Maite estalou os dedos na frente do rosto de Dulce.
— Ei, você ouviu alguma coisa do que eu disse?
Dulce sentiu as bochechas ficarem coradas enquanto tomava um longo gole do vinho.
— Claro, você estava falando sobre o trabalho. — Não era nenhuma novidade. O trabalho de Maite, que era química em um laboratório médico, sempre rendia histórias sem graça.
— E?
Dulce pôs a taça na mesa, pegou o garfo e espalhou um pouco da salada pelo prato.
— E? Continue!
Maite suspirou.
— Sério? Acabei de listar os elementos da tabela periódica, e você ainda quer mais?
Dulce soltou uma risada curta e se inclinou para a frente.
— Não me surpreende o fato de eu ter parado de ouvir.
— Onde você está com a cabeça? Hoje é a noite das garotas! Lembra? Comida? Bebida? Diversão?
Ah, você sabe! Onde a cabeça de qualquer outra garota estaria. Beijando Christopher, tocando seu peito musculoso, passando a língua por seu lábio inferior e...
— Alguém disse “noite das garotas”? — Uma voz conhecida se fez ouvir no restaurante. Dulce se virou e deu de cara com vovó. Bem, vovó e uma jaqueta dourada ofuscante, com pele de leopardo no colarinho. A calça jeans skinny era realçada por sapatos de salto com estampa de oncinha.
— Como você...?
— Ah. — Vovó a calou com um gesto e se sentou à mesa. — Hoje em dia existem aplicativos para tudo. Sabia?
— Sim, mas...
— De qualquer forma... — Vovó acenou para um garçom e pediu três shots de tequila. Era melhor ela beber aquilo sozinha: de jeito nenhum Dulce tomaria shots com a avó de Christopher! — Tem um aplicativo muito útil que se chama “Encontre Meus Amigos”!
Dulce pegou o celular.
— Nem sabia que tinha isso no telefone. Nem que você era...
Vovó deu de ombros como se estivesse querendo disfarçar um segredo.
— É assim que vigio as vagabundas de Christopher.
Maite engasgou com a bebida, molhando toda a mesa, e então começou a tossir.
Vovó bocejou e examinou as unhas, sem se deixar abalar pela reação de Maite. Dulce olhou de cara feia para a irmã e se virou outra vez para vovó.
— Tenho certeza de que o aplicativo foi criado para que ninguém se preocupasse com os amigos e os familiares, não para que as pessoas fossem perseguidas.
— Ah, bem. Cada um usa como quiser. — Vovó pôs o telefone na mesa e clicou na tela com um dedo. Depois clicou outra vez, e outra. Maite tentou dizer alguma coisa à irmã apenas mexendo os lábios, mas Dulce não conseguiu entender.
O garçom serviu os shots no instante em que vovó se endireitou, batendo palmas.
— Eu sabia!
Maite parecia estar entorpecida enquanto via a velha senhora bater palmas e erguer o celular no ar.
— Ele vai chegar logo.
— Desculpe, mas quem é você, mesmo? — perguntou Maite.
— Sou a vovó. — Aquilo foi dito com tanta normalidade, que Dulce teve de admirá-la. Quer dizer, será que havia outro jeito de descrever aquela mulher? Dizer “sou a vovó” devia cobrir todos os pecados. — Saúde! — Vovó pegou seu shot, ergueu-o no ar e então olhou para as duas irmãs.
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O Desafio
Fanfiction[CONCLUÍDA] "Como vai? Quer dizer, faz tanto tempo!" Na verdade, fazia onze meses, uma semana e cinco dias. Mas quem é que estava contando? Não ela. Christopher Uckermann é rico demais, bonito demais e arrogante demais: qualidades que, anos antes, f...
