O vôo era as 18:30. Gabriela tinha esperanças de que Clarisse lhe mandasse o endereço certo e contava com a discrição dela, que sabia que não era muita, pra fazer surpresa pra Carolina e Amora. Passou em casa, fez uma mala rápida e falou com a irmã de Carolina no whatsapp.
"Oi Cla, ta na casa da Carol?"
"Oi amore, to sim, pq?"
"Então... Eu preciso que cê me mande o endereço dai."
Houve uma pequena pausa em que o "digitando" continuava na tela.
"GABRIELADVSFHSFGSCHDHJFDDE VC TA VINDO PRA CA???????????"
"TO K"
"Mas eu quero fazer surpresa pra elas. Peixinho nao queria que eu fosse de jeito nenhum, mas eu n me aguento"
"E carulina tem querer nessa vida dela? Venha sim cuidar de Amora, conhecer sua sogra... ela que lute"
"E se ela ficar puta?"
"Amada? Você n conhece a cadelice de Carol não? Assim que ela te ver vai pular no seu pescoço e não vai nem dar tempo de ficar puta. Que horas cê chega? Num guento mt tempo de boca fechada."
As duas confabularam os horários, endereços e o plano de Gabriela chegar do nada, como se fosse tudo normal. Se o vôo não atrasasse, Gabriela chegaria por volta das 20:30, a tempo de ainda por Amora pra dormir. Até lá ela e Clarisse teriam que ficar de bico calado, e isso era o mais difícil enquanto estavam as duas com o coração na boca.
A percussionista achou por bem ignorar Carolina até que chegasse em Salvador, o que pra ela, era melhor do que mentir dizendo que estava em casa. Mas pra desespero de Clarisse e Victor, isso só a deixou furiosa sem saber aonde a mais nova estava.
_Gabriela é um inferno véi. Sumiu desde que chegou na escola e agora não atende a porra do celular. - Ela dizia, encostada na bancada da cozinha, cuidando para que a filha não ouvisse. Amora brincava de polly na sala, sem metade da sua vitalidade normal, mas ao menos a febre tinha baixado.
Clarisse tinha misteriosamente, só que não, decidido fazer uma sopinha mais elaborada para a sobrinha. Lamentava que na chegada de Gabriela eles teriam de jantar sopa, mas era a única coisa que Amora podia comer e manter no estômago sem risco de piorar a intoxicação.
Carol e Victor bebericavam um vinho e ela, cerveja, com mais três na geladeira. O baiano começava a desconfiar, mas Carolina estava preocupada demais com o paradeiro de Gabriela pra perceber qualquer coisa.
_Ô Carol, que resenha é essa, bicho? Você nunca foi de andar atrás de ninguém, sempre foi a desapegada, a de boaça... Né não Clara, digai? - Comentou Victor.
_Ah, mas isso era com os homi, né meu amô? Chegou Gabizita, ó - A peixinho mais velha fez um sinal, rodando a mão, risonha - Virou tudo.
_Af, cês dois tão um saco viu? Eu só tô preocupada, mas se ela não quer me responder, que se lasque. - A baixinha entortou a boca e os dois se entreolham, segurando o riso. - Vou ver minha filha que eu ganho mais.
E foi só Carolina desaparecer da cozinha, que Victor praticamente pulou no pescoço de Clarisse.
_Ô véi, você e Gabriela não me enganam. O que ces tão aprontando?
_Ai menino, que inferno, não dá pra esconder nada de você. - A peixinho mais velha reclamou, vendo o amigo abafar um gritinho com a mão. - Gabi tá vindo pra cá nesse exato momento. Já passei o endereço. Agora é esperar.
_Não acredito! Vocês ainda vão matar Carol do coração, viu? E a escola, como que ela fez? - Eles falavam cochichando.
_O que é que cê acha? Deixou seu boy toy no comando. - Clara deu um sorrisinho.
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O Último Eclipse
RomanceQuando duas almas predestinadas se encontram, é como se houvesse um Eclipse. Uma explosão de faíscas em um abraço, contagiam até quem está assistindo de muito longe. Em pouco tempo são muitas pessoas compartilhando do mesmo sentimento: o frio na bar...
