Capítulo 30

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Carolina acordou no outro dia, e um filme da noite passada passou imediamente em sua cabeça. Antes mesmo de abrir os olhos, sentiu a paulista lhe abraçando por trás e sua respiração tranquila e ritmada. Ainda dormia. Abriu os olhos e sentiu uma pontada forte na cabeça e sua boca seca, a ressaca lhe maltratando o corpo. Virou de frente para Gabriela e não pôde deixar de sorrir ao ver seu rosto tranquilo, com aquele biquinho que ela fazia sempre. Espalhou beijinhos suaves por todo seu rosto, até sentí-la sorrir levemente ainda de olhos fechados.

_Bom dia, meu amor... - Sussurrou, sorrindo. Viu Gabriela se espreguiçar e a puxar mais pra perto.

_Hmm... Bom dia minha baianinha, que bom acordar assim...-Sua voz era dengosa e ela passava o nariz levemente em sua bochecha, com preguiça de abrir os olhos e até um pouco de receio de que, se abrisse, perceberia que estava sonhando.

Ouviu Carolina dar um gemidinho de dor e abriu os olhos pra vê-la com a expressão contorcida e massageando as têmporas.

_Cachaça ta cobrando aluguel? - Ela brincou e a baiana riu fraco. - Fica aqui quietinha que eu vou fazer nosso café e já pego um remedinho pra você.

Gabriela beijou seus lábios levemente e ela nem protestou. Se deitou no travesseiro da paulista inalando seu cheiro, de olhos fechados e aquilo já pareceu lhe tirar metade do peso da cabeça.
Alguns minutos depois Gabriela voltou com um copo de água gelada e um comprimido.

_Sabe que horas são? - ela deu uma risadinha, vendo a baiana se sentar na cama pegando o comprimido.

_Não é mais de manhã, né? - Ela perguntou, pesarosa, mas em tom de brincadeira.

_Não é nem mais meio dia, amor. Não acredito que eu consegui te derrubar até as duas da tarde. Quer dizer, eu e a absolut, né...- Brincou.

Carolina riu cobrindo o rosto com as mãos, depois de colocar o copo na mesa de cabeceira. Espiou Gabriela entre os dedos com uma cara travessa, e a paulista riu, se derretendo.

_Deve estar todo mundo desesperado atrás da gente. - A baiana deitou outra vez, puxando Gabriela pra deitar em seu peito. A paulista se aninhou ali e sentiu o pino gelado do piercing tocar sua bochecha, dando um risinho ao lembrar da noite passada. Depositou um beijinho ali e ouviu um gemidinho manhoso, logo deitando entre a curva do pescoço da outra, recebendo um cafuné.

_Cê não tá com fome não, neguinha? - Gabriela apenas fez que não com a cabeça e murmurou um "e você?" Abafado, fazendo um carinho leve na coxa da outra.

_Pxii, tô até meio enjoada. Consigo engolir nada com dor não. - Gabriela a olhou com dó, fazendo um beicinho e ela sorriu, ganhando um beijinho na boca.

_Deixa eu te por deitadinha no meu peito, então. - Ela pediu, a voz macia que Carolina amava.

_Porque, o cafuné não tá bom? - Ela provocou, vendo a paulista fazer uma careta.

_Tsc, claro que tá bom menina, mas e você que tá dodói. Eu é que tenho que te fazer cafuné. - Carol riu derretida com o protesto da outra e logo elas inverteram a posição, Carolina se encaixando perfeitamente em seu corpo enquanto ela lhe fazia um cafuné que ia desde o topo da cabeça até a nuca. - Quando cê ficar com fome eu peço uma comidinha pra gente, daquelas que cê gosta.

_Eu tô um nojo com você me mimando desse jeito. - A baiana disse com um sorriso bobo, passando o nariz de leve pelo pescoço da outra.

_Aham, vou te deixar um nojinho. - Ela brincou e as duas riram.

_To preocupada. - Carolina disse depois de uns minutos de silêncio confortável, aproveitando o carinho. Gabriela se curvou para ver sua expressão tensa - E se Amora não entender? E se Maria Laura surtar? E como a gente vai fazer daqui pra frente, ai tem tanta pergunta na minha cabeça... - ela reclamou manhosa, se aninhando mais a outra em busca de conforto...

O Último EclipseOnde histórias criam vida. Descubra agora