Capítulo 47

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Gabriela acordou num sobressalto com o barulho das notificações do celular. Sentiu seu braço esquerdo formigar e só então abriu direito os olhos, lembrando que estava em Salvador.

Amora dormia com a cabeça em seu braço esticado, e Carolina não estava na cama. Claro que ela não estava, pensou sorrindo. Tomou todo cuidado do mundo para não acordar a criança, deixando-a deitada ali e indo até o banheiro, enquanto respondia Patrick brevemente no whatsapp.

Era uma visão linda aquela, sua escova de dentes junto com a das duas. Gabriela mal se continha de felicidade, sorrindo até pro espelho. Depois de fazer sua higiene e ir no banheiro, foi até a cozinha, seguindo a música que tocava vindo de lá.

Chegou de mansinho pra ver a silhueta esguia de Carolina, de costas para si cortando algumas frutas. O cheiro de café passado só não perdia para o cheiro dela, pensou enquanto a abraçava por trás como uma criança sonolenta, deixando um beijinho em sua nuca e mais alguns em seu pescoço.

_Oi meu amô, bom dia...- A baiana disse derretida, ouvindo um "bom dia" murmurado em resposta. Não sabia se era sono ou tesão o que Gabriela tinha, mas aquela voz rouca dela em seu ouvido não era para os fracos.

A tensão sexual entre as duas só aumentava cada vez mais, visto que na noite anterior suas atenções foram todas para Amora, que ainda estava febril. Trocaram uns beijos e só. De resto foi Frozen, o filme e a sensação. Carolina se virou de frente para beijar a boca da percussionista, e o beijo saiu bem mais voluptuoso do que as duas esperavam.

Gabriela sentia gosto de pasta de dente e abacaxi, provavelmente dos que Carolina estava cortando e tinha beliscado um pouco. E tesão. Muito tesão.

Num movimento rápido, colocou a baiana sentada na bancada, sem parar de beijá-la. Carol sabia bem onde aquilo iria parar, sabia também que Amora poderia acordar e pegá-las no flagra a qualquer momento.

Mas não poderia juntar forças para parar. Não quando a lembrança da foto que Gabriela havia lhe mandado há uma semana atrás, no banheiro da boate, permeava sua mente. Habilmente subiu a mão por dentro da blusa da paulista, acariciando sua barriga até achar seu seio direito e apertá-lo com o mamilo entre os dedos, o que fez Gabriela arfar contra sua boca.

_Mamãe, Gabi! - Ouviram uma vozinha vinda do quarto. Foi como um balde de água fria. Carolina gemeu em frustração, como uma criança que faz birra. Gabriela apenas riu da desgraça das duas. Elas teriam tempo, pensou. E ela ainda queria fazer algo especial para Peixinho.

_Já vai, Pingo. - Gabriela avisou.

_Filhos, melhor não tê-los. - Citou Carolina, pulando da bancada.

_Mas se não os temos, como sabê-los? - Ela não esperava que Gabriela fosse completar o Poema enjoadinho, de Vinicius de Moraes.

_E é enjoadinha mesmo, a bichinha. - Disse sorrindo e ganhando um beijinho da mais alta. - Vá lá ver o que ela quer que eu vou terminar de fazer o café, vá.

_Aposta quanto que ela quer dengo? Enjoadinha igual a mãe. - A paulista provocou com um risinho no canto da boca, e ainda levou um tapinha no ombro antes de se dirigir ao quarto.

_Gabiiiiii! - A menina prolongou o chamado.

_Já vai, já vai... - Disse a percussionista pelo corredor. Mas quando chegou no quarto, viu apenas um pequeno volume debaixo das cobertas e uma risadinha travessa. Resolveu entrar na brincadeira.

_Ué, eu jurava que tinha uma menininha me chamando aqui nesse quarto. Pra onde será que ela foi? - Ela rodeou a cama, e a menina continuava rindo baixinho. - Puxa, logo hoje que a gente ia levar ela na praia, que pena.

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