Quando duas almas predestinadas se encontram, é como se houvesse um Eclipse. Uma explosão de faíscas em um abraço, contagiam até quem está assistindo de muito longe. Em pouco tempo são muitas pessoas compartilhando do mesmo sentimento: o frio na bar...
_Você quebrou o protocolo da Escola por causa daquela menina, Gabriela? - Maria Laura mal esperou ela fechar a porta. A impressão que tinha é que a qualquer momento ela pularia em sua garganta, como um animal furioso. Gabriela suspirou tentando achar a calma que ainda lhe restava e começou a falar. _Não foi só "por aquela menina", Low. Eu faria isso por qualquer criança que quisesse estudar aqui e estivesse impedida por um protocolo idiota. Aliás, eu já tinha te pedido pra extinguir isso do regulamento da escola, não faz nem sentido, é só burocracia. - Gabriela tomou os papéis da matrícula de Amora das mãos da ex mulher, como se fosse seu bem mais precioso. - Agora me dá licença, por favor. Eu tenho que achar um jeito de conseguir essa assinatura, porque é mais rápido do que mudar o regulamento. Maria Laura agora tinha os olhos cheios d'água, mas estranhamente, aquilo não a comoveu como das outras vezes. A mulher limpou a lágrima que corria e encarou Gabriela com raiva e mágoa. _Você sabe que não faria isso por qualquer criança. Você só está fazendo isso por um motivo e nós duas sabemos muito bem qual é. Mas eu não vou ser humilhada dessa forma, Gabriela, não vou. - Dizendo isso ela saiu da sala, deixando a paulista desnorteada. Havia tanta raiva em seus olhos, que Gabriela tinha sentido até medo. Mas agora, não era Maria Laura que importava. Nada mais importava, apenas achar um jeito de manter Amora na Rec, e ela faria o possível e o impossível pra isso acontecer.
_Ok, minhas estrelinhas, agora andem, andem logo que a aula é com a Gabi. Mas lembrem, sempre no ritmo: vamos, vamos, vamos! - Patrick cantarolava enquanto organizava as crianças numa fila e as guiava até a sala de música. Qual não foi a surpresa dele ao encontrar Maria Laura passando por ali. A mulher lhe deu um sorriso, o que já foi motivo pra ele desconfiar, pois ela sempre o tratou com desprezo. _Boa tarde, professor. Essa é a nova turma? - Ela parecia procurar algo entre as crianças. Ou... alguém? _De sete a dez anos, sim, diretora. Os de dez a treze estão saindo da aula de teatro. Eu tava agora mesmo levando eles pra aula de música... - Ele falava, mas parou quando viu que a mulher não prestava a mínima atenção. Ainda escaneava a fila com os olhos. Foi quando seus olhos pararam na baianinha, que estava logo atrás de Jasmim, justamente bem na hora que ela cochichava algo para a amiguinha. _Eu achei que a diretora fosse Gabi - Disse ela, fazendo uma concha com as mãos entre sua boca e o ouvido da outra. A ruivinha assentiu, mas logo parou quando viu que a mulher as olhava. _Disse alguma coisa, querida? Quer compartilhar com a Diretora? - Patrick sabia que Maria Laura não era muito de crianças, tanto que o papel dela na escola era administrativo. Mas ele nunca tinha visto ela fuzilar uma criança com os olhos, como estava fazendo. Sua voz ao falar com a menina era doce, mas seu olhar era cheio de ódio. Por isso, quando Amora emudeceu, visivelmente intimidada, foi ele quem respondeu a mulher. _Acho que todos eles pensaram que a Diretora fosse só a Gabriela, já que você não pôde comparecer a confraternização ontem. - Patrick se assustou ainda mais quando ela não desviou os olhos da menina, nem pra ouvir ele falar. _Acontece, meus anjinhos, que essa Escola tem duas Diretoras: eu e a professora Gabriela, que vai dar aula pra vocês agora. Por coincidência, somos casadas. - Ela agora sorriu, um sorriso quase triunfante. Tanto Patrick quanto as crianças, estavam sem entender nada. _Ok...? - O dançarino balbuciou, tendo o reflexo de puxar a menina para si. - Agora vamos, meus amores? Gabizitcha tá esperando, vamos, vamos, vamos... - Ele disfarçou guiando as crianças até a sala. Maria Laura seguiu seu caminho, como se estivesse de dever cumprido. Gabriela, que esperava na sala, estranhou quando Amora entrou tensa e cabisbaixa. Estendeu os braços para a menina e ela sentou em seu colo, se aninhando no abraço. _Ô meu amorzinho, o que houve? Não tá gostando das aulas? - A paulista lhe beijou a têmpora tentando fazer com que ela lhe olhasse nos olhos. Mas a pequena cada vez se encolhia mais. _Tem uma bruxa nessa escola, Gabi. Tô com medo. - Gabriela estranhou de momento, mas ao olhar para Patrick, logo viu do que se tratava. _Nós esbarramos na Diretora no caminho pra cá...- Disse o dançarino. Seu olhar dizia tudo. Gabriela embalou a menina em seu colo, enquanto os outro alunos se aproximavam. Logo, havia um bolo de crianças, todos pertinho dela, como se esperassem que ela os tranquilizasse. _Você não precisa ter medo, meu amor. Nenhum de vocês precisa, viu? A diretora tem esse jeito meio bruto, mas ela não é nenhuma bruxa. Ela não deve estar num bom dia, sei lá, mas tenho certeza que vocês vão aprender a gostar dela. - Agora ela fazia um carinho em em cada um que alcançava, e as carinhas preocupadas viravam sorrisos aliviados. Amora, no entanto, continuava apreensiva, aninhada em seu colo. _Ela disse que você é casada com ela. - A baianinha falou, quase inaudível. Gabriela queimou de raiva. Maria Laura estava louca, ou o quê? _Ela te falou isso? - A menina assentiu, agora a olhando nos olhos. _Mas a gente te acha muito legal pra ser casada com ela, Gabi. - Pedro, um dos meninos, comentou fazendo os outros rirem. Ela mesma não aguentou, e deu uma risadinha contida. _Eu não sou mais casada com ela Pepeu. Nós estamos separadas. Eu fui casada com ela sim, mas não sou mais. Agora somos só amigas. - Não acreditava que Maria Laura estava fazendo ela ter que explicar sua vida amorosa aos seus alunos. A que ponto aquilo havia chegado? _Ah bom... - Amora disse baixinho, aliviada. Gabriela não se conteve e beijou várias vezes a bochecha da menina, que riu com o carinho. _Bom, agora chega de fofocar né? Bora estudar, galera, eu quero todo mundo sentado num círculo bem bonito! Vamo lá, agilizando...- Enquanto as crianças se organizavam no círculo, ela puxou Patrick pra um canto. _O que deu na Low, amigo? - Sussurrou. _Amiga, não sei? Você que tem que me dizer que babado forte é esse, ela olhou para a Amorinha com uma cara de maluca psicopata, me deu até calafrio, mulher. - Gabriela suspirou, preocupada. Se Maria Laura já tinha feito isso no primeiro dia da menina, imagina o que faria nos próximos. Teria que conversar muito sério com ela depois da aula. _Tem uns babado aí, mas depois eu te explico.Vai logo que a gente tem que trabalhar, vai. - Patrick fez um som de frustração e saiu da sala. Odiava ficar curioso, mas reamente estava atrasado pra aula. Iria cobrar a fofoca de Gabriela mais tarde, com certeza. _Olha só, que turma esperta, fizeram um círculo rapidinho. - Ela comentou sorrindo e sentou no chão junto aos alunos. - Bom, vamos começar? Vocês sabiam que tem música em todos os lugares que a gente vai? - os pequenos a olharam, desconfiados. - É sério gente, qualquer barulhinho pode virar música e qualquer coisa pode ser um instrumento. É só a gente saber ouvir. Vou mostrar pra vocês. Logo eles estavam criando ritmos diferentes com copos de plástico coloridos, moedinhas, bolas de gude, lixas de unha, canetas e todo tipo de coisa que fizesse algum barulho, e Gabriela juntava pra guardar em sua sala. Com isso, pôde perceber que o ouvido de Amora para música era muito apurado. A menina tinha um senso de ritmo incomum pra idade, e seria muito bom trabalhar com ela. Ela tinha nascido para aquilo, não dava pra negar.
Em Salvador, Carolina se afundava em mais um dia de trabalho pra não pensar tanto na filha. Sentia que se ficasse parada, enlouqueceria. Foi quando seu celular vinrou em cima da mesa. Era Victor, no whatsapp.
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Sorriu ao ver a imagem, ele achava cada coisa...
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O coração apertou ao lembrar da filha. Teve vontade de responder que, se dependesse dela, Amora voltava hoje mesmo.
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Aquela foto tinha sido o golpe final. De repente, se viu chorando em pleno trabalho. Que saudade daquele pézinho gordinho, de quando Amora era um bebezinho sem vontade própria, que andava grudada nela o tempo todo... Quis voltar no tempo, só pra ter seu bebê de volta. De repente se deu conta de que estava chorando em pleno brechó, e xingou Victor mentalmente por isso. Limpou as lágrimas e respirou fundo para se recompor. Se autoamaldiçoou pela milésima vez por ter deixado a filha ir para o Rio, mas sabia que desde que tinha aprendido a falar, Amora sempre conseguia tudo o que queria, com jeitinho e esperteza. Tanto que agora deveria estar tendo aula justo com a mulher que tinha quebrado o coração da mãe em mil caquinhos. Mas alguma coisa lhe dizia que aquilo ainda ia piorar, um aperto constante no peito e uma vontade de tomar um calmante e dormir até Amora voltar. Ela se estranhava, sempre tinha sido tão forte, tão cheia de vida... Mas é que agora a vida estava mexendo justo com seus dois únicos pontos fracos: Gabriela e Amora. Resolveu voltar ao trabalho, antes que enlouquecesse ali mesmo, aentada naquela cadeira, deixando sua mente lhe pregar peças. Mas o aperto no peito não foi embora, e ela sabia que dali, ele não sairia tão cedo.
ATTENTION LESBIANS: Todas as montagens dessa fic, inclusive a capa, foram e serão feitas pela minha fada do photoshop, pode entrar Renata! Sigam ela e dêem muito amor pra esse nenê, que ela merece. @putsreh aqui e no tt.