Capítulo 37

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Naquela noite, Clarisse e Victor já tinham percebido que havia algo de errado com Carolina, enquanto ela se maquiava para o jantar no Outback. No entanto, ela se negava a falar. No chão de seu quarto no apart, Davi e Amora jogavam uno enquanto esperavam os adultos terminarem de se arrumar. Sérgio tinha ficado no ap alugado, se arrumando por ali para evitar o agito daqueles três.
Foi quando Victor recebeu uma mensagem de Patrick, dizendo que estava na casa de Gabriela e que os dois encontrariam o resto do pessoal no restaurante.

_Patrick e Gabi já estão se arrumando. Vão encontrar a gente lá. - Soltou o baiano.

_ Eu pensei que Gabriela nem fosse. - Comentou Carolina.

_Também, minha mãe, do jeito que você falou com ela lá na escola... - Resmungou Amora, recebendo um olhar de censura através do espelho.

_Como assim, Amora? - Clarisse perguntou, curiosa. - Que merda que tu fez, Carulina?

A baiana suspirou, mais de cansaço daquele assunto do que de qualquer outra coisa. No fundo sabia que tinha errado com Gabriela, mas era orgulhosa demais para admitir e ainda ser julgada por todos.

O fato de ter que voltar para sua vida normal, longe da percussionista, estava a tirando do sério e justamente por medo de parecer vulnerável tinha feito o que sempre fazia: Construído uma casca grossa em volta de si, uma barreira para se proteger de sofrer ainda mais. Só que com isso, acabou por machucar o amor de sua vida.

Clarisse percebeu o desgaste da irmã e pediu para Victor levar as crianças para a sala, com a desculpa de que Sérgio ia tocar o interfone e eles não ouviriam com o barulho do secador de cabelo.

_Pronto, agora desembuche. - Pediu a mais velha, depois de fechar a porta.

_Ai, mana... - Carolina suspirou ou outra vez. - Cê já sabe né? A gente tá ficando. Ou tava, não sei, eu fiz besteira. Fui super grossa com ela na frente da Amora, você sabe que eu não sei lidar com vulnerabilidade, eu fico louca mas não fico vulnerável. Aí acabei estourando com ela, por bobagem. É que também ela fica mimando demais a menina, eu acabei ficando irritada... Mas eu sei que errei. Só que agora não sei se ela vai me perdoar. - Desabafou.

_Se você não pedir perdão ela não tem como perdoar, Carol. Fale com ela hoje, vocês duas são adultas, pelo amor de Deus. Se vocês se gostam não tem distância que separe.

_Eu amo ela demais, mana. Gabriela é o amor da minha vida, mas pra ser sincera, não sei se banco uma relação a distância. Ainda mais com a ex dela aqui, por perto. Eu sei o quanto essa mulher afeta ela, e comigo longe e ela do lado... Ai, não gosto nem de pensar.

_Você não está tendo um pingo de confiança nela, Carolina. Quem ama confia. Você prefere desistir dela de novo do que dar um voto de confiança? - Ponderou a mais velha.

_Eu vou tentar conversar com ela hoje. Não quero desistir, mana, você sabe que quando eu amo, eu luto até o fim. Mas Gabriela me desmonta, nem eu me reconheço, é muito louco. Parece que ela me vira do avesso.

_ Você já pensou que se ela te vira do avesso, é por que talvez o avesso seja o seu lado certo? Pense nisso. - E dando um beijinho na cabeça da irmã, Clarisse saiu do quarto para receber o marido, deixando Carolina com o que tinha lhe dito martelando na cabeça.

_Meu Deus que desgraça de mulher linda, inferno. - Patrick disse colocando a mão no peito, ao ver Gabriela sair do quarto com o macacão amarelo, que se ajustava perfeitamente às suas curvas e descia leve pelas pernas num longo tecido. Nas orelhas ela ajustava os brincos e o black solto dava todo tom ao look e à maquiagem despojada que o amigo havia feito.

_Para, migo, vai me deixar sem graça. - Disse dando uma risadinha.

_Estou apenas falando a verdade,  honey. Hoje a Carolina infarta só de te ver. - A negra soltou uma gargalhada, mas sabia que estava bonita e o amigo não deixava de ter razão. Carolina amava vê-la de cabelo solto e ela sabia disso, e era só ela fazer uma mínima produção para a baixinha enlouquecer e enchê-la de elogios, dizendo que ela estava linda de 5 em 5 minutos. No BBB já era assim, lembrou.

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