- OI, AMORINHOS!
Peço que me perdoem pela demora, sei que estou falhando com vocês, mas juro que tô me esforçando. Bora fazer uma quarentena um pouquinho melhor?
Evitem sair, lavem bem as mãos e se cuidem, cês são tudo pra mim. A gente vai passar juntxs por essa. Amocês. -
Desde aquele dia, a semana se arrastou de maneira lenta e tortuosa, e não fossem as ligações por facetime, tanto Gabriela como Carolina estavam certas de que teriam enlouquecido. No fim de semana que passara, mal haviam se falado, já que Carolina estava trabalhando e Amora tinha ficado com a madrinha.
Mas naquela terça-feira, em Salvador, nenhuma das duas estava preparada para o que poderia acontecer. Carolina entrou no quarto depois de tomar uma ducha rápida, secando os cabelos com uma toalha.Tinha acabado de voltar de um treino intenso e Amora ainda dormia, estirada na cama king size da mãe.
Não se orgulhava do fato de que, nas quase duas semanas em que estiveram ali, a menina havia dormido consigo todas as noites. Parecia estar mais sensível e dengosa na ausência de Gabriela, requerendo mais colo e atenção da mãe. Mas Peixinho também penava pra dormir sozinha na cama imensa e então, as duas acabavam por dormir agarradas.
Acariciou os cabelos da filha e sorriu ao ver sua expressão serena, no fundo com pena de acordá-la. Mas era bastante atípico para Amora dormir até depois das oito e meia. Sabia que, se não a despertasse, a menina acordaria de mau humor e provavelmente não almoçaria direito.
_Hora de acordar, meu amor. - Disse suave lhe fazendo um cafuné. A pequena se remexeu e entreabriu os olhos, e quando Carol pousou a mão em sua testa, viu que estava quente demais.
_Mamãe, minha cabeça tá doendo. - Ela disse antes de se encolher na cama.
_Ai filha, acho que você tá com febre. - A baiana disse, preocupada. - Tá sentindo mais alguma coisa?
_Dor na barriga, bem aqui. - A menina disse manhosa, apontando para o estômago e recebendo um carinho da mãe no local.
_Ô meu neném... Mamãe vai pegar um termômetro e ligar pro tio Samuel, tá? Fica bem quietinha. - Carolina disse num tom carinhoso, se referindo ao pediatra da filha.
Amora obedeceu. Não poderia fazer muita coisa, sentia sua cabeça girando e um enjoo terrível, mas achou melhor não falar tudo pra mãe de uma vez. Na verdade, até falar parecia complicado com tanta dor na cabeça.
Foi quando seu estômago embrulhou de um jeito insuportável e ela sentiu que ia vomitar. A mãe se encontrava na sala, não havia tempo de chamá-la, então tentou andar até a suíte, sem sucesso.
Só teve tempo de se por de pé, dar dois passos com dificuldade e... Seu organismo pôs tudo pra fora no chão do quarto, deixando-a sem forças e fazendo-a cair sentada, mas por sorte, não caiu em cima da sujeira.
Carolina só teve tempo de pegar o termômetro, quando ouviu o barulho seco de algo caindo no chão e o choro da filha. Saiu correndo imaginando o pior, e encontrou-a chorando em frente a um chão vomitado.
_Amora! Filha, você tá bem? - Desviou da sujeira e pegou a pequena nos braços, a levando para o banheiro da suíte.
_Eu sujei tudo... Desculpe, mamãe. - A pequena murmurou entre soluços.
_Ô meu amor, que é isso? Você não tem culpa de estar doentinha não, viu? Mamãe tá aqui, vai limpar tudo e vai cuidar de você. Agora, vamos lavar a boca pra tirar o gosto ruim? - Ela colocou a criança sentada na bancada da pia a auxiliando.
Parecia molinha demais até para se manter de pé, as mãos como gelo e a testa queimando. Tremia de frio e Carolina, mesmo já tendo passado por varias febres naqueles sete anos, tremia por dentro toda vez que via a filha doente.
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O Último Eclipse
Storie d'amoreQuando duas almas predestinadas se encontram, é como se houvesse um Eclipse. Uma explosão de faíscas em um abraço, contagiam até quem está assistindo de muito longe. Em pouco tempo são muitas pessoas compartilhando do mesmo sentimento: o frio na bar...
