Capítulo 24

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_Primeiro você vai me ouvir, depois você fala. - Clarisse estendeu a mão para a irmã, em sinal de pare. Estranhou quando Carolina apenas sentou no sofá, apoiando a cabeça nas mãos, derrotada. - Eu quero que você olhe pra mim. - A frase lhe doeu o peito. Da última vez que ouviu aquelas palavras, foi numa atmosfera e por um motivo totalmente diferente, pensou. A lembrança de Gabriela lhe corroeu o peito, e ela subiu o olhar para encarar a irmã.Olhos frios, duros como pedra. Agora ela era só o último pingo de orgulho que lhe restava.

_Eu juro que não sei o que deu em você. Juro, Carolina. Mas também não quero saber. O que eu sei é que você não está em condição alguma de se governar, tá surtada, louca de pedra. Você tem noção de como ficou a cabeça da sua filha? Ela não tem culpa de nada, Carolina! - A mais nova continuava lhe encarando, com aquela capacidade incrível de segurar os olhos mareados, por um tempo descomunal. - E Gabriela? Gabriela se retratou com você, se desentendeu com a sócia dela por sua causa, te levou pra casa dela e o resto, enfim, não me diz respeito. Mas não foi suficiente pra você, não é? Você teve que se vingar. 

_Não fale do que você não sabe! - Carol explodiu em lágrimas, levantando do sofá de costas para a irmã, logo se virando para encará-la. - Eu não aguento mais esse título que vocês me deram, de equilibrada, sensata, forte. Ninguém nunca me perguntou o que eu sentia, nem você, nem minha mãe, nem meus amigos. Nem na época do BBB, nem agora. Eu sempre tive que lidar com minhas dores sozinha! Eu sei que eu errei, e acredite, já estou me culpando o suficiente por isso. Mas ninguém me perguntou porque eu fiz aquilo. Eu tive medo Clarisse! Eu estou com tanto medo...- Carolina despencou no sofá, cobrindo o rosto com as mãos, num choro compulsivo. Clarisse, por sua vez, sentiu sua raiva se dissipando e se transformando em uma pontada de remorso, sentando ao lado da irmã.

_Medo de quê, criatura de Deus? - Agora ela falava macio, como se sentisse a dor da irmã, lhe acariciando os ombros.

_Você não entenderia, Clarisse. Não faria nem questão de entender. - Ela disse, ainda chorando e magoada com o jeito que a irmã havia lhe tratado.

_Ah não, mana, agora você tá sendo injusta. - Clarisse falou. - Eu não devia ter sido tão bruta com você, me perdoe. Você tem razão em tudo que disse, mas eu vou fazer de tudo pra te entender e te cuidar. É o que eu tento fazer desde que você nasceu, Carol. Do meu jeitão rústico de ser, mas tento. - Carolina deu uma risada em meio ao choro e Clarisse lhe abraçou. - Você é minha irmãzinha, não tem ninguém que te ame mais nessa vida do que eu. E eu vou cuidar direitinho de você, tá? Prometo.

_Eu também te amo, sua otária. - Carolina disse, depois de cessar a crise de choro violenta e sentir a tensão ir embora no abraço da irmã.

_Ih pronto, já me desacatou, já tá boa né? - Clarisse a soltou, em implicância. - Conta pra sua irmã que você ama, que medo é esse? O que se passou pela sua cabeça? Minha vez de escutar.

_Ah mana... Eu perdi o controle da minha vida, sabe? Essa é a sensação. Eu sou completamente apaixonada por Gabriela, não tem jeito. Tentei de tudo, mas depois de todo esse tempo, um olhar e ela me derrubou inteira, sabe? Aí eu acordei no outro dia, com a sensação de a qualquer momento ela iria me deixar de novo, que ia ver que eu não era suficiente pra ela... Fora os percalços, né? Ia ter que ser algo à distância... Mas aí já viu né? Fiquei com um medo insano de perder ela de novo. Ai mana, eu não aguentaria... Só que aí eu fui covarde e acabei me machucando do mesmo jeito, indo pra longe dela. E pior, machuquei as duas pessoas que eu mais amo no mundo todo. - A mais nova desabafou, enquanto a irmã escutava tudo, em silêncio.

_E você acha justo, se render a esse medo e sofrer pro resto da vida longe de quem você ama, de quebra, fazendo sua filha sofrer também? Não é justo com você mana, se negar de ser feliz desse jeito. Você tem uma filha maravilhosa e uma mulher foda que é completamente apaixonada por você, te esperando. Vai perder as duas por medo? Logo você, que sempre foi tão corajosa? - Clarisse deu um sorrisinho à irmã, que parecia apreensiva.

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