Capítulo Sessenta e Cinco

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⚠️O capítulo contém 2.824 palavras⚠️


Eu fiquei puta de raiva porque Helena estava namorando e não me disse nada. Como assim ela aparece com um namorado do nada, sem mais nem menos? Eu ainda ia tirar essa história a limpo.

Eu sei onde poderia encontrá-la. E não perderia a chance. Então era isso, Helena estava me evitando esse tempo todo porque estava namorando. E, óbvio, o namorado dela não poderia saber sobre nós.

Cheguei ao consultório de Carla no horário perfeito para pegar Helena após sua sessão com a psicóloga.

— Oi, Alice — Helena me cumprimenta ao sair pela porta e se deparar comigo, sentada na sala de espera do lado de fora.

— Oi, Helena. Quero falar com você.

— Alice, agora não dá.

— Dá, sim. E você vai me ouvir — ordeno. Afinal, Helena sempre fez isso comigo. Todas as vezes em que eu não quis ouvi-la, ela me forçava. Então, eu também, faria a mesma coisa. Tinha que funcionar. Carla nos deixou em sua sala, a sós.

— Alice, diga o que quer. Eu não tenho todo o tempo do mundo, preciso buscar os meus filhos na escola e depois voltar ao trabalho. — Helena não me encarava como de costume.

— Por que está me evitando tanto, Helena? — pergunto, aflita.

— Alice, é complicado. Entenda.

— Você está namorando e não ia me dizer nada? Me deixou igual uma idiota correndo atrás de você. — Meus olhos já se enchem de lágrimas e eu estou prestes a chorar.

— Eu não tenho nada para lhe falar, Alice. Daniel é um caso antigo, você não entenderia.

— Eu não entendo que o mais importante de tudo para você é apenas sexo? Tudo não passa de uma brincadeira.

— Alice, você não entende nada. Não diga besteira. — Helena altera a voz, usando autoridade.

— Eu só jogo com a verdade Helena Simões. — Ela me encara.

— Alice, tudo o que houve mexe demais comigo ainda. Eu não aguento a pressão da perca de Mônica... — Helena faz uma pausa e abaixa a cabeça. — Desde então, eu venho tendo que lutar contra os monstros para poder seguir em frente, dia após dia. Isso é um fardo muito difícil, Alice. Entenda.

Eu, também abaixo a  cabeça e as lágrimas escorrem.

— Já fazem quatro meses desde que Mônica se foi. Sinto falta dos cuecas. Por que não me deixa vê-los?

— Alice, nós duas juntas lembramos Mônica, você sabe. Estou tentando mantê-los longe de mais sofrimento. — Ela diz.

— Está tentando apagar as lembranças de Mônica? E se eles me verem ou falarem comigo isso fará com que lembrem da madrinha, é isso?

— Eles já sofreram demais sentindo a ausência dela. — Helena deixa escapar um olhar pesado.

— E a solução é apagar qualquer vestígio de lembrança do passado? É assim que vai resolver esse problema?

— Alice tente entender.

— E, nós? — Aumento a voz. — Hein? Me diz, Helena, e nós? — Helena permanece em silêncio por um tempo. O silêncio dela é pior do que qualquer grito. Ela fecha os olhos por um instante.

— Não existe "nós". Acabou.

— Acabou? Como assim, Helena? Percebe o que está dizendo? Isso é loucura. — Me seguro para não tombar junto com o mundo que parece inclinar.

VANILLA O Sabor Mais Doce   (CONCUÍDO)✔Histórias para pegar e não largar. Descubra agora