Capítulo 17

738 46 78
                                        

_Tia Carol! - Davi correu para o abraço de Carolina, na portaria do hospital. Já era sábado e ele tinha recebido alta, finalmente curado da virose.

_Oi, meu Piratinha, que saudade! Tá melhor? - Ela apertou o menino em seu colo e ele assentiu.

_Ele tá bem agora, mas ainda tá muito debilitado. - Clarisse chegou, abraçando a irmã, seguida por Sérgio. - A doutora foi ótima! Disse que ele precisa de repouso e dieta.

_Ué, mas ele nem tá gordo, minha tia! - Amora comentou, e os adultos riram.

_Filha, a doutora quis dizer que seu primo não pode comer coisas muito fortes, pra não ficar doentinho de novo, entendeu?  - Carol explicou vendo a pequena assentir, e logo abraçando o primo assim que ela o colocou no chão.

_Que saudade, sua bobona! - Ele disse, a abraçando de volta. - Como tá tudo lá na escola? to doido pra voltar. - Eles andavam até o carro enquanto os pequenos conversavam.

_Ah, tá todo mundo com saudade de você, né? Me perguntaram de você ontem o dia todo. - Ela reclamou e o menino riu. 

_E onde você dormiu quando mainha e painho ficaram aqui comigo? - A menina torceu a boca e Clarisse e Sérgio se olharam no banco da frente. Carolina, no meio das duas cadeirinhas do banco de trás, arregalou os olhos.

_Oxente? Como assim,  Amora não dormiu com vocês ontem, Clarisse? - A baiana perguntou, indignada.

_Ela ia, mana, mas aí Gabi achou melhor ela tomar um banho e dormir numa cama de verdade... - Clarisse falou, vendo a irmã bater com as mãos nos joelhos, fazendo um "ai" frustrado, assim que ouviu o nome da paulista. - Ela tava certa, Carol, nem venha. Hospital não é lugar de criança.

_Tá bem, Clarisse, não vou discutir com você agora. Mas que é barril é, viu? - A boca da ariana agora retorcia e o olhar fuzilava a irmã mais velha.

_Minha mãe, não fique brava, vá... Gabi é minha melhor amiga de todas as gentes grandes. Ela cuidou de mim ontem, me fez arrozinho, lavou meu cabelo, me pôs pra dormir... - A baiana sentiu seu coração afundar imaginando Gabriela cuidando tão bem da filha. Ela não podia, sei lá, ser antipática com a menina, pra Peixinho pegar ranço com gosto? Não era justo. E além disso, era ela quem tinha que ser a melhor amiga de Amora, não alguém que a conheceu há algumas semanas.

_Ela fez tudo isso, foi, Amorinha? - Sérgio perguntou despretensioso, levando uma cotovelada de Clarisse.

_Fez, tio. E foi muito legal, viu? Ela falou que eu posso voltar sempre que quiser. E eu quero! Ela canta pra mim até no banho! Ah, e o arroz dela é o melhor que eu já comi. 

 Carolina fechou os olhos e soltou o ar pelo nariz. Clarisse a olhou pesarosa pelo retrovisor, e ela só queria pular do carro em movimento, de preferência na frente de um caminhão. O destino era muito cruel,  meu Deus, muito cruel. Ela seguiu o caminho todo em silêncio, de cara fechada, enquanto Clarisse e Sérgio conversavam com as crianças.

_Não é justo, minha mãe, eu também quero ir à praia! - Davi reclamava, enquanto via Carolina e Amora já de biquini. A baiana passava protetor na filha, que olhava pro primo com pena.

_Mas filhote, eu vou fazer o que? A doutora mandou você ficar quietinho em casa até segunda. Quer ficar doente de novo, é? - Clarisse argumentava com o filho, amargando o fim de semana em que ela e Sérgio teriam de ficar enclausurados como menino. Não havia castigo pior que esse para os três.

_Ah, mas também, frescura da porra né? Um banho de mar só ia fazer bem pra ele. - Carolina comentou.

_Mana, se não vai ajudar não atrapalhe, por favor... - A mais velha massageou as têmporas, uma dorzinha chata começando a lhe atacar a cabeça.

O Último EclipseOnde histórias criam vida. Descubra agora