CAROL POV
Confiar em alguém que te abandonou pode ser loucura. Mas eu precisava de algumas horas para resolver coisas que, com Bernardo comigo, levaria dias. Bruno estava ocupado e só me restou pedir ajuda a Day.
Carol: - Dayane.
Ela ergueu os olhos negros na minha direção, aquele olhar de gato atento que ela tinha.
Day: - hm?
Carol: - Sera que você poderia ficar com o Bernardo ate a hora do almoço? Preciso fazer algumas coisas, e cuidando dele leva o triplo do tempo.
Day: - Mas claro. Se não tiver problemas, fico com prazer. - ela abriu um sorriso sincero, e não pude deixar de sorrir também.
Carol: - Obrigada, Day. Bê. - olhei para meu filho que voltou a atenção para mim. - A mãe precisa sair e você vai ficar com a tia Day. Se comporte, viu? - Ele correu até mim, abraçando minhas pernas, e pedindo beijo no rosto, que prontamente lhe dei. - se precisar algo, Day, me ligue. O número sempre foi o mesmo.
Ela assentiu.
Day: - Vem Bernardo, vamos brincar com seus dinossauros de brinquedo! - ela parou no caminho e me olhou, de forma apreensiva. - Carol... se cuida na rua.
***
Estava eu na fila do caixa do mercado, a ultima coisa que precisava fazer naquela manhã, quando ouvi uma voz familiar.
Drei: - Olha só. Ruiva. Quanto tempo?
Me virei nos calcanhares. Ele estava atrás de mim na fila e sorriu carinhoso.
Dreicon estava diferente. Seu corpo de rapaz agora era de homem, os musculos definidos por baixo de uma camiseta preta e calça de sarja. O cabelo continuava com o corte militar, e ele deixara barba. Olhei com atenção. Um dos coturnos era uma prótese, e subindo o olhar, percebi que um de seus olhos tinha a pupila tão azul quanto sua íris: olho cego. Uma cicatriz lhe falhava a barba na mandíbula, e comecei a perceber que o primeiro relance de um homem maravilhoso se tornava assustador aos poucos.
Ele continuava com a atitude carinhosa.
Drei: - me desculpa. Te assustei?
Carol: - ah não. Ta tudo bem. Como vai você? Entrou para o exército...
Drei: - Pois é. Eu... entrei. Foi bom. Eles impõe muita disciplina. Aprendi a controlar meus surtos agressivos. Mas você não vai querer ouvir sobre isso, né? Só queria pedir desculpas.
Sorri amarelo.
Carol: - bom, eu... legal isso. - ouvi a pessoa que estava na vez no caixa discutir com a atendente. Legal. Estava presa na fila e aquilo ia demorar.
Drei: - E você, andou fazendo o que de bom?
Carol: - só me formei. Agora eu trabalho. Nada grandioso, como era de se esperar.
Dreicon cruzou os braços.
Drei: - errado. De você eu esperava muita coisa. Só você não vê sua capacidade.
Silenciamos.
Drei: - você... casou?
Carol: - Eu? Não! Meudeus - Comecei a rir de nervoso. Percebi que ele espiava meu carrinho. - Ah. Essas coisas? - apontei para os shampoos de criança. Meu instinto fez meu coração disparar. Lembrei de Dayane comentando que Dreicon caçava hibridos e isso me fez mentir - comprei para minha amiga. Ela não pode sair pro mercado com a criança, sabe como é...
Drei: - Ah sim. - ele pareceu engolir a ideia. Fez uma pausa, olhou em torno. - E tem visto a Dayane?
Carol: - Oi? Ah! Ela? - senti o sangue sumir de meu rosto e a voz estremecer. Respirei fundo e baixei o olhar. - N-não. Ela sumiu.
Drei: - Ah. Imaginei. Desculpa falar dela. Eu só queria encontrá-la. Pedir desculpas por tudo.
Carol: - Entendo. Eu... não posso ajudar com isso. Ela realmente sumiu. - virei de costas.
Drei: - eu sempre soube que ela era um erro na sua vida.
Carol: - como disse? - olhei por cima do ombro, indignada. Ele havia acabado de dizer wue queria se desculpar, mas no minuto seguinte falara mal?
Drei: - Nada. Pensei alto. Bobeiras. - ele colocou fones nos ouvidos e se entreteu a tela do celular, logo após dizer: - de qualquer forma... bom te ver.
Carol: - você também.
POR QUE A GENTE RESPONDE AUTOMATICO?
***
Entrei pela porta com o estrondo dela batendo na parede. Praguejei mentalmente, e vi um vulto espiar no corredor.
Carol: - sou eu. - anunciei, e Dayane saiu do escuro, Bernardo logo atrás, quase agarrado a sua perna.
Day: - Pela batida de porta eu tava pronta para pular pela janela com ele.
Carol: - devo agradecer por isso. - larguei as sacolas no balcão e sentei no sofá. Meu corpo todo tremia de nervoso, e eu respirei fundo. O mundo girava.
Ouvi Dayane murmurar algo para Bernardo, que assentiu e foi para o quarto. Como se eu tivesse tido um lapso de memória, retomei a mim quando senti o braço de Day me envolver os ombros e me entregar uma xícara quente.
Day: - é chá.
A fitei, confusa.
Day: - acabou de ter um apagão. O que aconteceu? Quer me contar? Você entrou em choque.
O calor de seus braços baixavam as batidas do meu coração. Engoli seco, sob seu olhar.
Carol: - Encontrei Dreicon.
Day: - Dreicon?!
Carol: -no mercado. Ele perguntou de você.
Day: -Carol do céu!
Carol: - Eu menti que não te vi, mas... isso me apavorou.
Ela me puxou para um abraço casa, e me perdi em pensamentos em seu abrigo.
Tudo havia voltado. Meu amor por Dayane pulsava em minhas veias, e meu pavor de Dreicon agora me rondava.
Era como se o tempo estivesse me puxando de volta para tudo que estivera mal resolvido. Isso me assustava.
Bebi do meu chá, enquanto ela estava distraída, tentando me acalmar. Então olhei para Dayane. Redesenhei seu queixo, os labios, o desenho do nariz. Como seus cabelos caíam por seus ombros, o perfil, as sobrancelhas, os olhos... fechados, acompanhando seu suspiro preocupado. Dayane parecia mais linda a cada hora que passava.
E quando vi... eu havia me movido. Mais do que isso: eu havia alcançado seus lábios, e selado os meus aos dela.
Day partiu o selinho e me olhou espantada. Droga Caroline!
Levantei de supetão, quase batendo nela sem querer, derrubando a xícara na mesa de centro.
Carol: -Me desculpa. Eu estou confusa.
Corri para o banheiro e me tranquei.
Eu havia beijado Dayane depois de um apagão.
Liguei o chuveiro para fazer barulho, e urrei de frustração. Como eu podia ter sido tão idiota de agir por impulso? O que Day pensaria de mim? O que eu estava fazendo? Bernardo poderia ter visto! ... Eu precisava um banho. Tirei minha roupa e entrei debaixo da agua quente, deixando as lagrimas se misturarem com a agua do banho.
Eu nunca me senti tão idiota. Como eu poderia confiar na situação, se eu não conseguia mais nem confiar em mim mesma?
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ALOU
Att pros meus amores ficarem felizes
Principalmente a Rafinha
Nao ficou como eu queria esse cap, mas vida que segue
Meus amores, cuidem-se
Amo vocês
Beijos da vó
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metamorphosis - dayrol
FanfictionCarol levava uma vida comum no colegial. Gostava de sair com seu melhor amigo, Bruno, e não entendia os motivos de o garoto mais bonito do colégio, Dreicon, ter interesse nela. Mantendo sua rotina, Carol vê seu amado cotidiano em jogo com o aparecim...
