Capítulo 49

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       - Dois dias depois -

Carolina ajudava Gabriela a arrumar as roupas numa mala emprestada. A mochila tinha atacado o toc da ariana,  e com as coisas que a Paulista tinha comprado no pequeno feriado, ja ficava cheia.

Gabriela ouviu a namorada dar um longo suspiro. Não tinha manifestado descontentamento algum, talvez para não afetar Amora, que agora  brincava na cama da mãe com alguns brinquedinhos de miniatura.

Nem mesmo a noite, quando ficavam a sós, Carolina tinha reclamado. Mas aquele suspiro dizia tudo. Dali a algumas horas, depois do almoço, Gabriela partiria para o Rio de Janeiro e elas seriam separadas.

A mais alta parou com a arrumação por um segundo e sem dizer nada, a abraçou. Carol apenas se encaixou ao seu corpo, sem necessidade de palavras.  No abraço delas, a alma falava. Gabi espalhou beijinhos por seu pescoço e ombro, vendo Amora ficar de pé na cama e se unir ao abraço.

_Que delicia esse dengo todo. - Comentou a percussionista, com um sorriso aberto no rosto. 

_Mamãe tá triste. E eu também. - A menina murmurou. Carol suspirou cansada, admitindo a derrota de sua tentativa falha de não deixar transparecer nada. Guardar tudo pra si só a havia feito se sentir pior, pois Amora a lia como um livro aberto.

_Vai passar, filhinha. É só por agora. - Disse, como se tentasse convencer a si mesma.

_E o que nos impede de ir com Gabi? Eu ainda tenho um mês antes das aulas começarem, mamãe! - Prostestou a pequena.

_Minha filha, eu não posso deixar sua tia sozinha com todo nosso trabalho. E também, ir agora seria só adiar a despedida, filha. Além do mais, Gabi está muito ocupada com a escola, com a vida dela...Não, é loucura... - Carolina agora havia se desfeito do abraço e arrumava as roupas da paulista, inquieta só de pensar naquela possibilidade.

_Ah, amor, sério? Por mim, eu só posso dizer que tá tudo mais do que pronto pra receber vocês.  - Argumentou a mais alta, achando graça do nervosismo da baixinha.

_Viu mamãe, viu? Vamos, por favor? - Amora pulava na cama com olhos e voz suplicantes.

_Pare, Amora. Gabriela, você quer fazer o favor de me ajudar?! Isso é loucura. Eu teria que falar com Clarisse, eu... -  Carol colocou as mãos na cabeça e Gabriela sentiu seu coração doer de ver sua agonia.

_Pitu, toma meu celular. Vai ligar pra tia Clara, lá na sala, pede pra ela vir pra cá. Enquanto isso, eu converso com a sua mãe. - A paulista pediu, entegando o aparelho nas mãos de Amora, que assentiu e saiu correndo do quarto.

_Você quer me enlouquecer, só pode. -  A baiana reclamou, enquanto a namorada sentava na cama e a puxava pra sentar em seu colo.

_Eu só quero ter vocês pertinho. - Gabriela amaciou a voz sem perceber, antes de lhe beijar os lábios e a sentir  relaxar em seus braços.  - A Clara vai não vai se opor, meu amor. Você sabe disso, na verdade ela vai amar.

_Eu sei, ela não tem vergonha naquela cara de otária. - As duas riram em conjunto. - Mas e o resto? E Low?

_Ah, então é isso...- A paulista suspirou, irritada pelo incômodo que a ex causava.

_Claro que é isso, você acha pouco? Depois que ela surtar e fizer mal pra Amora não adianta chorar, Gabriela. Medo de mãe nunca é demais. 

_Amor, você leva ela muito a sério. Ela não é nem louca de encostar na Amora.

_Então porque a minha intuição diz o contrário? Eu prefiro ficar longe do que por Amora em risco.

_Amor da minha vida, olha pra mim: Você acha que eu manteria 150 crianças naquela escola diariamente, sabendo que algo ou alguém representa algum risco pra elas?  - Gabriela perguntou, com o rosto da baiana entre as mãos.

O Último EclipseOnde histórias criam vida. Descubra agora