-Os lábios de Christopher se encontraram suavemente com os dela, enquanto ele pressionava seu corpo contra o calor do corpo dela. Mas, quando ela suspirou, ele se afastou.
— Que foi? O que mudou?
As palavras não vinham. Então Christopher não só havia perdido o jeito, como também parecia incapaz
de comunicar uma das coisas mais importantes que tinham acontecido em sua vida. Dulce fechou os olhos de leve. Quando os abriu outra vez, estavam marejados. Christopher segurou o rosto dela entre as mãos e respondeu, bem baixinho:
— Eu. Eu mudei. Fui eu, não você. Você sempre foi constante. Não importa se queria me esfaquear ou me beijar, você nunca mudou. Fui eu, estou diferente.
— Simples assim?
Mas que droga! Ele queria primeiro se perder nela, e só depois ter a conversa séria. Mas sabia melhor que qualquer um que as mulheres não eram assim. Então, com o autocontrole que raramente conseguia ter, Christopher se afastou e se sentou na cama, apenas de cuecas, esperando que Dulce também se sentasse. Quando ela se sentou, Christopher a envolveu com os braços e a tirou da cama, carregando-a até o banco junto à janela, onde poderiam olhar para o lago, para suas memórias antigas - o passado dele. Quando Dulce estava acomodada em seu colo, Christopher pegou um cobertor da cesta no chão e os cobriu. O contato com a pele dela fazia seu corpo inteiro formigar. Os dois estavam na cadeira, juntos, com as pernas emboladas. Christopher apoiou o queixo no topo da cabeça de Dulce e abraçou de lado.
— Foi bem ali, perto do deque.— Dulce suspirou.
— O quê?
— A primeira vez que me droguei.— Ela enrijeceu. Christopher engoliu em seco. — Eu ainda era um garoto, além de um idiota, jovem e arrogante demais. Sei o que está pensando; algumas coisas nunca mudam. Mas não consigo nem imaginar no que eu teria me transformado se ele não tivesse me encontrado.
— Ele?
— Bill. — Christopher apertou as mãos de Dulce. — O pai de Anahí. Eu tinha bebido tanto naquela noite! Tive sorte de continuar vivo.
— O que aconteceu?
— Na faculdade — continuou —Anahí e eu éramos inseparáveis. Sei que você sabe de todos os detalhes sórdidos. Quer dizer, tenho quase certeza de que era você quem me xingava por mensagem de texto de um número desconhecido, o que durou o ano inteiro. —Dulce riu.— Então. — Christopher sorriu. — Dormimos juntos na faculdade... Mas naquela noite... Merda, eu sabia o que estava fazendo! Disse a ela que eu era jovem e idiota, mas eu sabia. Só não me importava. Sabia que mudaria nossa amizade. Sabia que mudaria, mas, ainda assim, queria. Ainda a queria, mesmo sabendo que não iria além daquela noite. Acho que, lá no fundo, sempre soube que nos damos melhor como amigos. Bill já tinha dito diversas vezes que garotos e garotas não podiam ser amigos. Acho que ele estava tentando me avisar que não importa a situação, os hormônios sempre assumem o comando. E quando misturamos álcool com hormônios....— Como ele odiava contar aquela parte! — Anahí não se lembra de muita coisa, mas eu lembro.
— Como assim?— Perguntou Dulce, baixinho.
— Bebemos a mesma quantidade, mas ela é bem menor que eu. Ela lembra que transamos e que foi esquisito, mas acho que não lembra que chorou.
Ou que, no meio do caminho, me pediu que parasse. Disse que não queria decepcionar o pai... — Dulce se virou para encará-lo.
— Você não parou, não foi?
— Não. — Christopher quase engasgou com aquela palavra.— Eu disse a ela que tudo bem, que era normal ter medo. Disse... — Christopher fechou os olhos.— Disse a ela que a amava. E que, já que eu a amava, estava tudo bem.— Dulce terminou a história para ele.
—E aí você foi embora.
— Como o babaca que era, eu fui embora. — Christopher suspirou.— Saí do alojamento dela e fui direto para a república. Estava me sentindo tão culpado que só queria ficar anestesiado. Desaparecer. Então, enchi a cara, acordei na cama de outra garota e descobri, algumas horas depois, que os pais dela sofreram um acidente e morreram. Enquanto eu traía Anahí e Bill...
Senti como se a morte dos pais dela fosse culpa minha, acreditei que, se eu tivesse parado quando ela pediu, os dois ainda estariam vivos.
—Christopher. — Dulce segurou o rosto dele. — Isso não é verdade, e você sabe disso. Não poderia ter evitado o que aconteceu com alguma coisa que deixasse de fazer, assim como não poderia ter provocado tudo.
—Acho que agora já sei — respondeu ele. — Mas ainda me sinto mal. Isso sempre me assombrou, e, para ser sincero, era fácil demais ignorar, me entregar à ideia de que eu podia viver pelo prazer, fazendo o que quisesse. Queria ficar o mais longe possível de Anahí e de tudo o que ela representa.
—Ela confiou o coração a você.
— E eu o parti — Concluiu Christopher. – Em um milhão de pedacinhos. E, quando tive a chance de consertar, pisei neles, destruindo toda a nossa amizade.
Dulce estava cabisbaixa, sem se mover.— No que você está pensando?— sussurrou Christopher
— Estou triste por você. — Dulce passou um dedo por seu peito. — Triste por aquele garoto de 14 anos que ainda está lutando para se tornar o homem que deveria ser.
— Eu sou. — Christopher segurou o rosto dela. — Sou esse homem. Quero ser esse homem. Você me faz querer ser.— Dulce olhou bem em seus olhos, procurando, esperando.
— Alfonso me deu uma coisa, hoje.— Christopher a afastou com gentileza e andou até a cômoda, então abriu a gaveta e pegou a carta.
— O que é isso?— Dulce tomou o papel das mãos dele.
— Uma carta de Bill, Alfonso tinha recebido a ordem de me entregar apenas se atendida uma condição.
— Qual?
— De que eu estivesse apaixonado.— A carta caiu das mãos de Dulce e planou até o chão.
— Está falando sério?— Em dois passos Christopher estava na frente dela, ele a ergueu nos braços e a beijou na boca, absorvendo cada parte dela.
— Sim. Eu amo você, e sinto muito por vir com todo esse passado. Sinto muito por ter beijado uma garota e tê-la feito chorar. Sinto muito que essa garota tenha sido você. Sinto muito por não ter me comportado como o homem que fui criado para ser. Mas ao seu lado, Dulce. — mais um beijo fervoroso.— Sou esse homem, você me faz ser esse homem, porque me faz acreditar que posso ser. — Dulce assentiu enquanto algumas lágrimas escorriam.
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Que revelação essa do Christopher, não?!
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O Desafio
Fanfiction[CONCLUÍDA] "Como vai? Quer dizer, faz tanto tempo!" Na verdade, fazia onze meses, uma semana e cinco dias. Mas quem é que estava contando? Não ela. Christopher Uckermann é rico demais, bonito demais e arrogante demais: qualidades que, anos antes, f...
