Capítulo 3

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Os dias passaram rápido e quando Carolina percebeu, já tinham passado o Natal e o Ano Novo. Agora ela estava terminando de arrumar a mala de Amora para a viagem na manhã seguinte. A criança estava inquieta, ajoelhada na cama da mãe, "ajudando". A baiana já tinha dado mais de mil recomendações à ela, à irmã, ao cunhado e até ao sobrinho. O nervosismo de se separar da filha pela primeira vez começava a ficar aparente.

_Já sei, mamãe. Você já disse isso mais de mil vezes. - A menina reclamou, se referindo à terceira ou quarta vez que a mãe havia avisado que tinha uma escova de dente extra no fundo falso da mala.

_Eu digo porque é importante, Amora. E se você perder a escova de dente? Vai passear pelo Rio de Janeiro com bafo? E pior, vai voltar pra casa cheia de cáries. - Disse Carolina colocando as últimas peças de roupa na mala.

_Minha mãe, no Rio de Janeiro tem farmácia, sabia? Se eu perder a escova, minha tia compra outra. - Amora respondeu e Carolina suavizou a expressão. Estava tão pilhada que mal tinha percebido o próprio exagero.

_ "Minha tia", tudo "minha tia" agora, né? Tá muito puxa-saco dessa tia viu? - Carolina brincou, mas lá dentro dela tinha sim uma pontinha de ciúmes de Clarisse. Afinal, a outra poderia curtir o Rio com Amora enquanto ela ia ficar trabalhando.

_Oxente? Não fique com ciúme não, mãezinha, eu lhe amo. - Amora pulou no pescoço da mãe enchendo-a de beijos, e Carolina sorriu mole.

_Eu também lhe amo, minha Pituca. Agora sente aí na mala pra gente fechar, vá. - As duas ainda deram boas risadas, com Amora sentada em cima da mala cheia e Carolina tentando fechá-la.

Quando chegaram no aeroporto, o subconsciente de Carolina tramava um jeito de rasgar a passagem e sair correndo dali com a filha. Amora, por sua vez, não estava nem um pouco nervosa, e correu em direção ao avô assim que desceu do carro.

_O vovô veio se despedir dessa princesa. - O homem pegou a menina no colo e lhe deu um beijo, logo abraçando Carolina também.  - Queria ter ido jantar ontem filha, mas estava tão cansado.

_Isso é a velhice viu.  - Brincou Lícia. A relação dela com o ex marido se assemelhava com a de Carolina e Enrico, com a diferença de que o avô de Amora ainda morava em Salvador.

_Obrigada por ter vindo, paizinho. Tô nervosa de deixar meu bebê. - Beto sorriu ternamente para a filha.

_Deixe de coisa, Carulina. A menina não tá indo com qualquer um não, ta indo comigo, que sou sua irmã. Mesmo que mãe! - Clarisse retrucou indignada, mas sabia que se tivesse de deixar o filho, também estaria na mesma.

_Eu sei mana, mas eu vou sentir saudade. - Ouvindo isso, Amora pulou do colo do avô para o da mãe, abraçando-a.

_Você vai deixar a menina preocupada. - Clarisse retrucou outra vez.

_Não fique triste, viu mamãe? Eu sei que você tem medo do escuro. Mas se der medo, é só me ligar por facetime. - Carolina agora ria junto aos outros adultos, Amora e Davi sem entenderem nada. A menina se referia às noites em que Carolina tirava ela da cama para dormir na sua. Para Amora, o gesto da mãe era medo do escuro, mas nem Carolina sabia o que era. Talvez fosse medo que a filha crescesse rápido demais.

_Minha mãe, nosso vôo já tá chamando, bora! - Davi reclamou, visivelmente ansioso. Apressadamente todos se despediram, Amora deu mais um beijo na mãe e foi abraçar a avó, logo fazendo menção de andar para o portão, quando Carolina a chamou.

_Já sei mamãe, tem uma escova de dente extra na mala. - A menina falou, cansada de ouvir a mesma frase. Carolina riu.

_Não é isso, sua maluquete, venha cá. - E puxou a filha pra si num abraço apertado, falando em seu ouvido. - A mamãe te ama muito tá? Mais que tudo nesse mundo. Aproveite muito e não se preocupe comigo ok? Voa, filha.

O Último EclipseOnde histórias criam vida. Descubra agora