Transição de Prioridade

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McGonagall dormia com uma toquinha para cabelos e sequer tive a chance de apreciar o momento.

Do meio das escadas do quarto andar até sua sala não demorou quase nada e não fiz questão de ser silenciosa enquanto atravessava a classe e então subia as escadas até seu escritório. Eu não fazia ideia de onde os professores dormiam, se era em algum quarto acoplado, mas só tinha um jeito de descobrir. Bati com força na porta de seu escritório, esperando que a mulher tivesse algum sono leve, e não me decepcionei. Em três batidas fortes, a professora de Transfiguração e vice-diretora de Hogwarts abriu a porta de uma vez, vestida com um robe de lã escocesa pesada e verde e uma touquinha que prendia seus cabelos negros livres do coque que adotou para dar aula.

Ficava mais bonita assim, sem o rosto quase puxado pelo coque pesado e firme. Quantos anos ela devia ter?

— Espero que haja uma boa razão para isto, Lewis — a voz da professora veio dura como o chão do castelo sob meus pés descalços, seus olhos muito verdes me analisando como um felino.

— Colyn Creevey acaba de ser atacado — disparei o motivo para fora da boca, observando seu rosto descer ao menos três tons enquanto sua boca abria. — Dumbledore está com ele nas escadas que levam para a ala hospitalar.

Minerva não precisou de mais do que isso para se recuperar do choque e passar por mim, esquecendo-se até mesmo da touca no cabelo. Seguia-a pelos calcanhares, voltando o caminho que acabará de fazer e encontrando a mesma cena que havia deixado. O fã de Potter estirado no chão, duro como uma estátua, com o diretor ao seu lado. Observei os professores pararem por um momento e se olharem nos olhos, uma conversa pesada e silenciosa entre ambos, até que Alvo os seus os olhos em mim outra vez.

— Poderia ir na frente e acordar Madame Pomfrey, Mal? — Sugeriu com nada que insinuasse que me achava culpada de alguma coisa. Não. Seja o que for que o diretor havia visto em mim quando me encontrou ao lado do corpo de Creevey, me julgou inocente. — Minerva, segure os pés, eu levarei a cabeça.

Enquanto agarravam Colyn pelas extremidades, passei outra vez por eles e me adiantei para a enfermaria. Eu tinha estado ali enquanto o garoto era atacado. Talvez se não tivesse me concentrado em Harry, se tivesse vigiado o inicio do corredor... abri as portas e no mesmo instante notei que havia algo de errado. Era Potter acordado à esta hora, os olhos abertos e fixos no portal – não que eu precisasse disso para saber, sua consciência ativa e mente borbulhante lhe denunciava. Algo tinha acabado de acontecer.

Feche os olhos.

O garoto imediatamente obedeceu ao comando, fingindo-se de quase morto. Passei por sua cama ao mesmo momento em que os diretores surgiam atrás de mim e fui em direção ao escritório de Pomfrey. Ela não precisou de nem duas batidas para atendar a porta, sempre pronta para correr em direção a algum paciente que recaísse no meio da noite. Vestia um casaquinho de lã e passou direto por mim enquanto seus olhos se focaram em Dumbledore e Minerva depositando o aluno petrificado na cama. Uma grande puxada de ar foi toda reação que se permitiu ter, já se debruçando em Colyn.

— O que aconteceu? — Papoula cochichou para não acordar seu outro paciente, sem qualquer ideia de que Potter ouvia cada palavra.

— Outro ataque — o diretor respondeu, a voz brande e os olhos muito duros, examinando o garoto como havia feito com a gata do zelador. — A srta. Lewis o encontrou nas escadas.

— Mas o que...?

— Havia um cacho de uvas caído ao seu lado — murmurei enquanto levantava a mão. Eu ainda o segurava. — Devia estar tentando chegar até o Harry.

Senti o mal-estar do garoto como se fosse o meu, o estomago embrulhado atingindo meu corpo fraco pela invasão de Tom Riddle e pela presença da criatura. Por estar prestando bastante atenção, notei quando Potter se moveu milímetro por milímetro com toda lentidão que possuía em seu corpo inquieto para ver por si mesmo antes de afundar novamente nas sombras, pior do que antes.

Corona IIOnde histórias criam vida. Descubra agora