dente por dente

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Day POV

Eu deixei cair o celular no chão. Apenas disparei para fora, rumo a casa, o coração batia no peito.
O cheiro de pólvora e fumaça subia pelo ar, e minhas pernas ardiam da velocidade que eu corria, a ponto de eu nem me lembrar de transformar.
Atravessei as ruas sem nem ver por quem eu passava.
Cheguei a beira do morro, e um soluço de espanto tomou meu ar. A casa destruída, meus irmãos corriam para todo lado. Alguns tentavam apagar o fogo, outros escondiam os menores e os mais velhos... eles avançavam em um pequeno grupo do exército, em torno de meia dúzia.
Senti o cheiro no ar, e os pelos da minha nuca arrepiaram.
Dreicon.

Me lancei morro abaixo, me transformando em um dos animais mais fortes que um metamorfo poderia fazer: um urso, negro como a noite.
Se transformar em urso é perigoso. Existe a chance de nao retornar, ou se tornar selvagem. Mas usar o poder era necessario.
Avancei sobre o exercito,derrubando um dos soldados. Vi um de meus irmãos sorrir, mas então gritar:
- Day!
Senti um impacto me lançar contra o chão. Ergui o olhar e outro urso estava sobre mim: um urso polar, com uma cicatriz que lhe atravessava o olho. Dreicon.
Dreicon tentava me ferir, enquanto eu lutava para me levantar. O joguei para o lado, com esforço, e me levantei nas patas traseiras.
O urso branco se jogou contra mim, e ficamos em batalha de força, urrando.
O cheiro do fogo se transformava em fumaça, e eu ouvia os gritos de ambos os lados.
Não tirava a segurança de minha familia de minha cabeça. Eu precisava defendê-los.

***

Carol POV

Alguém batia com força na porta.
Me levantei no susto, mandando Bernardo se esconder. Senti o cheiro de sangue, e estremeci de medo.
Resolvi não acender a luz, e andei pé ante pé até a porta. O cheiro ficava mais forte.
Olhei pelo olho mágico, e meu coração disparou.

***

Day POV

Carol abriu a porta com o olhar assustado. Não era por menos, eu também estaria se ela batesse na minha porta com um tiro no ombro, sangrando e tentando estancar o sangramento com uma camiseta suja.
Carol: - Porra Dayane! - foi tudo o que ela falou ao me puxar para dentro da casa.
Suspirei em silêncio enquanto ela me empurrava para o banheiro.
Day: - Eu não posso ir pro hospital. Eles vão me pegar lá. - falei baixo, e seus olhos encontraram os meus. Carol tinha esse olhar intenso, inexplicável, capaz de ler as entrelinhas dos meus pensamentos. Ela respirou fundo.
Carol: - senta. - falou enquanto buscava uma caixa de primeiros socorros no armário. Olhou para fora do banheiro. - BERNARDO, VÁ PARA O SEU QUARTO. está tudo bem e mamãe já vai lá. - depois voltou a mim. Colocou uma lanterna de cabeça, que eu nunca imaginaria que ela pudesse ter, vestiu luvas e abriu um pacote com uma pinça.
Arregalei os olhos.
Day: - Carol, NÃO.
Carol: - cala a boca e tira esse pano do caminho. A gente precisa tirar essa bala.
Day: - Carol, vai doer. - o desespero batia e eu tentei segurar seu braço.
Carol: - ou você sossega ou eu vou te denunciar.
Senti minha boca secar. Ela resolver tirar as luvas, tomou de mim a camiseta que eu usei para estancar o sangue e jogou direto no lixo. Erguei meu queixo me olhando.
Carol: - confie em mim.
Hesitei, mas assenti. Ela me deu a toalha de rosto.
Carol: - morde.
Day: - oi? - peguei a toalha e a fitei.
Carol: - vai preferir. - a ruiva já recolocava as luvas. Olhou para o estrago em meu ombro. - consegue mexer?
Neguei com a cabeça.
Carol: - se acalme que eu vou lavar. Voce gosta dessa sua camisa?
Day: - eu gosto, o que tem?
Carol: - Pena. - ela cortou minha camiseta, depois pegou uma ampolia e jogou algo em meu ombro. Aquilo ardia, me fazendo apertar os olhos.
Day: - voce nao tem nada aí que tire a dor?
Carol: - ta pedindo demais já. - ela puxou meu ombro e continuava a arder. Lidou com uma gaze, e deu um sorriso. - ta aqui. Sem osso exposto. Sem fratura. Sem ligamento rompido. Você é uma sortuda do caralho.
Day: - Sorte eu tenho de estar viva. - bufei.
Carol: - toalha.
Day: - oi?
Carol: - põe a toalha nos dentes. - ela levantou a pinça. - eu preciso tirar essa bala.
Day: - Carol!!
Seus olhos castanhos apenas me encararam. Respirei fundo e obedeci.
Ela voltou ao meu ombro.

***

Eu desejei, por Deus, levar mais três tiros ao invés da dor dela tirando aquela porcaria. Minha cabeça deu um blackout,  e voltei à consciência suando frio, ofegante, quase chorando e com uma dor lacerante.
Carol: - Day.
Levantei o olhar. Primeiro para a pia, onde vi a bala dourada sobre uma gaze, e depois para Carol, que me olhava preocupada. Ela já estava sem a lanterna e sem uma das luvas. A outra pressionava uma compressa em meu ombro. Ela secou minha testa e me olhou.
Carol: - você está bem?
Day: - Péssima... - senti um nó na garganta e o choro se formar. Olhei para meu ombro assim que ela tirou a compressa. - vai dar ponto?
Carol: - quer ter tétano? Eu não vou arriscar. - ela abriu o chuveiro, levantando um vapor quente no ambiente.
Day: - você aprendeu primeiros socorros com quem? O veterinário da cavalaria?
Carol: -talvez. - me colocou de pé. - Day. Preciso... Que tire sua roupa. É bom que tome um banho.
Travei, a olhando. Apenas nos encaramos.
Day: - acho que eu preciso de ajuda.
Carol: - oh. - ela corou, desviando o olhar. - se não se importar.
Day: - tá... tá tudo certo. Nada que não tenha visto. - sorri sem graça, e ela assentiu. Carol tinha um cuidado para me despir, que nem parecia a pessoa de sangue de lagarto que teve estomago para tirar uma bala do meu ombro.
Ela me olhou de alto a baixo, mas seu olhar pesava. Percebi que eu estava coberta de contusões e outros machucados, e seu olhar voltou a mim.
Carol: - quem te fez isso, Dayane?
Day: - você sabe...
Carol: - Dreicon te atacou?
Day: - A minha família. Foi um caos. Dreicon me quer morta... eu não sei como escapei. Carol... eu... eu preciso da sua ajuda.
Carol: -Shh... banho.
Day: - Carol... eles pegaram meus irmãos. - entrei sob o chuveiro, enquanto Carol me lia. Ela parecia estar ligando os pontos. Já eu, queria chorar. - eu preciso resgatar eles, eu só... eu não sei como. Eu sei como é errado te colocar nessa mas eu não sei pra onde correr.
Carol acariciou meu rosto.
Carol: - Banho. Eu vou ligar pro Bruno. Aí a gente resolve isso. Ok? Confia em mim?
Sempre confiei, Carol. Sempre.
Obedeci em ficar no banho,  a cabeça a mil, rezando para que meus irmãos estivessem bem... e que desse tempo de salvá-los.

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Hey
Aí está
Caaaaalma que tudo se explica

O que acharam?

Beijos da vó
Bom carnaval

metamorphosis - dayrolOnde histórias criam vida. Descubra agora