Capítulo 26- Sua Dama, Herdeira.

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- Sentia saudades da sua companhia, de ter você do meu lado.- disse Edgar se acomodando no aconchego do colo de Clara.

Ela sorri largamente, pois se sentia do mesmo modo, nesse momento uma sombra tapou o Sol que iluminava o rosto de Clara, quando levanta seu olhar ela se depara com o rosto sério de Sebastian.

Edgar também notou a presença de alguém e quando levantou o olhar encontrou o do mordomo, o encarando com desprezo.

- Quem é esse Clara? Um novo amigo?- Pergunta o loiro fechando os olhos novamente.

- O Conde Ciel Phantomhive, exige a presença de ambos no salão principal.- disse Sebastian friamente, dando as costas para Clara e Edgar.

O rapaz se levanta, encara as costas do mordomo desaparecer ao entrar na mansão.

- Que homem nervosinho você foi arrumar.- debocha Edgar.

- Ele não é meu marido.- afirma a morena.

- Mas age como se fosse, e pelo que notei nessa rápida troca de olhares ele não está muito longe de se tornar o primeiro príncipe consorte do inferno.- disse ele com um sorriso maroto.

Clara se levanta sacudindo o habitual vestido preto, sorriu para o irmão e disse:

- Seria muita honra para ele.

- Tem toda a razão.

De braços dados eles adentraram o salão, Ciel os encarava seriamente, Elizabeth tinha um olhar preocupado, Edgar fez uma reverencia e o conde começa:

- Quem é você?

- Sou um simples cocheiro meu senhor.

- Qual é seu nome?

- Calebe, seu humilde servo.- respondeu o loiro.

Toda a submissão de Calebe agradava Ciel que amava a sensação de superioridade.

- Tudo bem, era apenas isso pode ir.

- Sim meu senhor.- disse ele fazendo uma última reverencia.

- Clara pode vir conosco? Precisamos da sua ajuda.- pediu Elizabeth.

Clara concorda com a cabeça e segue o casal, no salão Sebastian aproveitou a saída do jovem mestre para pressionar Calebe.

- Senhor Calebe.

- Sim?

- Como conheceu a senhorita Clara?

O loiro sorriu largamente ao sentir o ciúmes na voz do mordomo.

- A conheço desde o início da minha vida.

Calebe deu alguns passos para frente, tinha menos de 1 metro de distância de Sebastian, soltou um suspiro e sorriu. Aquelas simples ações eram como um gatilho para as memórias do rapaz, cena após cena, até que ele se lembrou de um momento do qual tinha muita tristeza.

[ Edgar/Calebe]- anos antes.

" Emma quase nunca se afastava de mim, éramos inseparáveis, tínhamos até as mesmas tarefas. Ela tornava os dias mais felizes.

Estava tudo perfeito até o desaparecimento repentino dela, tínhamos marcado de nos encontrar logo por isso não me importei muito. E esse foi um erro, um grande erro.

Depois que terminei minhas tarefas fui para o lugar que havíamos marcado, chegando lá me deparei com ela e dois guardas puxando seus braços. Ela gritava:

- Eu juro! Não foi eu!!

- Cale a boca sua bastarda impura.

Ao ver aquela cena, gritei com toda a força dos meus pulmões:

- Parem! Por favor não a machuquem!- no mesmo instante que gritava eu também lutava para tirar minha irmãzinha daquela situação.

- Cale a boca pirralho insolente.- disse um guarda para depois me empurrar.

Ele tinha razão, eu era apenas um pirralho fraco e inútil, minha tarefa era proteger a minha irmã, e eu fui incapaz de cumprir.

Daquele dia em diante jurei que faria de tudo para que Emma não sofresse nenhuma humilhação novamente, eu seria capaz de tudo por aquela que sempre esteve ao meu lado.

Dias depois que Emma se foi ouvi Ezael conversando com Elena, nessa conversa eles diziam que Emma havia sido condenada ao inferno, minhas pernas cederam, o barulho dos meus joelhos batendo contra o chão de mármore foram suficientes para que os dois percebessem que não estavam sozinhos.

Me recuperei, passei os anos seguintes treinando, queria ser forte o suficiente pra abrir um portal para o inferno. Ao mesmo tempo que treinava eu tentei criar um presente especial para minha amada irmãzinha, e foi aí, depois de muita pesquisa criei Maximus.

Havia finalmente chegado a hora, o dia que eu tinha esperado por tanto tempo, vesti uma capa azul marinho, coloquei o capuz, peguei o pequeno animal e corri o máximo que pude para uma torre ao norte, tinha certeza que estaria vazia, como não era tempo de guerra não tinha razão para haver qualquer guarda lá, e eu estava certo, vazia. Assim que entrei, tranco a porta, me concentrei pois aquilo estava me deixando nervoso.

Abri o portal, por azar acabei entrando na sala do trono e ficou pior lá em cima depois da pequena escadaria estava o próprio Lúcifer, ou seja, o que era para ser uma invasão discreta, acabou por ser a história de como invadi a sala do trono no inferno na presença do próprio rei Lúcifer. Naquele momento suei frio, quando percebi já estava cercado por cavaleiros armados, pra ajudar minhas pernas travaram, minha voz sumiu e a minha espinha congelou, na minha cabeça só havia uma palavra: FUDEU.

No meio do alvoroço, das vozes gritantes e dos murmúrios ouvi um canto inconfundível, aos poucos a voz feminina foi ficando mais e mais alta até que a porta se abriu, Emma apareceu sorridente, nas mãos carregava um lindo buquê de hortências azul vibrante, ao me ver ela parou seus olhos esbugalhados denunciaram descaradamente a sua surpresa.

- Edgar? O que faz aqui?- disse ela.

- Você o conhece Clara?- A voz de Lúcifer era grave e alta mesmo que não fosse proposital causou medo em todos do salão.

Clara.... Ah, ela havia mudado de nome, ela era uma obscura agora não seria certo usar seu nome celeste. Ela olhou para mim e sorriu dizendo:

- Sim, senhor ele é meu irmão.

- Afastem suas armas do pobre anjo.- ordenou o rei, depois seus olhares foram direcionados a Clara- Não importa o quanto eu te repreenda, parece que sempre me tratará como um ser superior, mesmo sendo minha única herdeira.

- Como assim?- essa pergunta escapou dos meus lábios involuntariamente.

- Não é maravilhoso?!- disse ela tomando minhas mãos e me conduzindo a girar pelo salão.

Depois que ela me explicou a situação, nos acalmamos eu lhe entreguei o pequeno presente, tive que ir embora as pressas pois meu tempo estava acabando, voltei aliviado meu coração estava prestes a explodir de alegria senti a imensa vontade de gritar para o mundo, mas, novamente me calei."

[ Época atual]

~Narrador~

Calebe encarou Sebastian com um sorriso malicioso, cruzou os braços e perguntou:

- E o senhor? A quanto tempo conhece a minha irmã?

Antes de responder o mordomo olhou em seu relógio de bolso, e deixou escapar um sorriso pequeno e sincero.

- Exatamente 8 meses, 15 dias, 2 horas e 20 minutos.





Por ElaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora