_Mas que vida bandida! Quando vocês finalmente se acertam, Carol tem que ir embora. Parece praga. - Patrick reclamou, sentado no banco do carona do carro de Gabriela. A mais velha estava lhe dando uma carona até a Reconvexo.
_Mamãe disse a mesma coisa. - Respondeu, risonha, lembrando da conversa que tivera com a mãe por telefone no dia anterior. Dadas as circunstâncias, porém, até seu riso parecia triste. Seus olhos cansados denunciavam as três noites mal dormidas que tinha passado naquele fim de semana, desde que Carolina havia ido embora.
Ela tinha decidido que, nas semanas seguintes, faria o possível para não ficar sozinha. "Mente vazia, oficina do Diabo", lhe dizia Dona Célia ao telefone. Por isso, tinha decidido e insistido ir buscar Patrick para irem juntos. Falava com Amora e Carolina toda noite por facetime e a conversa das duas no whatsapp ficava aberta o dia todo. No entanto, o silêncio ainda era torturante. Seu carro continuava com a cadeirinha da menina no banco de trás e os amigos começavam a se preocupar.
_Vamos comigo lá no Scorpio depois da aula? Tenho um horário as 22:00, vou terminar de retocar meu arco-íris. - O dançarino perguntou quando eles entravam na sala dos professores. Scorpio, o estúdio de tatuagens e piercings preferido dos dois, era um point certo desde que viraram amigos. E o arco-íris na pélvis era uma das primeiras tatuagens que o dançarino havia feito por lá.
_Ah, vamos. - A percussionista disse, distraída, praticamente dentro do celular.
_Nossa, achei que ia reclamar do horário, mas nem tchum pra mim. Será que vou ter que ligar pra Carol e pedir pra ela me devolver minha amiga? - O carioca disse em tom brincalhão, mas a expressão da percussionista não mudou. - Ô amiga, já faz três dias. Põe um ânimo nessa sua vida, logo o fim de semana tá aí e cês vão se ver. - Patrick tentou consolar.
_Não, amigo. Carolina acabou de me gongar. Nesse fim de semana ela tem um evento do Brechó e a Amora vai pra casa da Nat. Falou que não pode faltar, que já ficou muito tempo longe... - Ela bufou em frustração. - Vai ser mais difícil do que eu pensava.
_Gabriela, recém é o primeiro fim de semana. Cê tá muito emocionada, bicha, que é isso?! Então é assim que você fica quando tá apaixonada? Porque sinceramente, em cinco anos de amizade eu nunca te vi assim com... Com você sabe quem. - E foi Patrick cochichar o pseudônimo, que Maria Laura despontou na porta da sala, seguida de mais alguns professores.
_Falando no Diabo... - O dançarino resmungou, quase inaudível, levando uma cotovelada da amiga.
Maria Laura parecia estar especialmente feliz naquela manhã, dando bom dia até pro ar. Gabriela sentiu a raiva lhe subir ao ver o sorriso quase triunfante da ex mulher, tanto que teve de respirar fundo, antes de lhe dar o bom dia mais seco da vida. Se não respirasse, em vez de bom dia, a mulher receberia um soco na cara.
_E Carolzinha e Amora, amiga, como estão? Chegaram bem? - Mirela fez questão de perguntar. Gabriela lhe sorriu. Sabia que a pergunta não era pra lhe cutucar a ferida, mas sim pra ver se dava um fim naquele ar de triunfo da outra.
_Estão ótimas. Ainda se readaptando, mas isso até eu tô. A gente vai se encontrar logo. - Mentiu. Não sabia quando as encontraria de novo, mas não daria aquele gosto à ex, que agora lhe encarava com um olhar de desprezo. Seria difícil aguentar Maria Laura naquele estado de graça, então, ela agradeceria toda ajuda que tivesse.
Seu celular vibrou chamando sua atenção.
O nome “baianinha” apareceu na tela, fazendo seu humor mudar imediatamente. Tudo que estava ao seu redor sumiu e a voz de Maria Laura palestrando sobre qualquer coisa ficou distante o bastante para mal escutá-la.
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O Último Eclipse
RomanceQuando duas almas predestinadas se encontram, é como se houvesse um Eclipse. Uma explosão de faíscas em um abraço, contagiam até quem está assistindo de muito longe. Em pouco tempo são muitas pessoas compartilhando do mesmo sentimento: o frio na bar...
