Sempre acreditei que estava sendo corajosa, inteligente, que estava tomando as decisões certas e tudo que fazia valia o sacrífico para que no fim as coisas voltassem a um certo normal, porém esse momento, essa normalidade nunca chegou, nunca aconteceu.
Passei anos fugindo, me escondendo, me privando de tudo, vivendo vinte quatro horas por dia em completo pânico, fingindo saber o que fazer, fingindo conhecer o desconhecido, usando uma máscara, criando uma personagem que se mostrava forte, destemida, astuta e um tanto fria. Me mantive distante de tudo e todos porque não sabia como voltar a confiar nas pessoas, que a verdade seja dita, ainda não sei.
Talvez o medo tenha escurecido certos aspectos em mim, me fazendo não perceber o padrão, as falhas em meus planos, os sinais de que as coisas não estavam do jeito que imaginei. Eu deveria ter notado o quanto eu estava sendo manipulada, como estava sendo uma peça no jogo doentio de um sádico, mas estava cega demais, movida apenas pelo instinto de sobrevivência.
No fundo, mesmo que eu não quisesse ver, mesmo que trancasse todo aquele sentimento em um cômodo em minha mente e fingisse que aquela porta não existia, sabia que não estava bem. Sabia que me fechar tanto, me impedir de sentir, me deixar ser movida por todo esse ódio, rancor, tristeza e luto cobrariam seu preço uma hora, mas honestamente, não acreditei que fosse durar tanto para que isso ocorresse.
Quantas vezes me vi querendo desistir, cansada de fugir, de não conseguir dormir, de me encolher chorando, engolindo o grito desesperado de dor e pânico que me atingiam. Então vinham as lembranças da mamãe, seu sorriso, seu sacrifício e sua fé em mim, que eu conseguiria ter a vida que ambas queríamos e sonhávamos, essas lembranças faziam aquela pequena luz que havia sobrado em mim, tremeluzir, lutar, me dar forçar para continuar. Porém, com o tempo as coisas foram se tornando demais, o peso em meu peito se tornando sufocante, minhas escolhas já não pareciam ser mais as certas e eu me vi a beira do desespero, por que agora eu não estava mais sozinha, precisava proteger aqueles que eu tanto gostava, mas essa obrigação, mais esse dever, mais essas vidas para cuidar acabou levando muito mais do que eu poderia dar.
Mamãe sempre dizia que nem tudo é como vemos, que as vezes precisamos nos afastar, ver de outra perspectiva e eu realmente acreditei que tudo que fazia estava sendo analisado de todos os ângulos e modos possíveis, mas eu estava enganada. Todas as discussões com Miguel, todas as conversas, todas as brigas, tudo isso desencadeou algo em mim, um "looping" de pensamentos, emoções, me levando a um estado que eu sabia que se continuasse do jeito que estava os danos seriam irreparáveis.
Eu tentei me "auto curar" se assim posso dizer, tentei usar tudo que aprendia nas aulas de psicologia em mim mesma, mas não tem como alguém tão quebrado como eu se transformar em uma base firme e sólida, se guiando em busca da cura. Nós somos humanos, quantas vezes no auto sabotamos, quantas vezes resolvemos ignorar nossos problemas, nossas dores, sentimentos? Eu tentava usar toda a teoria em mim, mas acabava me sabotando, pois, acreditava que não era aquele o meu caso, o meu problema era diferente, mas não era.
Pela primeira vez eu sabia que precisava de ajuda, urgente ou não gostaria de imaginar o quão ruins as coisas poderiam ficar, e foi pensando nisso que me vi reunindo todos aqueles que eu amo e contando minha história, ou bem... uma parte dela.
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Enquanto, olhava todas as pessoas que de alguma forma se tornaram importantes em minha vida, minha respiração perdia mais e mais o ritmo, se tornando pesada, rápida, inconstante. Podia sentir o suor escorrendo por minha coluna e uma enorme vontade de fugir se erguendo sobre mim, porém cada vez que meus olhos percorriam seus rostos, preocupação e carinho eram as únicas coisas visíveis. No fundo sabia que gostavam de mim, mesmo sem entender o por que, também tinha a certeza de todo o meu ser que poderia confiar neles, então, por que tanto medo?
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Confinada
Lãng mạnAriela nunca conheceu o lado bom da vida, desde que nasceu sua vida vida foi banhada em trevas, medo, escuridão. A única fagulha de felicidade e amor vinha de sua mãe, que lutava bravamente todos os dias para mantê-la segura e feliz por mais que iss...
