Capítulo 33 - Que os jogos comecem (cont...)

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Miguel

O dia havia amanhecido e com ele o barulho da cidade ganhando vida me desperta, não que eu pudesse culpar o barulho, meu sono após todos os anos servindo nunca mais havia sido o mesmo, afinal nunca podia manter minha guarda baixa, estar sempre alerta era o lema, um descuido e poderia ser o fim.

Abro os olhos, pronto para me espreguiçar e começar mais um dia, quando congelo. Fecho e abro os olhos rapidamente, tentando me livrar da névoa de sonolência que ainda pairava sobre mim, precisando ter certeza de que o que estava vendo não era um sonho, uma miragem...

Quando meus olhos finalmente entram em foco sinto meu coração tropeçar em suas próprias batidas como sempre acontece quando a vejo, meu cérebro se negando a acreditar que Bela estava ali, deitada ao meu lado, em meus braços, dormindo feito um anjo. Seu pequeno corpo desaparecendo em meio ao meu, sua respiração leve em minha pele enquanto descansava seu rosto e suas mãos em meu peito, meus braços protetoramente ao seu redor.

Eu estava paralisado, encantado por tamanha beleza, o peito se enchendo de orgulho ao notar o quanto aquilo significava, o quando Bela havia se entregado para se permitir estar tão relaxada e próxima a mim dessa forma. Enquanto a olhava, analisava cada pequena parte de seu belo rosto, aqueles enormes cílios que protegem olhos tão magnéticos e penetrantes que poderiam desarmar qualquer homem, fazendo-os cair de joelhos à sua mercê, aquelas lindas bochechas que sempre ficavam rosadas quando se sentia tímida ou irritada, a tempestuosa e deliciosa boca carnuda, boca que assombrava todos os meus sonhos me fazendo enlouquecer de anseio por ter nem que seja uma última vez o prazer de desfrutá-la e o grand finale aquele queixinho insolente, que estava sempre empinado, altivo, mostrando que o que quer que acontecesse ela lutaria e enfrentaria com todas as suas forças.

— Bom dia princesa - comprimento baixinho quando percebo que está acordando. Bela abre os olhos lentamente, um leve rubor tingindo suas bochechas assim que nossos olhos se encontram.

— Acho que acabei pegando no sono — diz com um sorriso sem graça tentando se afastar mas eu a impeço com meus braços ainda ao seu redor, impedindo sua fuga. Enquanto ela se permitisse eu aproveitaria nossa pequena bolha de felicidade.

— Nós dois, você quer dizer — respondo sorrindo, mas congelo realmente pensando no significado daquilo que havia acabado de dizer — Sabe... acho que nunca dormi tão bem nos últimos anos. Uau! Isso é muito tempo dormindo mal.

— Eu compartilho desse pensamento. Sabe... é difícil mudar velhos hábitos, uma vez alerta... sempre alerta — ela dá de ombros olhando para longe de mim, não gostando do caminho que as coisas estavam seguindo, seguro delicadamente seu queixo e levando seu rosto, fazendo-a me olhar. Quando seus olhos se prendem aos meus abro a boca querendo questioná-la, mas antes que consiga falar algo um lampejo de pânico passa tão rápido por suas feições que me pergunto se imaginei ou realmente esteve ali.

— O que foi? — meu olhos viajam por seu rosto tentando compreender o que estava havendo.

— Nada — responde rápido demais, tentando desviar o olhar novamente, mas não me afasto, fazendo com que ela não tenha escolha além de continuar olhando em meus olhos.

— Vamos lá, desembucha. Eu ronco, é isso? — falo divertidamente tentando aliviar um pouco o peso do clima que havia caído entre nós.

— Como vou saber — Bella ri sem graça — eu acho que meio que entrei em coma, mas sabe o que é mais estranho nisso tudo?

— Não, o que?

— Acho que nunca durmi assim em toda a minha vida, bom pelo menos da parte da minha vida que eu me lembre, você entendeu — ela revirar os olhos me fazendo rir, o que claro me garante uns belos tapas no peito — Você me irrita sabia!

ConfinadaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora