Capitulo 7.1 | A despedida

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Saímos da igreja em um silêncio profundo, andando um ao lado do outro sem trocar qualquer palavra que seja. Quanto mais andávamos mais meu peito se apertava, fazendo a dor se tornava excruciante. 

Ver o túmulo de mamãe faria tudo se tornar realidade e eu... não estou preparada pra isso. Por mais ridículo que possa parecer ainda tenho dentro de mim esse sentimento, essa sensação de que mamãe esta bem, que após ter sido bruscamente levada do local e encaminhada ao hospital alguém por algum milagre conseguiu retira-la dos escombros, machucada, porem com vida. Que em breve toda essa confusão acabaria e finalmente ela retornaria com seu enorme e iluminado sorriso, me dizendo que tudo ficaria bem dali pra frente e assim me jogaria em seus braços  sentindo a segurança e felicidade que só eles me transmitiam.

Infelizmente sabia que essa sensação ao qual tanto me apeguei era um  mero truque do meu cérebro se negando a aceitar a verdade, bem la no fundo eu sabia que aquela luzinha de esperança em meu coração não era real. Sabia que papai havia tomado tudo de mim, me deixado sozinha,  me tirando o meu bem mais precioso, não que ele quisesse claro por que se fosse do seu desejo eu teria me juntado a eles.

Um barulho estridente de um portão enferrujado me trás a realidade, olho para frente e todo meu corpo se arrepia ao ver aquele amplo lugar, morto, cinza, repleto de lapides, arvores mortas e aquele clima triste, pesado de dor, perda e sofrimento.

O padre entra pelo portão, segurando-o aberto para que eu passe. Fico receosa, não sabendo o que fazer, lutando internamente entre enfrentar a realidade ou fugir.

Engulo seco, respiro fundo e com as pernas bambas atravesso o pequeno portão. Assim que coloco os pés dentro do local sou atingida por tanta dor, tanta tristeza, que perco o ar enquanto meu corpo todo treme.

_ Respire criança. Só respire. – O padre diz ao meu lado sem me tocar.

Fecho os olhos, puxando o máximo de ar possível e soltando bem lentamente. Quando me sinto um pouco mais estável olho para o senhor lhe dando um agradecimento silenciosamente e continuamos nossa caminhada.

Durante o trajeto passamos por um  enterro, meu coração se aperta a ponto de sangrar ao finalmente compreender que ninguém havia se despedido de mamãe, que ela morreu e seguiu rumo ao seu descanso eterno sozinha.

_ Eles não ficaram sozinhos querida. – O padre responde como se lesse minha mente – Todos da nossa paroquia, bombeiros e alguns policiais estiveram presente no enterro.

_ Mas... eu não estava. – digo em um fio de voz enquanto massageio o peito em uma tentativa inútil de aliviar a enorme dor que me sufoca.

_ Mas esta agora, isso que importa. Você é uma sobrevivente querida e aposto que onde quer que eles estejam estão feliz que você ainda tem uma longa e feliz vida pela frente.

Me seguro para não soltar toda a minha raiva no pobre homem,  se ele soubesse da verdade, soubesse de tudo que passamos, ai sim ele saberia que se fosse por papai eu estaria ali bem ao lado deles.

O velho senhor para abruptamente e me aponta duas lapides logo a frente, sem dizer nada ele apenas se afasta e me deixa ali sozinha, me dando toda a privacidade necessária para o momento.

 Com os olhos ardendo pelas lagrimas contidas e o peito sangrando de dor vou até o local onde mamãe repousa.

Caio ajoelhada em frente sua lapide, implorando por desculpas, por não ter conseguido salva-la, por não ter tirado nos duas daquele inferno antes, por não ter tido coragem de fazer algo. Porem as desculpas são logo trocadas por xingamentos, por ela ter se rendido e ido embora, me deixando sozinha naquele mundo que mal conhecia, no meio de pessoas em que não poderia confiar. 

Eu sou uma completa bagunça no momento, não se choro, se grito, se xingo ou peço desculpas. Ali ajoelhada na terra, sem mais forças, engulo meu egoísmo e apenas imploro a mamãe que seja feliz e fique em paz onde quer que esteja, que finalmente tenha seu merecido descanso e não se preocupe com nada por que eu darei um jeito em tudo, continuarei sendo a mulher forte que ela criou e lutarei para ser algo na vida, por ela eu finalmente viveria e faria o máximo para ser feliz.

Me levanto secando as lagrimas em meu rosto, me abraçando em busca de forças que não existiam. Olhando mais atentamente a lapide de mamãe, percebo as pequenas inscrições abaixo de seu nome e data de nascimento e morte.

_ "Esposa fiel e amada mãe" – bufo com tamanha sandice. 

Irritada ando ao redor procurando por algo afiado. Poucos metros a frente encontro um pedaço de mármore de uma lapide que ja à tempos havia sido quebrada. Corro novamente ate mamãe, me jogando de joelhos no chão. Ofegante e munida de toda a minha raiva começo a arranhar a palavra esposa, deixando somente o fiel e amada mãe. Quando me sinto satisfeita com meu trabalho em não deixar qualquer resquício da palavra esposa me levanto secando o suor em minha testa. Meus olhos caem direto na lapide de papai, ou melhor, na lapide do próprio demônio. Quando vejo os inscritos tenho vontade de quebrar toda aquela merda, como podem dizer que ele era um pai amado e querido esposo? Como alguém pode pensar isso daquele ser asqueroso?

Irada me ajoelho rabiscando todo aquele absurdo. Grito, choro, xingo e  amaldiçoo papai por tudo que fez conosco. Em meio a toda a minha confusão sinto mãos me prenderem, me afastando a passos largos da lapide.

_ Pelo senhor minha filha. O que pensa que esta fazendo? Olhe suas mãos? E por que esta destruindo a lapide assim? –  com suas palavras abaixo os olhos e foco em minhas mãos, vendo o sangue escorrendo entre meus dedos apenas ignoro, afinal não sinto dor, não sinto... nada. 

Saio de seu aperto, me jogo no chão e termino o que comecei. Papai não merecia essas palavras, na verdade papai não merecia nada alem de sofrimento e dor.

Alguns longos minutos raspando pedra sob pedra, sentindo o suor escorrendo por meu pescoço me dou por satisfeita,  não notando resquícios de nada alem de seu nome imundo. 

Me levanto, analiso todo o maravilhoso estrago que causei e cuspo em sua lapide. Sorrindo me despeço do crápula.

_ Que seja feliz queimando no inferno!

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Ola meus trevozinhos!

Tudo bem?

E ai curtiram o capitulo de hoje?

E  o que estão achando, bom, ruim, um coco, muito baum, sei lá qualquer coisa... não me deixem no vaco rsrsrs.

Ou eu sofro! 😭 (chantagem emocional cof! cof! cof!)

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#partiuajudaraautora

Nos vemos em breve.

Beijos

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