Me levanto com o ouvindo zumbindo pela explosão abro os olhos encontrando cacos de vidros espalhados por todos os lados, inclusive sobre mim. Mesmo atordoada consigo ouvir, sentir aquela força dentro de mim gritando, ordenando, que fugisse, que não havia tempo a se perder. Corra merda! Algo gritava em minha mente. E por mais desnorteada e dor que sentisse não fui contra.
Levantar foi um sacrifício, me mover ou se quer respirar me rasgava por dentro, mas aquela voz em minha mente, aquele incomodo na pele, me faziam juntar todas as forças e me obrigar a me levantar e sair dali.
Vou me esgueirando aos tropeços pelas sombras, a cabeça anuviada de mais para arquitetar qualquer plano mas me forçando a pensar, a sair do torpor da dor e achar um local seguro, em que pudesse pelo menos me esconder durante um tempo até poder voltar para casa.
Antes mesmo que notasse estava na parte traseira da velha biblioteca, agradeci mentalmente qualquer parte de minha mente que inconscientemente me levou até ali. Sabia entrar e sair daquele lugar facilmente graças as inúmeras semanas em que invadia o lugar para assistir minhas aulas online. Porem dessa vez não seria tão fácil assim, não mesmo.
Encostada ao lado de um latão de lixo, escolhida nas sombras tento respirar, pensar em uma forma de me erguer até a grade dos fundos e entrar pela janela do segundo andar mas mal conseguia levantar os braços, se quer respirar, quem dirá sustentar todo o peso de meu corpo em uma tentativa suicidada de me erguer.
Confesso que nunca arrisquei entrar pela parte traseira mas parece que hoje seria um dia de novas descobertas. Olhando ao redor me dirijo até a parte traseira do lugar, atenta a qualquer fiação aparente , não queria correr o risco de ativar qualquer alarme. Por mais que o lugar fosse velho e aparentasse só ser visitado por mim e pelos empregados não havia qualquer chance de arriscar ser pega. Desço os degraus em direção a entrada dos fundos, ficando zonza a cada pontada de dor que queimava por todo o meu corpo a cada maldito passo. A porta estava coberta com placas de madeira, uma tentativa tola de manter pessoas afastadas do lugar e um obvio sinal de que havia alguma coisa errada com aquela entrada.
Respiro fundo tentando me acalmar, levar a dor embora, mas me arrependo amargamente quando o simples ato de inspirar quase me derruba de joelhos. Arfando olho para a porta tentando encontrar alguma fraqueza, alguma forma de entrar que não seja tentar arrancar os malditos parafusos ou quebrar alguma parte daquilo.
Me sento no ultimo degrau da escada, me encostando na parede fria em busca de algum alivio, no mínimo havia quebrado alguma maldita costela na luta com aquele desgraçado do Roberto. Maldito homem!
Maldita tentativa de ser uma pessoa do bem e ajudar uma imbecil em perigo!
Porra!
Quem eu estava querendo enganar, nunca deixaria Livia ali sendo abusada por aquele diabo, não conseguiria viver sabendo que dei as costas a algo tão imundo e asqueroso. Que deixei algo tão cruel acontecer por pura autopreservação. Não seria como todos foram comigo, não viraria o rosto e fingiria não ver nada. Não me faria de idiota, sonsa e somente diria que aquilo não é problema meu. Não mesmo!
Volto meu olhar para a porta, analisando minuciosamente mas estava escuro de mais naquele lugar para se ter uma visão clara. O lugar era úmido de mais, provavelmente sempre alegava nas épocas chuvosas e se estou certa...
Me ajoelho e vou me arrastando o mais lentamente possíveis para a parte de baixo da enorme placa de madeira. Bingo! A madeira estava apodrecendo naquela parte, não tão podre a ponto de um pequeno chute abrir um buraco mas podre o bastante ao ponto de conseguir dobra-la e tentar me esgueirar.
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Confinada
RomanceAriela nunca conheceu o lado bom da vida, desde que nasceu sua vida vida foi banhada em trevas, medo, escuridão. A única fagulha de felicidade e amor vinha de sua mãe, que lutava bravamente todos os dias para mantê-la segura e feliz por mais que iss...
