em mim.
Senti meu corpo atingir os galhos das árvores, o que diminuiu a velocidade de queda e o impacto em anos de folhas caídas. Ainda sim, meu corpo continuava rolando em luta contra um animal agarrado contra mim, no meio da mata, até que perdi as forças.
Me senti bater contra o chão uma ultima vez, em forma humana, no meio do nada.
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Decidi partir o capítulo pra poder atualizar
Nao me matem, vó ama vocês
Beijos da vó, até o próximo capitulo!
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metamorphosis - dayrol
FanfictionCarol levava uma vida comum no colegial. Gostava de sair com seu melhor amigo, Bruno, e não entendia os motivos de o garoto mais bonito do colégio, Dreicon, ter interesse nela. Mantendo sua rotina, Carol vê seu amado cotidiano em jogo com o aparecim...
