_Oi, mãezinha! - A menina agora falava com a mãe pelo Ipad, sentada no chão da sala de teatro.
_Oi meu neném, que saudade! Você não tinha que estar na aula? - A baiana disse sorrindo. Era tanta saudade da filha, que chegava a doer.
_Tinha, mas Martinha e Mirela deram uma pausa, porque Eloá quis mamar. - Martinha e Mirela ela já tinha ouvido, mas Eloá? A pequena captou sua cara de dúvida e explicou, rindo. - Eloá é a filhinha de Mirela e Bruno, minha mãe. Ela ainda é neném. Quer ver minha sala? - Amora viu a mãe assentir e filmou ao redor da sala, explicando cada detalhe. Carolina estava admirada com o que tinha visto da Reconvexo, até então. Tudo lhe parecia perfeito, e por mais que estivesse com raiva de Gabriela, tinha que dar esse ponto a ela por ter construído tudo aquilo do zero.
As duas, no entanto, ainda não haviam se falado e muito menos se visto. Amora percebeu que elas fugiam uma da outra o tempo todo, mas sabia que se perguntasse elas desconversariam. Teria que descobrir sozinha o que estava acontecendo.
_Mamãe, você nem sabe da novidade. - Amora cortou seus pensamentos. - Gabi vai ir aí em casa pegar sua assinatura pra minha matrícula.
Carolina sentiu de novo sua alma sair do corpo, dançar fora dele e voltar em alguns segundos. E aquela, agora? Gabriela em Salvador, pra pegar uma porra de um rabisco num papel, pra menos de um mês de aulas? "Nem morta que ela entra dentro da minha casa", pensou a baiana.
_Ela te disse isso?! - Amora percebeu que a mãe estava alterada. Talvez aquele não tinha sido o melhor momento de lhe dar a notícia.
_Disse. Ela falou na reunião que se nem você, nem a bru- - Ela se corrigiu. Gabriela já tinha pedido PELO AMOR DE DEUS para não chamarem mais Maria Laura de bruxa, mas as vezes, ainda escapava. - Se nem você nem Maria Laura cederam, então ela vai até aí. Você ficou brava, mamãe? - A voz da pequena agora era apreensiva. Carolina suspirou.
_Não minha filha, não fiquei. Mas diga a Gabriela que não precisa, se a urgência é tanta de ter você aí, eu vou pro Rio.- Ela tinha que pensar no melhor pra filha e no "menos pior" pra si, naquele momento. E ter Gabriela na sua casa, mesmo que por um segundo, com certeza não era uma opção. Então, ela teria mesmo que se despencar pro Rio de Janeiro.
_É sério, mamãe? - O rosto da menina se iluminou. Nem acreditava que tinha conseguido. A mãe vinha mesmo pro Rio, e iria conhecer a Reconvexo!
_É Amora, é sério. Eu vou na sexta e fico até domingo. Sua tia ainda tá no hospital, deixa que eu ligo e aviso pra ela. Só avise Gabriela e todo mundo aí, ok? - Peixinho se sentia derrotada. Depois de se despedir de uma Amora radiante, ligou para Clarisse.
_Oi, mana. E aí, como está Davizinho? - Perguntou.
_Na mesma, tomando soro, mas o vômito ainda não parou. Estamos torcendo pra que pare até a noite, senão Sérgio dorme aqui com ele e eu vou pro ap com Amora. - A mais velha tinha a voz cansada.
_Tomara que não precise. Deixe eu te falar, não vai ter jeito não. Sexta tô indo pro Rio. - Ela disse, enquanto pesquisava passagens pelo computador.
_Como assim?! - Clarisse falou alto demais para um hospital, e logo se encolheu de vergonha e voltou a sussurrar. - O que te deu, criatura?
_Deu que Gabriela estava prestes a vir pessoalmente pegar esse diabo de assinatura. Aí cortei, né? Melhor eu ir mesmo, já dou um cheirinho em Amora, passo o fim de semana com ela. - A baiana divagava enquanto procurava no site da companhia aérea.
_Mana do céu, tô passada! Gabriela tá doidinha em Amora mesmo, só ela pra querer fazer uma coisa dessas. - Clarisse riu. Carolina torceu a boca, incomodada com aquela amizade toda entre a irmã e a paulista. - Mas então ok, me avise o horário do vôo que a gente te busca no aeroporto.
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O Último Eclipse
RomanceQuando duas almas predestinadas se encontram, é como se houvesse um Eclipse. Uma explosão de faíscas em um abraço, contagiam até quem está assistindo de muito longe. Em pouco tempo são muitas pessoas compartilhando do mesmo sentimento: o frio na bar...
