Amora agora aguardava com os tios em uma sala de recreação, junto aos outros participantes e seus responsáveis. Ela e Davi desenhavam sentados em uma das mesinhas redondas , daquelas perfeitas para uma criança. Clarisse fora avisada de que os novos professores logo viriam para conhecer todo mundo e ter um contato mais direto, e apenas rezava para que Gabriela e Maria Laura não aparecessem.
Tinha conseguido driblar o nervosismo na frente das crianças e disfarçar parabenizando a sobrinha. Se Amora soubesse que nem ela nem Carolina tinham assistido sua apresentação, iria ficar muito chateada. Com sorte, Clarisse tinham conseguido enganar a pequena. Uma mentirinha às vezes salvava vidas, pensou. Despertou de seus pensamentos quando viu três crianças se aproximarem de Davi e Amora. Uma menininha ruiva, do mesmo tamanho deles, se apresentou como Jasmim e perguntou o que Amora estava desenhando.
_Sou eu e minha mãe na praia, lá onde eu moro. Seu nome é Jasmim? Igual a princesa do Aladdin, é? - A ruivinha riu assentindo e sentou ao lado da outra, comentando que o nome dela era Amora, igual a frutinha que tinha nos fundos da casa da avó.
Os outros dois meninos eram gêmeos e vestiam roupas iguais, com excessão de que um usava um chapéu de caubói. Pela caracterização, já dava para ver que eram uma dupla sertaneja. Logo, os pais de Jasmim e o pai dos gêmeos se aproximaram e começaram a conversar com Clarisse e Sérgio.
Jasmim era do Rio mesmo e já tinha feito várias peças de teatro em seus oito anos de vida. Felipe e Gustavo, os gêmeos de nove anos, vinham de goiânia. Foi aí que Clarisse descobriu que a Reconvexo era uma escola renomada e muito requisitada, com gente do país todo viajando só pra ter os filhos estudando ali. Pensou no sucesso de Gabriela, de tudo que ela devia ter feito para chegar até ali. A mulher era de ferro mesmo. Braba, como diziam os cariocas. Clarisse sempre simpatizou com a paulista, Tiveram pouquíssimo contato, uma vez ou outra, um oi aqui, uma ligação ali. Mas havia algo na energia de Gabriela que lhe agradava, desde os tempos de confinamento. E era estranho porque, mesmo a irmã tendo sofrido o que sofreu, a baiana não conseguia desgostar de Gabriela.
_Claro que eu não sabia Low. Como eu iria saber? Eu fiquei sabendo quando a menina entrou no palco, como você. - Gabriela agora falava com uma Maria Laura possessa, com a ficha de Amora na mão, encerrada com ela na sala da diretoria.
_E agora você quer o quê, Gabriela? Que eu receba essa garota assim, como se não fosse nada? Que eu veja você encontrar aquela mulher aqui dentro da NOSSA Escola, e ache lindo ela andando por aqui com a filha? Que eu esqueça que você quase me largou por uma noite só com ela, que você me TRAIU com ela, as vésperas do nosso casamento? -Gabriela suspirou. Seria difícil controlar a ira da ex mulher.
_Low, por favor. A menina não tem culpa de nada. Eu já sondei, e quem está com ela é a tia. Eles estão de férias no Rio, pelo que eu entendi a menina só vai ficar aqui por um mês. Por favor, eu sei que é difícil, mas temos que ser profissionais. Eu errei sim, mas isso já tem dez anos. Por favor? Você nem precisa ir lá, deixa que eu vou e resolvo tudo. - Agora ela praticamente suplicava para que a ex não explodisse e levasse a escola pelos ares. Maria Laura suspirou.
_Tudo bem, Gabriela. Você tem um mês. Em um mês, eu quero essa menina fora daqui. - Low saiu da sala, deixando Gabriela desnorteada e sem saber como iria se apresentar para os novos alunos dali a alguns minutos, e o pior, como encararia a irmã e a filha de Carolina.
Quando a porta abriu e Clarisse viu o Black Power poderoso tomando frente à fila de professores, já imaginou o piripaque que a irmã teria vendo aquilo. Gabriela entrou na sala sorrindo, seguida por Patrick, Martinha, Mirela e Bruno, muito animados. Percebeu que a paulista não notou a presença dela e de sua família ali logo de cara, ou não queria notar? Não importava. Era hora de por o seu sorriso mais blasé na cara e fingir que estava tudo ótimo.
VOCÊ ESTÁ LENDO
O Último Eclipse
RomantizmQuando duas almas predestinadas se encontram, é como se houvesse um Eclipse. Uma explosão de faíscas em um abraço, contagiam até quem está assistindo de muito longe. Em pouco tempo são muitas pessoas compartilhando do mesmo sentimento: o frio na bar...
