A noite não foi longa o bastante que conseguisse me preparar para o que é a manhã do dia primeiro de setembro n'A Toca. Gina, destemida e corajosa menina, tentou me avisar. Mas nenhum aviso era capaz de conter o caos: principalmente um guiado por uma mal-humorada Molly Weasley e orquestrado por sete estudantes fazendo as últimas preparações. Durante toda a manhã, que começou ao nascer do sol. não houve um intervalo maior do que dez segundos entre os barulhos de passos nas escadas, com malões sendo levados para fora e objetos sendo catados de última hora. Nem mesmo eu, que já tinha tudo em ordem desde a noite anterior, me salvei de ser contaminada pela bagunça. A simples tarefa de ficar fora do caminho de quem estava atrasado e ansioso já era estressante e o café da manhã foi mais uma batalha entre gritos e correria do que algo a se degustar.
Finalmente depois de Arthur ter quase quebrado o pescoço ao tropeçar em uma galinha solta e Molly ter acabado de achar todas as meias e penas espalhadas, e todos nós terminados de colocar as roupas (recebi meu primeiro olhar mal-humorado da senhora Weasley ao me trancar no banheiro para poder fazer isso), observei ao lado de Harry como seria resolvido o pequeno problema da falta de espaço: nove pessoas, sete malões, uma mochila, duas corujas e um rato em um carro modesto azul claro.
— Nem uma palavra a Molly — o homem murmurou para nós enquanto o ajudávamos a colocar tudo dentro do porta-malas magicamente expandido. Isso me fez sorrir ao ajeitar minha mochila nas costas, meu amigo bem seguro ali dentro, mais tranquilo (e ele menos propenso a morder canelas) ao saber que não seria esmagado entre penas e pés no chão de um carro superlotado.
Quando entramos todos no carro e estávamos prontos para ir tive que segurar minha língua para não dizer nada sobre como Arthur abusava do fato da mulher ser uma bruxa que, assim como a maioria, não entendia nada do mundo trouxa, nem a mais básica das coisas como o fato do banco do carona não ser do tamanho de bancos de jardim. Ela se sentou nele comigo e Gina, enquanto os cinco meninos, duas corujas e um rato ficavam confortáveis no banco de trás.
— Os trouxas sabem mais do que nós queremos reconhecer, não é? — Suas sobrancelhas para cima demonstravam sua agradável surpresa com o fato. — Quero dizer, olhando de fora, a pessoa nunca imaginaria como o carro é espaço, não é?
Meus olhos encontraram os de Potter e mordi a parte de dentro de minha bochecha para conseguir engolir minha risada. O garoto não teve tanta sorte – teve que virar o rosto para a janela, escondendo a boca torcida da matriarca da família ao observar a casa se distanciando com olhos saudosos... o que foi um grande desperdício de uma despedida interna bonita. Mesmo com toda correria e preparação, voltamos na casa três vezes. A primeira mal tínhamos ligado o carro e Jorge disse que esqueceu a caixa de fogos Filibusteiro. A segunda, cinco minutos depois, foi a vez de Fred ao dizer que esquecera a vassoura. Ele jogava no time da Grifinória, não podia ficar sem vassoura, e com isso seu pai voltou para o quintal, mesmo com a boca travada da esposa. Então, na terceira e última vez, foi Gina que soltou um grito quando praticamente já estávamos na rodovia.
— Meu diário! Esqueci meu diário, papai, por favor!
Molly quase estava pisando no acelerador ela mesma, os meninos não xingaram e protestaram, mas Arthur negaria algo a sua princesa? Sob os olhares afiados e mal humor palpável dentro do carro, o homem fez o caminho de volta e esperou a garota correr para dentro de casa e voltar logo depois com o maldito caderno preto na mão. Gina se sentou de novo ao meu lado e muito sabiamente não olhou em minha direção: minha cara não estava boa para ela e nem para seu diário. Meu monstro olhava na direção daquela coisa, se inclinando para ele e Lagrum despertou do sono forçado, tenso e irritado como eu.
Não posso deixar para trás, se mamãe ver...
Os pensamentos superficiais da menina apenas fizeram minha cabeça doer ainda mais, então me afastei deles, bloqueando qualquer coisa a minha volta. Ocupei minha mente com a ideia de chegar tarde demais para pegar o trem e com a pequena briga entre Molly e Arthur, que queria nos tornar invisíveis para chegarmos na estação em poucos minutos. Mesmo mais que atrasados, sua mulher negou a ideia: era muito arriscado em plena luz do dia e o homem não discutiu mais, mesmo que isso tenha nos custado chegar na estação faltando apenas quinze minutos para o trem partir.
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Corona II
FanficAlvo Dumbledore havia dito que algumas perguntas devem permanecer sem respostas e, na opinião de Malorie Lewis, ele estava certíssimo. Depois de ajudar a salvar a Pedra Filosofal de Lorde Voldemort (e de ter seu próprio confronto com o bruxo malign...
