Capítulo 18

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Se alguém tivesse dito a Dulce, na manhã daquele dia, que ela passaria o melhor aniversário de sua vida em uma casa milionária em Alki Beach, ela certamente teria rido. Era difícil de acreditar que aquilo estivesse mesmo acontecendo.

Vovó fora ao centro e comprara um bolo red velvet tão delicioso que até parecia mentira, com a cobertura mais maravilhosa que Dulce já provara.

Comprara também os ingredientes para fazer margaritas, a bebida favorita da aniversariante.

Mas desde então, isto é, desde a chegada de vovó, Christopher estivera distante, quase frio. Dulce torcia para que não fosse por causa dos beijos. Ela ficara chateada, e Christopher só tinha tentado ser legal. Como ele mesmo tinha dito, aquilo não era real.

Não contava, porque era aniversário dela. Não era assim?

— Como estão as coisas? — perguntou Christopher, sentando-se ao seu lado. — O melhor aniversário de todos?

Dulce riu e bateu a taça na dele.

— O melhor aniversário de todos. Isto é, a não ser que vovó taque fogo em alguém. Acho que isso estragaria um pouco.

— Vamos ter sorte se ninguém acabar no hospital — comentou Alfonso, de onde estava, na praia.

Durante a última hora, ele e vovó estiveram lutando contra os fogos de artifício — uma batalha perdida — enquanto todos os outros bebiam margaritas e assistiam à cena.

— Fico feliz por termos feito isso antes de começar toda a loucura do casamento — acrescentou Anahí. — Já é legal só o fato de estarmos todos juntos aqui.

Vovó bufou enquanto pegava outro fósforo da caixa. Alfonso se afastou um pouco enquanto ela o sacudia no ar.

— Loucura do casamento, isso mesmo. E acho que não vou perdoar vocês por terem convidado Petunia.

Alfonso gemeu.

— Ela é sua irmã, vovó.

— Ela é uma decepção! — Vovó socou o ar.

— O que ela fez? — perguntou Dulce, ignorando o fato de Christopher estar fazendo “não” com a cabeça e de Alfonso estar gesticulando freneticamente por trás da avó.

— O que ela fez? — repetiu vovó. — O que ela fez?

— Ela começou a repetir — gemeu Christopher. — Mau sinal. Rápido, pegue outra margarita para ela!

Vovó deu-lhe um tapa forte na nuca e se aproximou de Dulce.

— Minha irmã me chamou de meretriz.

Dulce mordeu os lábios, tentando não rir.

— E no meu casamento!

Christopher ergueu a mão.

— Vovó, sabe que ela só disse isso porque você estava em cima da mesa...

— Shhh! — Vovó o dispensou com um gesto. — Ela é uma puritana que só se veste de branco.

Dulce franziu a testa.

— Por que só branco?

Christopher gemeu ao seu lado, mas ela o ignorou.

Vovó jogou o fósforo na fogueira e sacudiu a cabeça.

— Ela diz que vermelho é a cor do demônio.

— E preto?

— A cor do inferno.

— Azul? — Dulce precisou perguntar.

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