O barulho irritante do toque do celular de Carolina despertou Gabriela a força, fazendo-a pegá-lo antes que cometesse um crime de ódio, motivada pela preguiça. Olhou no visor, era Victor, provavelmente doido atrás de Carolina. O relógio batia 05:45 da manhã, mas, o vôo sendo as oito e com uma criança, era compreensível que ele a chamasse àquela hora.
A baiana dormia aninhada em seu peito, suas pernas entrelaçadas como se fossem uma só. A paulista achava bonitinho o fato de que, em todas as poucas vezes que tiveram a sorte de dormir juntas, mesmo se elas dormissem uma pra cada lado, Carolina sempre amanhecia entrelaçada a ela. Sorriu o sorriso mais frouxo do mundo olhando aquela carinha.
_Amor, seu celular tá tocando. - Ela murmurou, sacudindo-a de leve, mas a outra nem se mexeu. - Amor...
_Hmmm... Atenda aí vá...- Carolina resmungou quase desconexa, escondendo o rosto no pescoço da negra. Gabriela riu, sabendo que provavelmente ela nem se lembraria daquilo quando acordasse, e atendeu já esperando o surto do baiano assim que ouvisse a sua voz.
_Oi Victor. - Seu tom já era risonho e dito e feito, o baiano deu em grito.
_Eu sabia, Gabriela, eu sabia! - Ele disse antes de gargalhar - Essa safada de Carolina foi pra sua casa transar horrores e me deixou aqui com criança, mala e vôo pra cuidar! Ah, mas se é com Clarisse, ela não sai ilesa dessa não, viu? - A paulista riu com todo aquele alarde.
_Só veio ganhar um chameguinho antes de ir, tadinha, não fala dela assim. Cês maltratam muito o meu amor. - Ela disse amolecendo a voz e deixando um beijinho no topo da cabeça da outra, que ainda se encontrava praticamente escondida em seu pescoço.
_Quem aguenta essa melação toda, meu pai? Pois tratem de vir logo, viu? E venham as duas, porque tirar Amora da cama é barril dobrado. - Ele comandou.
_Tá, a gente já tá indo. Relaxa que tá tudo pronto amigo, é só as duas se arrumarem, fazer check-in e embarcar. - Respondeu a percussionista, esfregando com a mão livre o olho que insistia em coçar e começando um longo bocejo.
_SÓ? Mulher, ande logo e pare de coisa. Beijo. - Se despediram brevemente e Gabriela levantou da cama para escovar os dentes, deduzindo que quando voltasse, Carolina já teria despertado. Mal terminou de se escovar e ouviu um chamado manhoso vindo do quarto.
_Amor... - Sorriu com a vozinha rouca de sono que lhe chamava e se dirigiu ao quarto, para encontrar uma Carolina nua, ainda deitada, meio escabelada e com um bico descontente nos lábios. Para ela, a visão do paraíso.
_Bom dia, coisa mais linda da minha vida... - Ela disse, com aquele tom de voz derretido e arrastado, que sabia que a baiana amava, deitando na cama outra vez e lhe enchendo de beijos. - E essa carinha?
_Não gosto de acordar sozinha na cama. Aliás, acordei só porque você saiu. - a baixinha fez manha.
_Ô meu Deus... - A paulista riu terna. - Então foi por isso que eu tentei te chamar, fiz mó barulhão e cê seguiu enroscadinha em mim, dormindo igual pedra. Se eu soubesse que era só levantar da cama...
_Maldade sua, tô quebrada. - Carolina reclamou, e elas já estavam agarradas outra vez.
_É, mas já é passado de seis horas, o Victor já ligou... - Ouvindo o nome do amigo, a baiana deu um salto encarando a outra.
_Ligou, foi? Ai, ele deve estar doido atrás de mim, querendo me matar...- Ela mordeu a boca em preocupação, pensando no melhor amigo virado numa arara atrás de si.
_E tá. Mas pra te matar, ele vai ter que passar por mim, e ele me ama, então tá tranquilo. - A paulista respondeu.
_Oxe, você atendeu? - Agora Carolina parecia mais incrédula ainda, mas com um ar de riso.
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O Último Eclipse
RomanceQuando duas almas predestinadas se encontram, é como se houvesse um Eclipse. Uma explosão de faíscas em um abraço, contagiam até quem está assistindo de muito longe. Em pouco tempo são muitas pessoas compartilhando do mesmo sentimento: o frio na bar...
