Capítulo 9

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_Amanhã é a primeira aula, mamãe! Os professores são tão legais! - Amora contava deitada na cama, segurando o Ipad.

_Que bom, Pituca! É tão bom te ver feliz... Me conte mais, vá. - Carolina disfarçava a angústia na voz. Ainda não tinha tido tempo de falar com Clarisse, então não sabia de nada sobre o dia de Amora na Reconvexo.

_Tem o Patrick, ele é muito engraçado mamãe, parece uma Diva de cinema. Acho que ele gosta de meninos igual meu dindo. - Carolina riu da esperteza da filha. - Tem Martinha e Mirela, elas vão dar aula de teatro pra gente, também foram muito legais comigo, me abraçaram... Tem Bruno também, ele toca um montão de instrumento, minha mãe! Mas a professora que eu mais gostei mesmo foi-

_Amorinha, ande logo com isso que já tá tarde, viu? Já tirei Davi do banho, amanhã cedo a gente tem que ir lá fazer sua matrícula. - Clarisse entrou no quarto pra pegar o pijama de Davi, interrompendo a conversa.

_Oxente? Deixe de ser chata Clarisse, me deixe falar com minha filha. - Reclamou Carolina na tela do Ipad.

_Cê já contou tudo de hoje pra sua mãe, foi?  - Clarisse sentou na cama. Carolina estava muito calma, então certamente Amora ainda não tinha tocado no nome de Gabriela. Ela queria estar ali pra quando a bomba explodisse.

_Quase tudo, faltou falar de Gabi. Mamãe, ela tem o melhor abraço do mundo! - Clarisse viu a irmã empalidecer do outro lado da tela. Parecia que alma de Carolina tinha saído do corpo pra dar uma voltinha. Clarisse resolveu tirar a sobrinha dali antes que ela percebesse o estado da mãe.

_Ok, agora falou tudo, dê boa noite a sua mãe e já pro banho, viu sua moleca? - Disse em tom de brincadeira. A menina resmungou, mas obedeceu. Carolina conseguiu balbuciar um "Boa noite filha, te amo"  e soltou o ar quando a menina deixou o quarto. No mesmo instante, Davi apareceu enrolado na toalha, reclamando que a mãe estava demorando pra trazer o pijama.

_Ô meu filho, tome - Ela alcançou o pijama que estava em sua mão pro menino - Pegue seu pijaminha e vá se vestir no quarto de mamãe, vá. Preciso falar com sua tia. - Davi pegou o pijama e obedeceu, sem entender nada. Adultos eram complicados. Clarisse correu e fechou a porta do quarto. Sérgio, que estava na sala, percebeu que algo não estava certo e deu cobertura, indo ajudar o filho com o pijama.

_Pronto, mana. Respire. - Foi Clarisse fechar a boca e Carolina desabou em prantos. Ela ainda ficava impressionada em como o "Elemento Gabriela" desestruturava a irmã em segundos. _Ô meu amô, fique assim não, vá. - Consolou.

_Dói demais mana, demais. Você viu o que ela disse do abraço? - Clarisse assentiu, preocupada com o estado da irmã. Mas Carolina respirou fundo e pareceu se recompor, parando o choro compulsivo. - Gabriela falou de mim? - Clarisse sorriu, a voz e os olhos da irmã, agora quase infantis, imploravam por uma resposta positiva.

_Ela disse pra Amora que você foi a pessoa mais importante pra ela naquela casa. - Clarisse sorriu doce, lembrando da expressão e do carinho da paulista ao contar aquilo para Amora.

_Até parece. - Carolina deu uma risada amarga, embargada pelo choro - Fez tudo o que fez, lá dentro e aqui fora, pra dizer uma coisa dessas pra minha filha.

_Carolina? Ela me pareceu muito sincera no que disse. E teve muito carinho com sua filha hoje, se você quer saber. - Clarisse tentava pôr a irmã nos eixos, mas sabia que a ariana era rancorosa.

_Vai ficar do lado dela é, Clarisse? - A mulher mais velha olhou a irmã com reprovação. Carolina sabia que estava sendo infantil. Mas quando se tratava daquele assunto e daquela mulher, ela não conseguia evitar.

_Não tem lado nenhum, Carolina. Eu estou sendo sensata, até porque alguém tem que ser nessa história toda. A realidade é essa: Sua filha e Gabriela estão encantadas uma com a outra. O que vamos fazer com isso, é problema nosso. - Carolina precisava de um choque de realidade, e Clarisse já era craque nisso. 

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