Capítulo 33

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_Bom dia, Pituca! Vamos acordar que o dia tá lindo! - Carolina dizia abrindo as cortinas, mas parecia cedo demais até para Amora acordar.

_Ah, mamãe, tô com sono...Cê não vai malhar hoje não? - A baiana riu da tentativa da filha em lhe enrolar, só pra ficar mais um pouquinho na cama.

_Mas filha, daqui a pouco Gabi vai levar a Vovó Célia no aeroporto. O que você acha da gente fazer uma surpresa pra ela e ir se despedir? Ela vai amar te ver lá. - Carolina tinha esperança de que Amora lhe desse a desculpa sutil para a unica coisa que queria fazer desde que tinha saído daquele apartamento: Ver Gabriela.

Só que ao mesmo tempo que queria grudar na paulista e recuperar todo tempo perdido, não queria parecer grudenta e infantil. Só a ideia de sufocar Gabriela já lhe apavorava, pois sabia que ela já tinha passado dez anos em um casamento sufocante.

Não queria pensar que estava usando a filha para chegar aonde queria, mas Amora tinha sete anos e era apaixonada na paulista, era compreensível ela querer grudar em Gabriela. Já Carolina, no auge dos 40 e poucos... Então ela não tinha escolha, era isso ou parecer uma louca grudenta e obcecada, ao menos em sua cabeça.

Mas a menina não parecia nem um pouco interessada em seus planos, enfiada embaixo das cobertas, quase pegando no sono de novo. Daquele jeito, até parecia Gabriela fazendo preguiça. Ah, a convivência, Carolina pensou, sorrindo doce.

_Ande minha filha, deixe de preguiça e vamos nos despedir da vó Célia, mostrar que você é uma menininha educada... - Ela falava, tirando a pequena debaixo das cobertas e levando-a no colo até o banheiro da suíte.

_Ela já sabe, mamãe, eu já me despedi dela ontem com quarenta beijinhos em cada bochecha. Foram oitenta beijinhos! Eu sou uma menininha educada e com sono. - ela resmungava, sentada na bancada da pia enquanto a mãe colocava pasta de dentes em sua escova colorida.

_Uma menininha preguiçosa, isso sim! Ande, meu bichinho preguiça. - Amora olhou para a escova de dente em sua mão, o sono ainda lhe tomando.

_O que foi? Quer que eu escove pra você também, é? - Carolina brincou, já escovando os próprios dentes.

_Gabi escova. - a menina murmurou, deixando a mãe em choque.

_O quê? Mas Amora, você já está bem grandinha pra isso, filha...- Carolina reclamou, mas não podia deixar de se derreter ao imaginar Gabriela escovando os dentinhos da filha.

_É só quando eu tô zumbizinho. - A menina justificou, mas Carol só ficou mais confusa.

_E o que é zumbizinho? - Ela perguntou, já rindo.

_Aaaai, mamãe, é quando a gente tá meio dormindo, meio devagar, tipo um zumbi, né? - A menina explicou, numa impaciência bonitinha.

_Bem coisa de vocês duas mesmo, dois zumbizinhos. - Ela fez cócegas na barriga da filha, que riu se contorcendo. Tirou-a da bancada e a colocou no chão, lhe dando um beijo no topo da cabeça. -  E ande escovar esse dente, que você não tá mais zumbizinho não, viu?

_Ai, se não fosse Gabi na minha vida, quem me mimaria? - Amora fez uma voz dramática, logo rindo da cara de reprovação da mãe.

_Toda sua família, menos sua mãe porque alguém tem que te dar limites nessa vida, espertinha. - Carolina dizia, separando uma roupa para a filha.

_Queria que vocês namorassem logo pra Gabi virar minha família também.  - Ela comentou casualmente, vindo bisbilhotar na escolha da mãe - Não quero short, quero a saia de tule.

_Minha filha, saia de tule pra ir no aeroporto as sete da manhã? - A menina continuou lhe encarando, convencida de usar a saia preta rodada. Carolina suspirou, derrotada. - Tá, então pelo menos usa essa blusinha aqui, que combina mais.

O Último EclipseOnde histórias criam vida. Descubra agora