Capítulo 6

711 40 40
                                        

_...E agora eu tenho uma audição, mamãe! - Amora terminava de contar a história toda para Carolina por facetime, e ela estava incrédula, mas sorria com o entusiasmo da filha. Já era terça-feira a noite. Na segunda ela nem teve tempo de falar com a mãe direito, então só agora Carolina estava sabendo da novidade. Clarisse, apreensiva, rezava para que a irmã não tivesse um ataque de pelanca bem ali.

_Que massa, Pituca! Mas cês podiam ter ligado antes pra mamãe, né não? - Clarisse sentiu uma ponta de mágoa na voz da irmã e resolveu tentar consertar.

_Foi tudo muito de ultima hora, mana. Cê conhece a sua filha né? Quando quer alguma coisa, ninguém convence do contrário. - Disse fazendo cócegas na sobrinha, que estava em seu colo segurando o celular. A menina deu uma risadinha.

_Eu sei, mas a gente nem sabe de quem é essa escola, não conhece ninguém de lá. Eu não gosto de fazer as coisas assim Clara, cê me conhece. - Reclamou a baiana.

_Pesquise, oras. Google ta aí pra isso. A escola me pareceu super séria, o ambiente bem lúdico, um prédio bonito, sabe? Acho que eles sabem o que estão fazendo. Mas se você sabe que vai ficar insegura, pesquise. Ligue pra lá se achar que deve. Você tá no seu direito de mãe. - Clarisse a tranquilizou.

_E eu no meu direito de filha! - Amora disse fingindo indignação, e fazendo a tia e a mãe rirem. - Eu vou cantar, mamãe! Você sabe que eu amo cantar. O papai também vai gostar de me ver cantando, né? - A pequena tinha puxado o talento e o gosto pela música do pai, e ele ficava todo coruja com isso.

_Pxii, seu pai vai ficar igual pinto no lixo, minha filha. Se eu bem conheço Enrico, vai ficar mais feliz que você com isso tudo. - Riu Carolina, lembrando de como Enrico gostava de levar Amora ainda bebê para os ensaios de sua banda.

_Eu vou ligar pro papai e pedir pra ele escolher uma música pra eu cantar. - Falou Amora, animada.

_Ai meu deus, é hoje que ela mata esse pai de orgulho. - Clarisse brincou fazendo a irmã rir. Conversaram mais um pouco e desligaram, porque já estava na hora das crianças dormirem. Antes, Amora pediu para ligar pro pai.

Carolina estava com o coração apertado, uma sensação estranha que não sabia o o que era. Talvez ver a filha crescendo longe dela fosse mais doloroso do que pensou. O nome da tal escola rodava em sua cabeça: Reconvexo. Era o nome de uma música, e a música vinha com tantas lembranças agridoces que pareciam ter sido vividas em outra vida... Ela se obrigou a parar de pensar naquilo pois sabia onde iria parar. A possibilidade do que poderia ter sido e não foi, sempre lhe levava às lágrimas. Então, meditou um pouco e foi dormir, deixando para pesquisar sobre a tal escola no outro dia.

_Oi tia Tali! - Disse Amora animada. A madrasta lhe sorria no visor do celular.

_Oi, Princesa! Tudo bem? Que saudade! Como está a viagem? - A mulher cumprimentou a enteada com a doçura de sempre. 

_Tá massa! Eu também estou com saudade. Liguei pro celular do papai, mas deu desligado. - Respondeu a menina.

_Seu pai é um avoado, Amorinha. Peraí, vamos ali falar com ele. - Talita andou pela casa até entrar no escritório, onde Enrico trabalhava. - Amor, olha quem tá aqui!

_Oi, amor do papai! que saudade! - Disse ele pegando o celular. Sempre se derretia só de ver o rosto da filha.

_Papai, você não vai acreditar! - Ela contou toda a história da famigerada audição, tão entusiasmada que parecia que ia voar pelo apartamento. - ...E aí eu queria que você escolhesse alguma coisa pra eu cantar. Você escolhe, pai?

_Que máximo, filhota! Claro que o pai escolhe. - Ele disse, e Talita sorriu. Podia jurar que ele tinha ficado emocionado.

_Tá, mas tem que ser agorinha, porque a audição é amanhã, né? - Amora disse, sem perceber a emoção do pai, fazendo ele e Talita rirem.

O Último EclipseOnde histórias criam vida. Descubra agora