Capítulo 20

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Naqueles dias no Rio de Janeiro, Carolina estava vendo como Gabriela administrava a Reconvexo pensando no melhor para os alunos, e tinha encontrado parceiros à altura, que tinham o mesmo objetivo que ela: carinho, dedicação, qualidade máxima. Carol estava impressionada em ver o quanto aqueles professores se dedicavam à escola. Estava sendo acolhida tão bem por todos, era impressionante a atenção que estavam dedicando a ela e Amora ao mostrar cada cantinho da Reconvexo. E cada cantinho da Reconvexo era muito bem pensado para as crianças. Mas não só isso, eles sabiam o nome de cada aluno que encontravam pelo caminho e tinham assunto com cada um deles. A baiana mal podia esperar para assistir as aulas.

Conforme a manhã foi passando, mais crianças iam se espalhando por ali. Era como se Carolina visse várias Amorinhas, crianças de diferentes idades que gostavam de estar naquele lugar, de respirar arte, de se dedicar a isso. Crianças de diferentes idades que, sem que ninguém precisasse mandar, se dedicavam a treinar - passos de dança e sapateado, violão, flauta, canto - em seu tempo livre.

Martinha, Mirela, Patrick e Gabi já tinham deixado Carolina e Amora sozinhas na cantina que ficava na área externa da escola para seguirem com seus afazeres e a baiana, se sentindo em casa, observava o entorno enquanto bebericava um café. Foi aí que viu duas meninas que aparentavam ter cerca de 13 anos começarem a cantar em inglês e Amora na mesma hora se virou para olhar na direção delas. Ela chegou a se ajoelhar na cadeira para assistir as duas e então se virou para a mãe, com os olhos enormes e brilhantes. Carol viu o corpo da filha se sacudindo de vontade ir até lá.

- Que foi, conhece a música, é? - A baiana chegou a falar baixo para não atrapalhar aquela cantoria tão linda que as meninas estavam fazendo.

- É uma música do filme novo da Annie, eu assisti com Gabi! - Ela falou. - Depois a gente ficou escutando no carro, eu já sei cantar um pedação!

- É? - Carol perguntou e escutou as meninas parando de cantar e dando risada de si mesmas. Não estavam levando aquele aquecimento tão a sério, afinal. - Vá lá cantar com elas então que eu quero escutar, vá.

A baiana mal tinha terminado de falar e Amora já saiu em disparada até as meninas mais velhas, que não pareceram se importar nem um pouco com a presença da menor, muito pelo contrário. Logo estavam cantando as três juntas, uma das adolescentes chegou a botar a menorzinha em seu colo.

Carolina gravou um pedacinho sem elas verem, pra levar aquela memória consigo. Deixou o olho descolar da filha por uns momentos, escutando a vozinha dela, agora mais afinada do que costumava ser antes, enquanto passeava pela arquitetura daquele prédio antigo tão bem cuidado. Que energia boa era aquela?

- Nossa, você canta muito bem, Amorinha! - Carol riu quando escutou uma das meninas falando com a filha.

- Obrigada, vocês também. - Amora falou com naturalidade para as meninas antes de descer do colo e começar a caminhar de volta para a mesa em que Carolina a esperava. - Essa aqui é minha mãe, ela veio lá de Salvador só para me visitar aqui na escola.

Carol deu um tchauzinho para as meninas, que estavam encantadas com o jeitinho de Amora.

- Já conheciam essa figurinha? - A mulher perguntou para as meninas e uma delas respondeu:

- Já tinha visto ela no lombo da Gabriela pelos corredores, agora eu entendi o motivo. Gabi adotou a menina.

- Tem que guardar num potinho, a Maísa da Reconvexo. - A outra falou e riu junto com a amiga.

- Quem é Maísa, mamãe? - Amora perguntou, com receio, não estava entendendo a conversa.

- Ah, é uma menina da televisão, que já era talentosa desde bem pequenininha, igual você.

O Último EclipseOnde histórias criam vida. Descubra agora