Elemento Felino

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A poção estava tão perfeita quanto quando tínhamos a deixado, algumas horas mais cedo. Mesmo assim, Granger ainda me parecia tensa, como se fosse apenas soltar o ar quando já tivessem a confissão de Malfoy nas mãos. E por mais que fosse engraçado observá-la da grande construção de mármore que eram as pias, toda agitada e ansiosa, a queimação constante que sentia em minha pele, no caminho escuro da marca em meu corpo, começava a me incomodar – como toda vez que ficava tempo demais confinada no banheiro inundado do segundo andar.

— Você parece estar indo fazer os exames finais, Mione — sorri para ela para ela, deslizando para longe das pias e de seu chamado frio. — Se acalme. Fizemos tudo certo. A poção está perfeita.

— Só dá para saber isso depois de tomar — ela devolveu com a boca quase fechada, em um resmungo que beirava a malcriação. Felizmente, minha amiga era inglesa o bastante para perceber por si mesma o deslize e suspirar, travando os pés em uma poça rasa e se virando em minha direção. — Desculpe, Mal. Eu estou um pouco nervosa. Onde estão os meninos?

— Esperando Vincent e Gregory terminarem de comer, aposto — os dois enormes seguidores de Malfoy não perdiam a chance de criar alguma competição de comida em cada banquete, o que nunca acabava rápido e com menos frequência ainda, cheiroso. Não tinha qualquer inveja do dormitório masculino. — Isso pode demorar.

Ela mal pareceu me ouvir, os olhos outra vez na poção borbulhante guardada dentro do boxe. O som das bolhas que estouravam na superfície escura estava pesado e a fumaça que saia pela porta aberta já estaca cobrindo todo o banheiro em uma neblina quente e fedorenta. Não era agradável: nem o calor, nem o cheiro, nem a fumaça, e eu sequer estava debruçada no caldeirão como Granger.

Ouvi o som de passos antes que a porta fosse empurrada e Potter e Weasley tropeçassem para dentro do banheiro, esbaforidos e enervados. Tossiram assim que puxaram o primeiro ar cobriram narinas e bocas com as vestes, perdidos por um momento no ambiente nebuloso e quase tóxico.

— Mione?

— Mal?

— Que sentidos horríveis — soltei para os dois, vendo finalmente seus olhos se focarem e ajustarem a pouca luz e muita fumaça. — Estariam mortos na Floresta Proibida em uma noite com nevoeiro.

— Vocês conseguiram? — Hermione avançou em direção a eles, cortando quaisquer comentários que pudessem ter sobre a Floresta Proibida – aquele rosto brilhando e olhos ansiosos não iriam admitir qualquer assunto que não fosse sua missão. Harry, ao menos, ergueu o braço e mostrou os fios de cabelo que havia arrancado. — Ótimo. E a Mal pegou as vestes na lavanderia...

— Na verdade, só pedi para um amigo — um sorriso torceu a ponta de meus lábios a me lembrar do rosto surpreso e ansioso de Jeps, um dos elfos domésticos do castelo. Ele ajudava na cozinha, mas trabalhava no maior tempo na lavanderia, o que facilitou o extravio de duas mudas de roupas da Sonserina depois, é claro, que prometi que ele as teria de volta. Seus grandes olhos amarelos chegaram a brilhar quando agradeci, depois de ter demorado tempo até demais, pela roupa e sapatos limpos que tinha toda vez que voltava floresta.

— Ainda não entendi a razão da Mal não ter apenas ido no dormitório masculino e pegado — Weasley resmungou. — Ela vai no nosso.

— Então vou dizer, Ronald, mais uma vez, que Salazar não acreditava na pureza e inocência feminina como Godric: há feitiços, encantamentos e até azarações que impedem que garotas vão ao dormitório masculino, assim como o contrário — chiei para sua cara torcida, ganhando seu silêncio contrariado em retorno.

— De qualquer forma — a voz incisiva de Mione cortou a linha de fogo entre nós. A garota tirou o livro Poções Muy Potentes da parte de trás da calça e, como ela havia dito, abriu na pagina que meu presente estava. — Tenho certeza que fizemos tudo certo. E parece que o livro diz que deve...

Corona IIOnde histórias criam vida. Descubra agora